Ofício das Leituras de 22 de Dezembro

V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

Oh vinde depressa,
do seio da virgem,
Beleza dos céus!
O mundo admire:
um tal nascimento
é digno de Deus.

Não germe de homem,
mas sopro divino
no seio o gerou.
O verbo de Deus
se fez nossa carne,
o ventre deu flor.

A vida já cresce
no seio da Virgem
que guarda a pureza.
Deus mora em seu templo
e brilha a virtude
em toda a grandeza.

Que venha o herói
que é homem e é Deus,
do quarto nupcial,
correr glorioso
seu nobre caminho,
a trilha real.

Igual a Deus Pai,
reveste dos homens
a carne, a fraqueza,
e, desta maneira,
nos dá a virtude,
de Deus fortaleza.

Já brilha o presépio,
e um novo esplendor
a noite nos traz.
Que fujam as trevas,
a fé resplandeça
e reine a paz.

A vós, Rei piedoso,
e ao Pai que nos ama,
a glória convém.
Com vosso Espírito
reinais sobre o mundo
nos séculos. Amém. 

Salmodia

Ant. 1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!

Salmo 102(103)

Hino à misericórdia do Senhor

Graças à misericordiosa compaixão do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos veio visitar (cf. Lc 1,78).

I

1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, *
todo o meu ser, seu santo nome!
2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, *
não te esqueças de nenhum de seus favores!

3 Pois ele te perdoa toda culpa, *
cura toda a tua enfermidade;
4 da sepultura ele salva a tua vida *
e te cerca de carinho e compaixão;
5 de bens ele sacia tua vida, *
e te tornas sempre jovem como a águia!

6 O Senhor realiza obras de justiça *
e garante o direito aos oprimidos;
7 revelou os seus caminhos a Moisés, *
e aos filhos de Israel, seus grandes feitos.

Ant. Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!

Ant. 2 Como um pai se compadece de seus filhos,
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

II

8 O Senhor é indulgente, é favovel, *
é paciente, é bondoso e compassivo.
9 Não fica sempre repetindo as suas queixas, *
nem guarda eternamente o seu rancor.
10 Não nos trata como exigem nossas faltas, *
nem nos pune em proporção às nossas culpas.

11 Quanto os céus por sobre a terra se elevam, *
tanto é grande o seu amor aos que o temem;
12 quanto dista o nascente do poente, *
tanto afasta para longe nossos crimes.
13 Como um pai se compadece de seus filhos, *
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

14 Porque sabe de que barro somos feitos, *
e se lembra que apenas somos pó.
15 Os dias do homem se parecem com a erva, *
ela floresce como a flor dos verdes campos;
16 mas apenas sopra o vento ela se esvai, *
já nem sabemos onde era o seu lugar.

Ant. Como um pai se compadece de seus filhos,
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

Ant. 3 Obras todas do Senhor, glorificai-o!

III

17 Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme *
é de sempre e perdura para sempre;
– e também sua justiça se estende *
por gerações até os filhos de seus filhos,
18 aos que guardam fielmente sua Aliança *
e se lembram de cumprir os seus preceitos.

19 O Senhor pôs o seu trono lá nos céus, *
e abrange o mundo inteiro seu reinado.
=20 Bendizei ao Senhor Deus, seus anjos todos, †
valorosos que cumpris as suas ordens, *
sempre prontos para ouvir a sua voz!

21 Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, *
seus ministros, que fazeis sua vontade!
=22 Bendizei-o, obras todas do Senhor †
em toda parte onde se estende o seu reinado! *
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

Ant. Obras todas do Senhor, glorificai-o!

V. Escutai, povos todos a Palavra do Senhor.
R. E anunciai-a até os confins de toda a terra.

Primeira leitura

Do Livro do Profeta Isaías 49,14–50,1

A restauração de Sião

49,14 Disse Sião: “O Senhor abandonou-me,
o Senhor esqueceu-se de mim!”
15 
Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno,
a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre?
Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti.
16
 Eis que gravei teu nome, Sião, em minhas mãos,
os teus muros estão sempre à minha frente.
17 
Teus construtores apressam-se em chegar
e já se foram os que te arruinaram e saquearam.
18
 Ergue os olhos em redor e vê:
todos esses se reuniram e vieram a ti.
“Eu juro, diz o Senhor,
que todos serão como ornamento do teu vestido,
e todos te rodearão como uma noiva”.
19
 Apesar das ruínas e das praças desertas,
e da terra arrasada,
desde agora serás apertada para tantos habitantes,
enquanto que para longe fugirão os que te destruíram.
20
 Ainda soará aos teus ouvidos
a voz dos filhos que perdeste:
“Este lugar é apertado para mim,
arranja-me espaço para morar”.
21
 Dirás em teu íntimo:
“Quem gerou para mim estes filhos?
Eu, mãe sem filhos, mãe estéril,
desterrada e escrava!
Quem criou estes filhos?
Eu tinha sido deixada sozinha!
E onde estavam estes filhos?”
22
 Isto diz o Senhor Deus:
“Eis que acenarei com a mão para as nações
e levantarei meu sinal entre os povos;
teus filhos serão levados nos braços
e tuas filhas carregadas aos ombros.
23
 Teus aios serão reis,
tuas amas, rainhas;
hão de adorar-te com a face abaixada para o chão
e de lamber a poeira dos teus pés.
E saberás que eu sou o Senhor:
os que em mim esperam não se frustrarão”.
24
 Acaso se tira de um valente a sua presa,
ou se toma de um caçador forte a sua caça?
25
 Isto diz o Senhor:
“Certamente, pode-se tomar do valente o prisioneiro
e salvar das mãos do caçador forte a presa feita;
eu lutarei com os que lutavam contigo
e eu salvarei os teus filhos.
26 
Alimentarei teus inimigos com suas carnes,
eles se embriagarão com o vinho do próprio sangue;
todo o homem ficará sabendo
que eu sou o Senhor, teu Salvador,
e o teu libertador, o Forte de Jacó”.
51,1
 Isto diz o Senhor:
“Onde está a carta de divórcio de vossa mãe,
que me serviu para repudiá-la?
Ou qual é o meu credor,
a quem eu vos vendi?
Pois bem:
fostes vendidos em razão de vossas iniqüidades,
vossa mãe foi repudiada em razão de vossos crimes”.

Responsório Is 49,15; cf. Sl 26(27),10

R. Pode a mãe se esquecer de seu filhinho,
e do fruto de seu ventre não ter pena?
mesmo que existisse tal mulher,
* Eu jamais te esquecerei, diz o Senhor.
V. Se meu pai e minha mãe me abandonarem,
o Senhor me acolhe em seu amor.
* Eu jamais te esquecerei, diz o Senhor.

Segunda leitura

Da Exposição sobre o Evangelho de São Lucas, de São Beda Venerável, presbítero
(Lib. 1, 46-55: CCL 120, 37-39) (Séc. VIII)

Magnificat

E Maria disse: A minh’alma engrandece o Senhor e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador (Lc 1,46-47).

O Senhor, diz ela, elevou-me por um dom tão grande e inaudito, que nenhuma palavra o pode descrever e mesmo no íntimo do coração é difícil compreendê-lo. Por isso dedico todas as forças de meu ser ao louvor e à ação de graças, contemplando a grandeza daquele que é eterno, e ofereço com alegria minha vida, tudo que sinto e penso, porque meu espírito rejubila pela divindade eterna de Jesus, o Salvador, que concebi e é gerado em meu seio.

O Poderoso fez em mim maravilhas, e santo é o seu nome! (Lc 1,49).

Estas palavras se relacionam com o início do cântico que diz: A minh’alma engrandece o Senhor. De fato, só a alma em quem o Senhor se dignou fazer maravilhas pode engrandecê-lo e louvá-lo dignamente e dizer, exortando os que compartilham seus desejos e aspirações: Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome (Sl 33,4).

Quem conhece o Senhor e é negligente em proclamar sua grandeza e santificar o seu nome, será considerado o menor no Reino dos Céus (Mt 5,19). Diz-se que santo é o seu nome porque, pelo seu poder ilimitado, transcende toda criatura e está infinitamente separado de todas as coisas criadas.

Acolhe Israel, seu servidor, fiel ao seu amor (Lc 1,54).

Israel é, com razão, denominado servidor do Senhor, porque, sendo obediente e humilde, foi por ele acolhido para ser salvo, como diz Oséias: Quando Israel era criança, eu já o amava (Os 11,1). Aquele que recusa humilhar-se não pode certamente ser salvo, nem dizer com o Profeta: Quem me protege e me ampara é meu Deus; é o Senhor quem sustenta a minha vida! (Sl 53,6). Mas, quem se fizer humilde como uma criança, esse é o maior no Reino dos Céus (cf. Mt 18,4).

Como havia prometido a nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos para sempre (Lc 1,55).

Trata-se da descendência de Abraão segundo o espírito e não segundo a carne, isto é, não apenas dos filhos segundo a natureza, mas de todos que seguiram o exemplo da sua fé, fossem eles circuncidados ou incircuncisos. Pois o próprio Abraão, ainda incircunciso, acreditou e isto lhe foi imputado como justiça.

A vinda do Salvador foi, portanto, prometida a Abraão e a seus filhos para sempre, isto é, aos filhos da promessa, dos quais se diz: Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa (Gl 3,29).

É com razão que, antes do nascimento do Senhor e de João, suas mães profetizam, para que, tendo o pecado começado pela mulher, os bens comecem igualmente por ela; e se foi pela sedução de uma só mulher que a morte foi introduzida no mundo, agora é pela profecia de duas mulheres que se anuncia ao mundo a salvação.

Responsório Lc 1,48-50

R. As gerações hão de chamar-me de bendita:
* O Poderoso fez em mim maravilhas,
Santo é o seu nome.
V. Seu amor para sempre se estende
sobre aqueles que o temem. * O Poderoso.

Oração

Deus de misericórdia, vendo o homem entregue à morte, quisestes salvá-lo pela vinda do vosso Filho; fazei que, ao proclamar humildemente o mistério da encarnação, entremos em comunhão com o Redentor. Que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

 V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

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