Ofício das Leituras de Sexta-feira da 30ª Semana do Tempo Comum

0 comentário

V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:

Ao som da voz do galo,
já foge a noite escura.
Ó Deus, ó luz da aurora,
nossa alma vos procura.

Enquanto as coisas dormem,
guardai-nos vigilantes,
brilhai aos nossos olhos
qual chama cintilante.

Do sono já despertos,
por graça imerecida,
de novo contemplamos
a luz, irmã da vida.

Ao Pai e ao Filho glória,
ao seu Amor também,
Deus Trino e Uno, luz
e vida eterna. Amém.

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

Criador do Universo
do Pai luz e resplendor,
revelai-nos vossa face
e livrai-nos do pavor.

Pelo Espírito repletos,
templos vivos do Senhor,
não se rendam nossas almas
aos ardis do tentador,

para que, durante a vida,
nas ações de cada dia,
pratiquemos vossa lei
com amor e alegria.

Glória a Cristo, Rei clemente,
e a Deus Pai, Eterno Bem,
com o Espírito Paráclito,
pelos séculos. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira! †

Salmo 37(38)

Súplica de um pecador em extremo perigo

Todos os conhecidos de Jesus ficaram à distância (Lc 23,49).

I

2 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira; *
† corrigi-me, mas não com furor!

3 Vossas flechas em mim penetraram; *
vossa mão se abateu sobre mim.
4 Nada resta de são no meu corpo, *
pois com muito rigor me tratastes!

– Não há parte sadia em meus ossos, *
pois pequei contra vós, ó Senhor!
5 Meus pecados me afogam e esmagam, *
como um fardo pesado me oprimem.

Ant. Repreendei-me, Senhor, mas sem ira!

Ant. 2 Conheceis meu desejo, Senhor.

II

6 Cheiram mal e supuram minhas chagas *
por motivo de minhas loucuras.
7 Ando triste, abatido, encurvado, *
todo o dia afogado em tristeza.

8 As entranhas me ardem de febre, *
já não  parte sã no meu corpo.
9 Meu coração grita e geme de dor, *
esmagado e humilhado demais.

10 Conheceis meu desejo, Senhor, *
meus gemidos vos são manifestos;
=11 bate pido o meu coração, †
minhas forças estão me deixando, *
e sem luz os meus olhos se apagam.

=12 Companheiros e amigos se afastam, †
fogem longe das minhas feridas; *
meus parentes mantêm-se à distância.

13 Armam laços os meus inimigos, *
que procuram tirar minha vida;
– os que buscam matar-me ameaçam *
e maquinam traições todo o dia.

Ant. Conheceis meu desejo, Senhor.

Ant. 3 Confesso, Senhor, minha culpa:
salvai-me, e jamais me deixeis!

III

14 Eu me faço de surdo e não ouço, *
eu me faço de mudo e não falo;
15 semelhante a alguém que não ouve *
e não tem a resposta em sua boca.

16 Mas, em vós, ó Senhor, eu confio, *
e ouvireis meu lamento, ó meu Deus!
17 Pois rezei: “Que não zombem de mim, *
nem se riam, se os pés me vacilam!”

18 Ó Senhor, estou quase caindo, *
minha dor não me larga um momento!
19 Sim, confesso, Senhor, minha culpa: *
meu pecado me aflige e atormenta.

=20 São bem fortes os meus adversários †
que me vêm atacar sem razão; *
quantos  que sem causa me odeiam!
21 Eles pagam o bem com o mal, *
porque busco o bem, me perseguem.

22 Não deixeis vosso servo sozinho, *
ó meu Deus, ficai perto de mim!
23 Vinde logo trazer-me socorro, *
porque sois para mim Salvação!

Ant. Confesso, Senhor, minha culpa:
salvai-me, e jamais me deixeis!

V. Os meus olhos se gastaram de esperar-vos
R. E de aguardar vossa justiça e salvação.

Primeira leitura

Do Livro da Sabedoria                 8,1-21

A Sabedoria deve ser pedida a Deus

1 A Sabedoria se estende com vigor

de uma extremidade à outra da terra

e com suavidade governa todas as coisas.

2 Eu a amei e desejei desde a juventude

e pretendi tomá-la como esposa,

apaixonado pela sua beleza.

3 A sua convivência com Deus realça a sua nobre origem,

pois o Senhor de todas as coisas a amou.

4 Iniciada na própria ciência de Deus

é ela quem seleciona as suas obras.

5 Se a riqueza é um bem desejável na vida,

que há de mais rico que a Sabedoria, que faz todas as coisas?

6 E se é a inteligência que opera,

quem mais que a Sabedoria é artífice do que existe?

7 E se alguém ama a justiça,

saiba que as virtudes são seus frutos:

ela ensina a temperança e a prudência,

a justiça e a fortaleza

que são os bens mais úteis na vida dos homens.

8 Se alguém deseja uma vasta experiência,

ela conhece o passado e adivinha o futuro,

conhece a sutileza das palavras e resolve os enigmas,

prevê sinais e prodígios

e os acontecimentos das épocas e dos tempos.

9 Decidi, pois, tomá-la por companheira de minha vida,

sabendo que me seria conselheira para o bem

e conforto nas preocupações e na tristeza.

10 Por causa dela serei louvado pelas multidões,

mesmo sendo jovem, serei honrado pelos anciãos;

11 nos julgamentos reconhecerão minha perspicácia

e provocarei a admiração dos poderosos.

12 Se eu me calar, ficarão esperando que eu fale,

e se eu falar, hão de prestar atenção,

e, se prolongar minhas palavras,

colocarão a mão sobre a boca.

13 Por causa dela alcançarei a imortalidade

e deixarei lembrança eterna à minha posteridade.

14 Governarei os povos e dominarei as nações;

15 ao ouvir o meu nome, reis terríveis se assustarão;

mostrar-me-ei bom com o povo, e valente na guerra.

16 De volta para casa, descansarei ao seu lado,

porque sua companhia não traz amargura,

sua intimidade não traz aflição,

mas sim alegria e contentamento.

17 Meditando estas coisas comigo mesmo,

e considerando em meu coração

que a imortalidade está no parentesco com a Sabedoria,

18 e que na sua amizade existe alegria perfeita,

e riqueza inesgotável no trabalho de suas mãos,

e inteligência, na assiduidade da sua companhia,

e, na participação de suas palavras, celebridade,

eu ia por toda parte

procurando conquistá-la para mim.

19 Fui criança bem dotada

e tinha ganho o quinhão de uma alma boa;

20 ou, melhor, como eu era bom,

vim a um corpo sem mancha.

21 Sabendo, porém, que só poderia obter a Sabedoria,

se Deus me concedesse

– e já era sinal de inteligência

saber a origem desta graça –

dirigi-me ao Senhor e rezei.

Responsório Sb 7,7.8a; Tg 1,5

R. Pedi e foi-me dada inteligência,
* Roguei e recebi sabedoria;
aos tronos e ao poder a preferi.
V. Se alguém de vós não tem sabedoria,
peça a Deus que a dá a todos com largueza. * Roguei.


Segunda leitura

Das Obras de Balduíno de Cantuária, bispo

(Tract.6:PL204,451-453)       (Séc.XII)

A palavra de Deus é viva e eficaz

A palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes (Hb 4,12). Quão grande seja o poder e quanta sabedoria na palavra de Deus, estas palavras o demonstram aos que buscam a Cristo, que é o verbo, poder e sabedoria de Deus. Coeterno com o Pai no princípio, este verbo no tempo determinado revelou-se aos apóstolos e, por eles anunciado, foi humildemente recebido na fé pelos povos que creem. Está, portanto, o verbo no Pai, o verbo nos lábios, o verbo no coração.  

Esta palavra de Deus é viva; o Pai deu-lhe ter a vida em si mesmo, do mesmo modo como tem ele a vida em si mesmo. Por isto é não apenas viva, mas a vida, conforme ele disse a seu respeito: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). Sendo a vida, é vivo de forma a ser vivificante. Pois, como o Pai ressuscita os mortos e vivifica-os, também o Filho vivifica a quem quer (Jo 5,21). É vivificante ao chamar o morto do sepulcro: Lázaro, vem para fora (Jo 11,42).  

Quando esta palavra é pregada pela voz do pregador que se escuta no exterior, ele dá a esta voz a palavra de poder, percebida interiormente. Por ela, os mortos revivem e com seus louvores são suscitados filhos de Abraão. É, portanto, viva esta palavra no coração do Pai, viva na boca do pregador, viva no coração daquele que crê e ama. Sendo assim viva, não há dúvida de ser também eficaz.  

É eficaz na criação das coisas, eficaz no governo do mundo, eficaz na redenção do universo. Que de mais eficaz, de mais poderoso? Quem dirá seus portentos, fará ouvir todo o seu louvor? (Sl 105,2). É eficaz ao agir, eficaz ao ser anunciada. Pois não volta vazia, mas tem êxito em tudo a quanto é enviada.  

Eficaz e mais penetrante do que a espada de dois gumes (Hb 4,12), quando é crida e amada. O que será impossível a quem crê, ou difícil a quem ama? Quando este verbo fala, suas palavras transpassam o coração quais setas agudas do poderoso. Como pregos profundamente cravados, entram e penetram até o mais íntimo. Porque é mais aguda do que a espada de dois gumes esta palavra, já que é mais poderosa do que toda a força e poder para abrir, e mais sutil do que a maior argúcia do engenho humano. Mais que toda sabedoria humana e a sutileza das palavras doutas, é ela penetrante.

Responsório Eclo 1,5.16a

R. A fonte da sabedoria é a Palavra de Deus nas alturas;
* Os preceitos eternos de Deus
são a estrada em que ela caminha.
V. O princípio da sabedoria é viver no temor do Senhor.
* Os preceitos.

Oração

Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

Categorias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *