Ofício das Leituras de 21 de Dezembro

V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

Oh vinde depressa,
do seio da virgem,
Beleza dos céus!
O mundo admire:
um tal nascimento
é digno de Deus.

Não germe de homem,
mas sopro divino
no seio o gerou.
O verbo de Deus
se fez nossa carne,
o ventre deu flor.

A vida já cresce
no seio da Virgem
que guarda a pureza.
Deus mora em seu templo
e brilha a virtude
em toda a grandeza.

Que venha o herói
que é homem e é Deus,
do quarto nupcial,
correr glorioso
seu nobre caminho,
a trilha real.

Igual a Deus Pai,
reveste dos homens
a carne, a fraqueza,
e, desta maneira,
nos dá a virtude,
de Deus fortaleza.

Já brilha o presépio,
e um novo esplendor
a noite nos traz.
Que fujam as trevas,
a fé resplandeça
e reine a paz.

A vós, Rei piedoso,
e ao Pai que nos ama,
a glória convém.
Com vosso Espírito
reinais sobre o mundo
nos séculos. Amém. 

Salmodia

Ant. 1 Ó Senhor, chegue até vós o meu clamor,
não me oculteis a vossa face em minha dor!

Salmo 101(102)

Anseios e preces de um exilado

Bendito seja Deus que nos consola em todas as nossas aflições! (2Cor 1,4).

I

2 Ouvi, Senhor, e escutai minha oração, *
chegue até vós o meu clamor!
3 De mim não oculteis a vossa face *
no dia em que estou angustiado!
– Inclinai o vosso ouvido para mim, *
ao invocar-vos atendei-me sem demora!

4 Como fumaça se desfazem os meus dias, *
estão queimando como brasas os meus ossos.
5 Meu coração se tornou seco igual à erva, *
até esqueço de tomar meu alimento.
6 À força de gemer e lamentar, *
tornei-me tão-somente pele e osso.

7 Eu pareço um pelicano no deserto, *
sou igual a uma coruja entre ruínas.
8 Perdi o sono e passo a noite a suspirar *
como a ave solitária no telhado.
9 Meus inimigos me insultam todo o dia, *
enfurecidos lançam pragas contra mim.

10 É cinza em vez de pão minha comida, *
minha bebida eu misturo com as lágrimas.
11 Em vossa indignação, em vossa ira *
me exaltastes, mas depois me rejeitastes;
12 os meus dias como sombras vão passando, *
e aos poucos vou murchando como a erva.

Ant. Ó Senhor, chegue até vós o meu clamor,
não me oculteis a vossa face em minha dor!

Ant. 2 Ouvi, Senhor, a oração dos oprimidos!

II

13 Mas vós, Senhor, permaneceis eternamente, *
de geração em geração sereis lembrado!
14 Levantai-vos, tende pena de Sião, *
já é tempo de mostrar misericórdia!
15 Pois vossos servos têm amor aos seus escombros *
sentem compaixão de sua ruína.

16 As nações respeitarão o vosso nome, *
e os reis de toda a terra, a vossa glória;
17 quando o Senhor reconstruir Jerusalém *
e aparecer com gloriosa majestade,
18 ele ouvi a oração dos oprimidos *
não desprezará a sua prece.

19 Para as futuras gerações se escreva isto, *
e um povo novo a ser criado louve a Deus.
20 Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, *
e o Senhor olhou a terra do alto céu,
21 para os gemidos dos cativos escutar *
e da morte libertar os condenados.

22 Para que cantem o seu nome em Sião *
louve ao Senhor Jerusalém,
23 quando os povos e as nações se reunirem *
todos os impérios o servirem.

Ant. Ouvi, Senhor, a oração dos oprimidos!

Ant. 3 A terra, no prinpio, vós criastes,
e os céus, por vossas mãos, foram criados.

III

24 Ele abateu as minhas forças no caminho *
e encurtou a duração da minha vida.
= Agora eu vos suplico, ó meu Deus; †
25 não me leveis já na metade dos meus dias, *
vós, cujos anos são eternos, ó Senhor!

26 A terra no princípio vós criastes, *
por vossas mãos também os céus foram criados;
27 eles perecem, vós porém permaneceis; *
como veste os mudais e todos passam;
– ficam velhos todos eles como roupa, *
28 mas vossos anos não têm fim, sois sempre o mesmo!

=29 Assim também a geração dos vossos servos †
terá casa e viverá em segurança, *
e ante vós se firmará sua descendência.

Ant. terra, no prinpio, vós criastes,
e os céus, por vossas mãos, foram criados.

V. Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo.
R. Mostrai-nos vossa face e nos salvai!

Primeira leitura

Do Livro do Profeta Isaías 48,12-21; 49,9b-13

O novo Êxodo

Eis o que diz o Senhor:
48,12 
“Ouve-me, Jacó,
ouve-me, Israel, a quem eu chamei;
eu, eu sou o primeiro
e eu sou o último.
13
 Minha mão firmou a terra
e minha direita estendeu os céus;
eu os chamo, e eles se apresentam.
14 
Reuni-vos todos e ouvi:

quem dentre estranhos anunciou estas coisas?
O Senhor amou esse homem;
realizará com ele sua vontade na Babilônia
e desfechará a força do seu braço nos caldeus.
15 
Eu, eu falei e o chamei;
eu o conduzi, e seu caminho foi vitorioso.
16 
Aproximai-vos e ouvi isto:
desde o princípio não falei às escondidas,
eu estava presente aos fatos
antes que acontecessem;
e agora, diz aquele homem,
o Senhor Deus me enviou com o seu espírito”.
17 
Isto diz o Senhor, o teu libertador,
o Santo de Israel:
“Eu, o Senhor teu Deus, te ensino coisas úteis,
te conduzo pelo caminho em que andas.
18
 Ah, se tivesses observado os meus mandamentos!
Tua paz teria sido como um rio
e a tua justiça como as ondas do mar;
19 
tua descendência seria como a areia do mar
e os filhos do teu ventre como os grãos de areia;
este nome não teria desaparecido
nem teria sido cancelado de minha presença.
20 
Deixai Babilônia, fugi dos caldeus:
proclamai isto com gritos de alegria;
fazei-vos ouvir até às extremidades da terra,
dizei: ‘O Senhor resgatou seu servo Jacó’.
21 
Não sofreram sede,
quando os guiou pelo deserto;
para eles tirou água das pedras,
pois, ao rachar a pedra, as águas correram.
49,9b
 Alimentam-se pelas estradas
e até nas colinas estéreis se abastecem;
10 
não sentem fome nem sede,
não os castiga nem o calor nem o sol,
porque o seu protetor toma conta deles

e os conduz às fontes d’água.
11 
Farei de todos os montes uma estrada
e os meus caminhos serão nivelados.
12
 Eis que estão vindo de longe,
uns chegam do Norte e do lado do mar,
e outros, da terra de Sinim”.
13 
Louvai, ó céus, alegra-te, terra;
montanhas, fazei ressoar o louvor,
porque o Senhor consola o seu povo
e se compadece dos pobres.

Responsório Cf. Is 49,13; Sl 71(72),7

R. Cantai, ó us, e exulte a terra,
gritai, ó montes, de alegria:
o próprio Deus virá a nós,
* O Senhor se compadece de seu povo, dos aflitos.
V. Nos seus dias a justiça flori
e grande paz até que a lua perca o brilho. * O Senhor.

Segunda leitura

Da Exposição sobre o Evangelho de São Lucas, de Santo Ambrósio, bispo
(Lib. 2, 19. 22-23. 26-27: CCL 14, 39-42) (Séc. IV)

A visitação da Virgem Maria

O Anjo anunciara à Virgem Maria coisas misteriosas. Para fortalecer sua fé com um exemplo, anunciou-lhe a maternidade de uma mulher idosa e estéril, como prova de que é possível a Deus tudo que ele quer.

Logo ao ouvir a notícia, Maria dirigiu-se às montanhas, não por falta de fé na profecia ou falta de confiança na mensagem, nem por duvidar do exemplo dado, mas guiada pela felicidade de ver cumprida a promessa, levada pela vontade de prestar um serviço, movida pelo impulso interior de sua alegria.

Já plena de Deus, aonde ir depressa senão às alturas? A graça do Espírito Santo ignora a lentidão. Manifestam-se imediatamente os benefícios da chegada de Maria e da presença do Senhor, pois quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança exultou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo (Lc 1,41).

Notai como cada palavra está escolhida com perfeita precisão e propriedade: Isabel foi a primeira a ouvir a voz, mas João foi o primeiro a pressentir a graça; aquela ouviu segundo a ordem da natureza, este exultou em virtude do mistério. Ela percebeu a chegada de Maria, ele, a do Senhor; a mulher ouviu a voz da mulher, o menino sentiu a presença do Filho; elas proclamam a graça de Deus, eles realizam-na interiormente, iniciando no seio de suas mães o mistério de misericórdia; e, por um duplo milagre, as mães profetizam sob a inspiração de seus filhos.

A criança exultou, a mãe ficou cheia do Espírito Santo. A mãe não se antecipou ao filho; mas estando o filho cheio do Espírito Santo, comunicou-o a sua mãe. João exultou; o espírito de Maria também exultou. A alegria de João se comunica a Isabel; quanto a Maria, porém, não nos é dito que recebesse então o Espírito, mas que seu espírito exultou. – Aquele que é incompreensível agia em sua mãe de modo incompreensível – Isabel recebe o Espírito Santo depois de conceber; Maria recebeu antes. Por isso, Isabel diz a Maria: Feliz és tu que acreditaste (cf. Lc 1,45).

Felizes sois também vós, que ouvistes e acreditastes, pois toda alma que possui a fé concebe e dá à luz a Palavra de Deus e conhece suas obras.

Esteja em cada um de vós a alma de Maria para engrandecer o Senhor: em cada um esteja o espírito de Maria para exultar em Deus. Embora segundo a natureza haja uma só Mãe do Cristo, segundo a fé o Cristo é o fruto de todos; pois toda alma recebe o Verbo de Deus desde que, sem mancha e libertada do pecado, guarda a castidade com inteira pureza.

Toda alma que alcança esta perfeição, engrandece o Senhor como a alma de Maria o engrandeceu e seu espírito exultou em Deus, seu Salvador.

Na verdade, o Senhor é engrandecido, como lemos noutro lugar: Comigo engrandecei ao Senhor Deus (Sl 33,4). Não que a palavra humana possa acrescentar algo ao Senhor, mas porque ele é engrandecido em nós: a imagem de Deus é o Cristo e assim, quando alguém age com piedade e justiça, engrandece essa imagem de Deus, a cuja semelhança foi criado; e, engrandecendo-a, participa cada vez mais da grandeza divina.

Responsório Lc 1,45.46; Sl 65(66),16

R. És feliz porque creste, Maria
pois, em ti, a Palavra de Deus
vai cumprir-se conforme ele disse.
* A minh’alma engrandece o Senhor!
V. Todos vós, que a Deus temeis, vinde escutar:
vou contar-vos todo o bem que ele me fez.
*A minh’alma.

Oração

Ouvi com bondade, ó Deus, as preces do vosso povo, para que, alegrando-nos hoje com a vinda do vosso Filho em nossa carne, alcancemos o prêmio da vida eterna, quando ele vier na sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

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