Fundamentos e Importância da Liturgia das Horas

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A Liturgia das Horas é verdadeiramente um tesouro de espiritualidade que nos foi conservada pela tradição da Igreja de geração em geração e que, atravessando os séculos, chega até nós. E nós, seja quem formos, onde quer que estivermos, como filhos amados da Igreja e juntos com ela podemos cantar esse Canto de Louvor universal. Podemos nos unir aos irmãos do mundo inteiro que rezam, cada um em sua língua, as mesmas preces, e cantam o mesmo cântico. E, mais ainda: Com os irmãos que estão nos céus, diante do trono do Senhor, juntamente com a multidão de anjos, e também aqueles que esperam no purgatório a visão da face de Deus.

E de onde vem então essa fascinante forma de rezar?

Sabemos que os judeus já tinham o costume de rezar e oferecer sacrifícios em determinadas horas do dia, como os sacrifícios matutinos e vespertinos, as bênçãos antes das refeições, as Vigílias durante a noite. No versículo 164 do Salmo 118 o salmista exclama: “Eu vos louvo sete vezes cada dia, porque justos são os vossos mandamentos”. No Salmo 62, cantamos: “Penso em vós no meu leito, de noite, nas vigílias suspiro por vós!”

Os apóstolos, mesmo depois de se tornarem Cristãos, mantém esse costume de ir ao Templo de Jerusalém naquelas Horas. Um dos exemplos mais clássicos desse costume vemos no Capítulo 3, quando Pedro e João subiam ao Templo para a oração à hora nona, ou seja, as três da tarde. Em outro momento, no capítulo 10, lemos que Pedro subiu ao terraço para rezar por volta do meio-dia. No cápítulo 16, encontramos Paulo e Silas a rezar na prisão à meia-noite. Nenhuma dessas horas citadas nas Escrituras é mera coincidência. Na verdade já fazia parte da cultura dos antigos judeus rezar naqueles momentos específicos.

Para nós Cristãos, o embrião da Liturgia das Horas está nas palavras do próprio Cristo que nos são transmitidas por São Lucas em seu Evangelho. No início do Capítulo 18, São Lucas narra: “Jesus contou-lhes ainda uma parábola para mostrar a necessidade de orar sempre sem jamais esmorecer”. Os padres da Igreja viram neste pequeno versículo, não apenas o preâmbulo de mais uma parábola, mas uma ordem para uma oração perene. São Paulo, mais tarde, ao escrever aos Tessalonissenses repete a ordem do Senhor: “Orai sem cessar! Na sequencia dos Apóstolos, São Gregório Nazianzeno dizia que “é preciso lembrar-se de Deus com mais frequência do que se respira”. Santo Antão, por sua vez, dizia que “Agrada-se a Deus se Deus está sempre ante seus olhos, isto é, se se vive constantemente na presença de Deus” e São Bento tinha como lema “Orar e trabalhar”, não como duas ações alternadas e independentes, mas entrelaçadas entre si, de modo que a oração fosse parte integrante do trabalho diário do monge.

Mas como seria orar sempre?  Orar sem cessar? A oração contínua é possível?

O Catecismo da Igreja, ao explicar sobre a Vida de Oração, diz que sim, é possível ter uma vida de constante oração, mas isso só vai acontecer se dedicarmos certos momentos do nosso dia para rezar, por decisão própria (CIC 2697-2698). E diz também que “A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a alimentar a oração contínua”. Um deles é a Liturgia das Horas. 

Na verdade, esse é o fundamento básico da Liturgia das Horas: proporcionar ao fiel a tão almejada, sonhada e querida oração perene, aquela que não esmorece jamais, como pede Jesus e os Padres da Igreja.

Por isso ela é a oração institucional da Igreja Católica, a qual estão obrigados, por juramento, todos os ministros ordenados (diáconos, presbíteros e bispos), é dever de todos os consagrados. E nós leigos? Nós não estamos obrigados (que pena). Mas se é tão necessária para os ministros e para os religiosos, obviamente é algo que nos fará o mesmo bem.

Neste sentido a Igreja instrui todos os católicos, sejam eles ordenados, consagrados ou leigos que tomem parte da Liturgia das Horas. Por ela participamos da suprema honra da esposa de Cristo que canta os louvores do seu Senhor (Sacrosanctum Concilium, n. 85)

Por ser oração da Igreja, a Liturgia das Horas deve ocupar um lugar de privilégio entre as demais formas de oração.

E o que tem de conteúdo tão especial na Liturgia das Horas que a faz tão importante?

A primeira coisa e mais essencial é a Palavra de Deus.

Na Liturgia das Horas encontramos uma fonte abundante da Palavra de Deus, consubstanciadas nas leituras da Sagrada Escritura e nos ensinamentos da Sagrada Tradição e do Magistério da Igreja. Na Liturgia das Horas cantamos intensamente os Salmos, hinos e cânticos espirituais, lemos avidamente as leituras breves e longas da Bíblila, aprendemos com os ensinamentos dos Santos, nos unimos às preces de toda a Igreja de todos os lugares

Gostaria de concluir com uma frase  altamente inspiradora que está na Instrução Geral e que, sem dúvida, nos motiva muito a buscar compreender e rezar melhor a Liturgia das Horas: “os participantes da Liturgia das Horas dela hão de haurir copiosíssima santificação…” (IGLH, n. 14).

Grande abraço e até a próxima!

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Helber Clayton é leigo católico, servidor público, escritor, casado, formado em Letras, com licenciatura em Língua Portuguesa, Língua Inglesa e respectivas literaturas, Especialista em Língua Latina e Filologia Românica.
Mora em Teixeira de Freitas na Bahia

Comments

  1. José H Martins disse:

    Adoro saciar minha sêde de Deus nesta fonte. Ao rezar a liturgia das horas atualizamos a nossa leitura da Palavra de Deus ao absorver a mensagem nela contidas, através das várias orações no decorrer do dia, nas formas de leitura, cânticos e orações.

  2. ENI EMILIANA SILVA disse:

    Muito bom gostei.

  3. Geraldo O. Possetti disse:

    Oração linda. Adoro.

  4. Ana Alice Rodrigues disse:

    Eu rezava, de vez enquando algumas orações da liturgia, mas ontem me propus a rezar a liturgia das horas… estou realmente extasiada com a sua riqueza. Em alguns dias sei que terei dificuldades para rezar devido aos compromissos profissionais… mas espero rezar em todos os momentos

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