Vinde, Senhor Jesus!

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Quando rezamos a Liturgia das Horas nunca rezamos sozinhos. Isto porque essa oração é, por instituição sagrada, oração de todo o povo de Deus que milita neste mundo, daqueles que esperam no purgatório a visão do Senhor e daqueles que já estão diante do trono de Deus e do Cordeiro. Todos os dias, do quatro cantos da terra, corações e vozes fiéis se levantam, nas diversas Horas do dia e da noite, para, na presença da divindade e dos seus anjos, entoar esse cântico de louvor que ressoa desde sempre nas habitações celestes1.

Mas essa não é apenas a oração da Igreja corpo. É também a oração da Igreja cabeça. Portanto não há que se pensar nessa oração sem a presença do próprio Cristo a orar conosco. Tudo o que dissermos na Liturgia das Horas, diremos com Cristo e em Cristo2.

Nas preces das Laudes e Vésperas no Tempo do Advento iremos insistentemente repetir o verbo vir: Vinde, Senhor, Jesus! Vinde salvar-nos! Venha a nós o vosso Reino! E, como toda prece da Igreja é também prece de Cristo, ele mesmo repete conosco, pois deseja ardentemente vir ao nosso encontro para reinar definitivamente no meio de nós (Cf. Ap. 22,20). Na oração, nosso desejo de estar com Deus se funde ao desejo de Deus em estar conosco. Como ensina o Catecismo da Igreja, “Jesus tem sede, e o seu pedido brota das profundezas de Deus que nos deseja. A oração, quer saibamos ou não, é o encontro da sede de Deus com a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede d’Ele3. Por isso, no Advento, com Cristo e em Cristo, pedimos que venha o Senhor. Nós e toda a Igreja, com os anjos e suas trombetas, com a multidão dos exércitos celestes entoamos em uma só voz: Vinde, Senhor Jesus! 

Mas ao desejarmos a vinda do Senhor, devemos nos perguntar: Ao vir o Senhor, que templo encontrará em nós? Um templo ornamentado e pronto para celebrar sua vitória? Ou um templo destruído e profanado? Que o Senhor, quando vier, nos encontre vigilantes, com as lâmpadas do nossos templos acesas. Assim ele entrará, se cingirá, servirá à mesa e ceará conosco e nós com ele(Cf. Lc 12, 32; Ap 3,20)

Que neste tempo de graça, possamos receber convenientemente e de coração agradecido este imenso benefício e a enriquecer-nos com seus frutos, de modo que nos preparemos para a chegada de Cristo nosso Senhor com tanta solicitude como se ele estivesse para vir novamente ao mundo4. Que Cristo, sol nascente possa viver em nós, iluminando nossos dias como luz mais brilhante que o sol; Que, junto com ele, possamos caminhar na claridade e estejamos com ele quando o dia declinar; Que nosso coração seja o próprio coração de Cristo a pulsar enchendo nosso ser do divino amor; 

“O Espírito e a Esposa dizem: ‘Vem!’. Possa aquele que ouve dizer também: ‘Vem!’. Aquele que tem sede, venha! E que o homem de boa vontade receba, gratuitamente, da água da vida! Aquele que atesta estas coisas diz: ‘Sim! Eu venho depressa!’. Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22, 17.20)


  1. São Paulo VI, Constituição Apostólica Laudis Canticum, § 1
  2.  Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, 1
  3.  Catecismo da Igreja Católica, 2560
  4.  São Carlos Borromeu, Acta Eclesiae Mediolanensis, in Liturgia das Horas, Vol. 1, p. 124.
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Helber Clayton é leigo católico, servidor público, escritor, casado, formado em Letras, com licenciatura em Língua Portuguesa, Língua Inglesa e respectivas literaturas, Especialista em Língua Latina e Filologia Românica.
Mora em Teixeira de Freitas na Bahia

Comments

  1. Hamilton Simões de Lanna disse:

    Amém.
    Vinde Senhor Jesus!

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