Ofício das Leituras de Quinta-feira da 23ª Semana do Tempo Comum

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V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

A noite escura apaga
da treva toda a cor.
Juiz dos corações,
a vós nosso louvor.

E para que das culpas
lavemos nossa mente,
ó Cristo, dai a graça
que os crimes afugente.

A nós, que vos buscamos,
tirai do mal escuro.
Já dorme a mente ímpia
que o fruto morde impuro.

As trevas expulsai
do nosso interior.
Felizes exultemos
à luz do vosso amor.

A vós, ó Cristo, a glória
e a vós, ó Pai, também,
com vosso Santo Espírito
agora e sempre. Amém.

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

Cristo, aos servos suplicantes
voltai hoje vosso olhar.
Entre as trevas deste mundo
nossa fé fazei brilhar.

Não pensemos em maldades,
não lesemos a ninguém,
nem o mal retribuamos,
mas paguemos mal com bem.

Iras, fraudes, nem soberba
haja em nossos corações.
Defendei-nos da avareza,
que é raiz de divisões.

Guarde todos nós na paz
a sincera caridade.
Seja casta a nossa vida,
em total fidelidade.

A vós, Cristo, Rei clemente,
e a Deus Pai, Eterno Bem,
com o vosso Santo Espírito,
honra e glória sempre. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Olhai e vede, ó Senhor, a humilhação do vosso povo!

Salmo 88(89),39-53

Lamentação sobre a ruína da casa de Davi

Fez aparecer para nós uma força de salvação na casa de Davi (Lc 1,69).

IV

39 E no entanto vós, Senhor, repudiastes vosso Ungido, *
gravemente vos irastes contra ele e o rejeitastes!
40 Desprezastes a Aliança com o vosso servidor, *
profanastes sua coroa, atirando-a pelo chão!

41 Derrubastes, destruístes os seus muros totalmente, *
e as suas fortalezas reduzistes a ruínas.
42 Os que passam no caminho sem piedade o saquearam *
e tornou-se uma vergonha para os povos, seus vizinhos.

43 Aumentastes o poder da mão direita do agressor, *
e exultaram de alegria os inimigos e opressores.
44 Vós fizestes sua espada ficar cega, sem ter corte, *
não quisestes sustentá-lo quando estava no combate.

45 O seu cetro glorioso arrancastes de sua mão, *
derrubastes pelo chão o seu trono esplendoroso,
46 e de sua juventude a duração abreviastes, *
recobrindo sua pessoa de vergonha e confusão.

Ant. Olhai e vede, ó Senhor, a humilhação do vosso povo!

Ant. 2 Sou o rebento da estirpe de Davi,
sou a estrela fulgurante da manhã.

V

47 Até quando, Senhor Deus, ficareis sempre escondido?*
Arde a vossa ira como fogo eternamente?
48 Recordai-vos, ó Senhor, de como é breve a minha vida,*
e de como é perecível todo homem que criastes!
49 Quem acaso viverá sem provar jamais a morte, *
e quem pode arrebatar a sua vida dos abismos?

50 Onde es, ó Senhor Deus, vosso amor de antigamente?*
Não jurastes a Davi fidelidade para sempre?
51 Recordai-vos, ó Senhor, da humilhação dos vossos servos, *
pois carrego no meu peito os ultrajes das nações;

52 com os quais sou insultado pelos vossos inimigos, *
com os quais eles ultrajam vosso Ungido a cada passo!
53 O Senhor seja bendito desde agora e para sempre! *
Bendito seja o Senhor Deus, eternamente! Amém, amém!

Ant. Sou o rebento da estirpe de Davi,
sou a estrela fulgurante da manhã.

Ant. 3 Os nossos dias vão murchando como a erva;
vós, Senhor, sois desde sempre e para sempre.

Salmo 89(90)

O esplendor do Senhor esteja sobre nós

Para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia (2Pd 3,8).

1 Vós fostes um regio para nós, *
ó Senhor, de geração em geração.
=2 Já bem antes que as montanhas fossem feitas †
ou a terra e o mundo se formassem, *
desde sempre e para sempre vós sois Deus.

3 Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, *
quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!”
4 Pois mil anos para vós são como ontem, *
qual vilia de uma noite que passou.

5 Eles passam como o sono da manhã, *
6 são iguais à erva verde pelos campos:
– De manhã ela floresce vicejante, *
mas à tarde é cortada e logo seca.

7 Por vossa ira perecemos realmente, *
vosso furor nos apavora e faz tremer;
8 pusestes nossa culpa à nossa frente, *
nossos segredos ao clarão de vossa face.

9 Em vossa ira se consomem nossos dias, *
como um sopro se acabam nossos anos.
10 Pode durar setenta anos nossa vida, *
os mais fortes talvez cheguem a oitenta;
– a maior parte é ilusão e sofrimento: *
passam depressa e também nós assim passamos.

11 Quem avalia o poder de vossa ira, *
o respeito e o temor que mereceis?
12 Ensinai-nos a contar os nossos dias, *
e dai ao nosso coração sabedoria!

13 Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? *
Tende piedade e compaixão de vossos servos!
14 Saciai-nos de manhã com vosso amor, *
e exultaremos de alegria todo o dia!

15 Alegrai-nos pelos dias que sofremos, *
pelos anos que passamos na desgraça!
16 Manifestai a vossa obra a vossos servos, *
e a seus filhos revelai a vossa glória!

17 Que a bondade do Senhor e nosso Deus *
repouse sobre nós e nos conduza!
– Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho, *
fazei dar frutos o labor de nossas mãos!

Ant. Os nossos dias vão murchando como a erva;
vós, Senhor, sois desde sempre e para sempre.

V. Em vós está a fonte da vida,

R. E em vossa luz contemplamos a luz.

Primeira leitura

Início do Livro das Lamentações                 1,1-12.18-20

Desolação de Jerusalém

1 Como ficou deserta
uma cidade tão populosa!
Está como viúva
a senhora das nações;
a princesa das províncias
tem de sujeitar-se ao tributo.
2 À noite geme e chora
e as lágrimas lhe descem pelo rosto;
não há quem a console
dentre os entes queridos:
todos os amigos a desprezaram
e se tornaram seus inimigos.
3 Judá teve de emigrar, por causa
de tantos sofrimentos na servidão;
vive entre nações,
mas não encontra paz:
todos os seus perseguidores
lhe causam aflições.
4 Choram os caminhos de Sião,
porque não há quem venha às suas festas;
destruídas estão suas portas,
os sacerdotes soluçam,
as moças estão tristes,
e ela, coberta de amargura.
5 Seus inimigos tornaram-se senhores,
seus adversários vivem tranquilos,
porque o Senhor a puniu,
em razão de seus muitos crimes;
as crianças, feitas escravas,
são conduzidas diante do perseguidor.
6 Desapareceu da cidade de Sião
toda a sua beleza;
seus príncipes, como cervos
à míngua de pastagens,
fugiram sem forças
diante do caçador.
7 Em dias de aflição e vida errante,
Jerusalém lembra
todas aquelas delícias
que teve em tempos passados;
depois o povo caiu nas mãos do inimigo,
sem que ninguém o socorresse;
os inimigos olham para ela
e riem-se do seu desastre.
8 Jerusalém cometeu um pecado,
por isso tornou-se repugnante;
todos os que a glorificavam
hoje a desprezam,
sabendo de sua infâmia,
enquanto ela geme,
voltando-se para trás.
9 A marca do luto está na orla do vestido,
ela não podia prever este fim;
ficou grandemente abatida
e não teve um arrimo consolador.
“Vê, Senhor, a minha angústia
e o tripúdio do inimigo!”
10 O inimigo apropriou-se
de tudo que ela possuía de precioso,
ela viu estrangeiros
entrarem no santuário,
os que tu havias proibido
de entrarem em tua assembleia.
11 Geme todo o povo da cidade
à procura de pão;
por alimento dão joias e tudo
para se manterem vivos.
“Vê, Senhor, olha
como estou acabrunhada!
12 Ó vós todos que passais pelo caminho,
parai um instante e vede
se há dor igual à minha dor,
que o Senhor me reservou
e com que me aflige
no dia de sua indignação.
18 O Senhor é justo,
eu é que me rebelei contra a sua palavra.
Ouvi, povos todos, eu vos peço,
e vede a minha dor:
minhas filhas e meus filhos
foram levados em cativeiro.
19 Chamei os meus amigos
e eles decepcionaram-me;
os sacerdotes e os anciãos
ao procurar um pouco de alimento
para matar a fome.
20 Vê, Senhor, como estou sofrendo;
fervem minhas entranhas,
o meu coração sofre convulsões,
sinto que fui muito rebelde;
perdi filhos em guerras externas,
e aqui dentro campeia a morte”.

Responsório Cf. Jó 16,16; cf. Lm 1,16b.18b

R. Escureceram-se meus olhos pelo pranto,
pois quem me consolava se afastou.
Olhai, todos os povos, e observai,
* Se há dor semelhante à minha dor.
V. Ó vós todos, que passais pelo caminho,
olhai com atenção e contemplai. * Se há dor.

Segunda leitura

Do Comentário sobre os Salmos, de São Bruno, presbítero

(Ps 83:edit.CartusiaedePratis,1891,376-377)                 (Séc.XI)

Se me esquecer de ti, Jerusalém

Quão diletos são teus tabernáculos! Minha alma anseia por chegar aos átrios do Senhor (Sl 83,2 Vulg.), à amplidão da celeste Jerusalém, à cidade do Senhor. 

Mostra o salmista por que tanto aspira pelos átrios do Senhor. É por isto, ó Senhor, que és Deus dos exércitos celestes, meu rei e meu Deus, é porque felizes são os que habitam em tua casa (Sl 83,5), na Jerusalém celeste. Como se dissesse: Quem não desejaria com ardor chegar a teus átrios, se és Deus, o Criador, Senhor dos exércitos e rei, e se todos são felizes, os que habitam em tua casa? Átrios e casa têm aqui o mesmo sentido. Por dizer felizes, indica que terão tanta beatitude quanto se possa imaginar. E vê-se também serem felizes porque te louvarão por um amor de entrega pelos séculos dos séculos (cf. Sl 83,5), isto é, eternamente. Pois não louvariam eternamente a não ser que eternamente fossem felizes. 

Ninguém por suas forças pode alcançar esta beatitude, mesmo que tenha fé, esperança e amor. Mas feliz é aquele homem, quer dizer, unicamente chega a esta felicidade aquele cujo auxílio vem de ti (Sl 83,6) para as ascensões da beatitude propostas em seu coração. Vale dizer: Só se pode afirmar que chegará à beatitude quem, tendo preparado o coração para elevar-se a esta felicidade por muitas ascensões de virtudes e de boas obras, recebe auxílio de tua graça. 

Por si mesmo ninguém se eleva. O Senhor mesmo o atesta: Ninguém subiu ao céu, por si mesmo, a não ser o Filho do homem que está no céu (Jo 3,13). 

Digo que preparou ascensões por estar no vale de lágrimas (Sl 83,6.7 Vulg.), nesta vida, humilde e cheia de lágrimas das tribulações, em comparação com a outra vida, chamada monte e repleta de alegrias. 

Por ter dito feliz o homem cujo auxílio vem de ti, poderá alguém perguntar: Acaso Deus auxiliará para isto? A resposta será: Verdadeiramente o auxílio para os felizes vem de Deus. Porque o legislador, Cristo, que nos deu a lei, dá e dará continuamente as bênçãos, os múltiplos dons da graça com que abençoa os seus, quer dizer, erguerá até à beatitude. Por estas bênçãos irão de virtude em virtude, subindo sempre. E no futuro, na Sião celeste, ver-se-á Cristo. Deus dos deuses, aquele que, por ser Deus, deifica os seus. Ou, sendo eles Sião, ali se verá espiritualmente o Deus dos deuses, o Deus Trindade. É o mesmo que dizer: Pela inteligência verão em si a Deus que aqui não pode ser visto, porque Deus será tudo em todos (cf. 1Cor 15,28).

Responsório 1Jo 3,2-3

R. Irmãos, desde já somos filhos de Deus
e ainda não se mostrou o que havemos de ser.
* Sabemos que, quando se manifestar Jesus, o Senhor,
nós havemos de ser semelhantes a ele,
porque o veremos tal qual ele é.
V. Todo aquele que vive com esta esperança,
fica purificado, como ele é puro. * Sabemos.

Oração

Ó Deus, pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

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