Ofício das Leituras da Memória de São Pio X, papa


V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:

Reinais no mundo inteiro,
Jesus, ó sol divino;
deixamos nossos leitos,
cantando este hino.

Da noite na quietude,

Ao som da voz do galo,
já foge a noite escura.
Ó Deus, ó luz da aurora,
nossa alma vos procura.

Enquanto as coisas dormem,
guardai-nos vigilantes,
brilhai aos nossos olhos
qual chama cintilante.

Do sono já despertos,
por graça imerecida,
de novo contemplamos
a luz, irmã da vida.

Ao Pai e ao Filho glória,
ao seu Amor também,
Deus Trino e Uno, luz
e vida eterna. Amém.

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

Criador do Universo
do Pai luz e resplendor,
revelai-nos vossa face
e livrai-nos do pavor.

Pelo Espírito repletos,
templos vivos do Senhor,
não se rendam nossas almas
aos ardis do tentador,

para que, durante a vida,
nas ações de cada dia,
pratiquemos vossa lei
com amor e alegria.

Glória a Cristo, Rei clemente,
e a Deus Pai, Eterno Bem,
com o Espírito Paráclito,
pelos séculos. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Ó meu Deus, escutai minha prece,
ao clamor do inimigo estremeço!

Salmo 54(55),2-15.17-24

Oração depois da traição de um amigo

Jesus começou a sentir medo e angústia (Mc 14,33)

I

–2 Ó meu Deus, escutai minha prece, *
não fujais desta minha oração!
–3 Dignai-vos me ouvir, respondei-me: *
a angústia me faz delirar!

–4 Ao clamor do inimigo estremeço, *
e ao grito dos ímpios eu tremo.
– Sobre mim muitos males derramam, *
contra mim furiosos investem.

–5 Meu coração dentro em mim se angustia, *
e os terrores da morte me abatem;
–6 o temor e o tremor me penetram, *
o pavor me envolve e deprime!

=7 É por isso que eu digo na angústia: †
Quem me dera ter asas de pomba *
e voar para achar um descanso!
–8 Fugiria, então, para longe, *
e me iria esconder no deserto.

Ant. Ó meu Deus, escutai minha prece,
ao clamor do inimigo estremeço!

Ant. 2 O Senhor haverá de libertar-nos
da mão do inimigo traiçoeiro.

II

– 9 Acharia depressa um refúgio *
contra o vento, a procela, o tufão.
=10 Ó Senhor, confundi as más línguas; †
dispersai-as, porque na cidade *
só se vê violência e discórdia!

=11 Dia e noite circundam seus muros, †
12 dentro dela há maldades e crimes, *
a injustiça, a opressão moram nela!
– Violência, imposturas e fraudes *
já não deixam suas ruas e praças.

–13 Se o inimigo viesse insultar-me, *
poderia aceitar certamente;
– se contra mim investisse o inimigo, *
poderia, talvez, esconder-me.

–14 Mas és tu, companheiro e amigo, *
tu, meu íntimo e meu familiar,
–15 com quem tive agradável convívio *
com o povo, indo à casa de Deus!

Ant. O Senhor haverá de libertar-nos
da mão do inimigo traiçoeiro.

Ant. 3 Lança sobre o Senhor teus cuidados,
porque ele há de ser teu sustento.

III

–17 Eu, porém, clamo a Deus em meu pranto, *
e o Senhor me haverá de salvar!
–18 Desde a tarde, à manhã, ao meio-dia, *
faço ouvir meu lamento e gemido.

–19 O Senhor há de ouvir minha voz, *
libertando a minh’alma na paz,
– derrotando os meus agressores, *
porque muitos estão contra mim!

–20 Deus me ouve e haverá de humilhá-los, *
porque é Rei e Senhor desde sempre.
– Para os ímpios não há conversão, *
pois não temem a Deus, o Senhor.

–21 Erguem a mão contra os próprios amigos, *
violando os seus compromissos;
–22 sua boca está cheia de unção, *
mas o seu coração traz a guerra;
– suas palavras mais brandas que o óleo, *
na verdade, porém, são punhais.

–23 Lança sobre o Senhor teus cuidados, *
porque ele há de ser teu sustento,
– e jamais ele irá permitir *
que o justo para sempre vacile!

–24 Vós, porém, ó Senhor, os lançais *
no abismo e na cova da morte.
– Assassinos e homens de fraude *
não verão a metade da vida.
– Quanto a mim, ó Senhor, ao contrário: *
ponho em vós toda a minha esperança!

Ant. Lança sobre o Senhor teus cuidados,
porque ele há de ser teu sustento.

V. Ó meu filho, fica atento ao meu saber,
R. Presta ouvidos à minha inteligência!

Primeira leitura

Do Livro do Profeta Isaías             30,1-18

Inutilidade das alianças feitas com povos estrangeiros

1 “Ai dos rebeldes, – diz o Senhor –

não contais comigo em vossos planos,

não vos inspirais em mim para fazerdes alianças,

acumulando pecado sobre pecado!

2 Tendes-vos posto a caminho do Egito

mas não me consultastes,

esperando ajuda na força do faraó

e confiando mais na sombra do Egito.

3 Mas a força do faraó será vossa confusão

e a confiança na sombra do Egito será vossa vergonha.

4 Pois, quando os teus príncipes estiverem em Tani

e os teus embaixadores chegarem a Hanes,

5 todos estarão frustrados

devido a um povo que não lhes pode servir;

não será de ajuda e utilidade,

mas de confusão e vergonha”.

6 Oráculo dos animais de Negueb.

Na terra de aflições e angústias,

da leoa e do leão rugidor,

da víbora e do dragão voador,

ei-los carregando suas riquezas no dorso dos animais

e seus tesouros na corcova dos camelos

para um povo que não lhes pode ser útil.

7 Pois o Egito não ajuda de modo algum,

por isso o chamei Raab, a ociosa.

8 Agora vem, escreve sobre a tabuinha na presença deles

e redige isto com cuidado no livro,

para servir, no futuro, de depoimento para sempre.

9 O povo é rebelde,

são maus filhos,

filhos que não querem saber da lei do Senhor.

10 Dizem aos que vêem: “Isto não é para ver”

e aos que profetizam:

“Não nos indiqueis as coisas justas,

falai coisas agradáveis, mostrai-nos coisas alegres.

11 Deixai o nosso caminho, afastai-vos dele,

retirai de nossa frente o Santo de Israel”.

12 Por isso, diz o Santo de Israel:

“Por terdes rejeitado essas palavras

e posto a esperança na maldade e na falsidade,

apoiando-vos sobre elas,

13 por isso, tal iniqüidade será para vós

como uma brecha que está para fazer cair

a parte saliente de um muro alto,

cuja queda súbita, quando não se espera,

acontece de improviso;

14 como se faz em pedaços uma vasilha de barro,

que se quebra com pancada violenta,

de modo a não deixar entre os cacos um só

em que caiba uma brasa da fogueira

ou um pouco d’água do poço”.

15 Isto disse ainda o Senhor Deus, o Santo de Israel:

“Sereis salvos, se buscardes a salvação e a paz,

no silêncio e na esperança estará a vossa força”.

Mas recusastes

16 e dissestes:

“De modo algum, vamos fugir a cavalo”,

por isso fugireis;

e também: “Vamos montar cavalos velozes”,

por isso serão velozes os vossos perseguidores.

17 Pela ameaça de um só, mil se apavoram,

e a ameaça de cinco vos põe todos a correr,

até ficardes como um mastro na ponta do morro

e uma bandeirola no alto da colina.

18 Por isso o Senhor está pronto

a compadecer-se de vós,

e, perdoando-vos, será glorificado

na medida em que o Senhor é um Deus de justiça:

felizes todos aqueles que esperam nele.

Responsório Is 30,15b.18ad

R. É na calma e conversão que está a vossa salvação.
* É no silêncio e na esperança,que reside a vossa força.
V. O Senhor está à espera, desejando perdoar-vo.
* As montanhas.

Segunda leitura

Da Constituição Apostólica Divino aflatu, de São Pio X, papa

(AAS3[1911],633-635)            (Séc.XX)

A voz da Igreja que canta suavemente

Compostos por divina inspiração, os salmos colecionados na Sagrada Escritura foram desde os inícios da Igreja empregados, como se sabe, não apenas para alimentar maravilhosamente a piedade dos fiéis que ofereciam sempre a Deus o sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que louvam seu nome (cf. Hb 13,15; Os 14,3); mas também, como já era costume na antiga Lei, para ocupar lugar eminente na sagrada liturgia e no ofício divino. Daí nasceu, na expressão de Basílio, “a voz da Igreja” e a salmodia. Salmodia que é “filha de sua hino dia, que sempre a Igreja canta diante do trono de Deus e do Cordeiro”, como expõe nosso predecessor Urbano VI. Assim a Igreja ensina aos homens particularmente devotados ao culto divino, conforme as palavras de Atanásio, “de que modo se deve louvar o Senhor e com que palavras dignamente” confessá-lo. A este respeito disse muito bem Agostinho:“Para ser bem louvado pelo homem, Deus mesmo se louvou; e, aceitando louvar-se, deu ao homem encontrar o modo de louvá-lo”. 

Além disto, nos salmos há uma maravilhosa força para despertar nos corações o desejo de todas as virtudes. Pois, “embora toda a nossa Escritura, tanto a antiga quanto a nova, seja inspirada por Deus e útil para a instrução, como está escrito (cf. 2Tm 3,16), o livro dos salmos porém, semelhante a um paraíso, que contém em si os frutos dos demais livros, produz o canto, e, ainda mais, oferece seus próprios frutos unidos aos dos outros durante a salmodia”. Essas palavras são novamente de Atanásio, que acrescenta: “A mim me parece que os salmos são como um espelho para quem salmodia, onde este se contempla a si e os movimentos de seu espírito, e, assim impressionado, os recita”. Também diz Agostinho nas Confissões: “Como chorei por causa de teus hinos e cânticos, vivamente comovido pelas suaves palavras do canto de tua Igreja! As palavras fluíam em meus ouvidos e instilava-se a verdade em meu coração, fazendo arder a piedade; corriam-me as lágrimas e sentia-me bem com elas”. 

Na verdade, a quem não comovem aquelas frequentes passagens dos salmos onde se canta profundamente a imensa majestade de Deus, a onipotência, a indizível justiça,a bondade ou a clemência e todos os outros infinitos louvores? A quem não inspiram iguais sentimentos as ações de graças pelos benefícios recebidos de Deus, ou as humildes e confiantes preces pelo que se deseja, ou os clamores do arrependimento dos pecados? A quem não inflama a cuidadosamente velada imagem do Cristo Redentor “cuja voz ouvia Agostinho em todos os salmos a salmodiar, a gemer, a alegrar-se na esperança ou a suspirar pela realização?”

Responsório             1Ts 2,4.3

R. Como Deus nos julgou dignos
de confiar-nos o Evangelho,
nós falamos deste modo.
* Não buscamos agradar aos homens, mas a Deus.
V. A nossa exortação nada tem de falsidade,
de impureza ou de mentira. * Não buscamos.

Oração

Ó Deus, que para defender a fé católica e restaurar todas as coisas em Cristo, cumulastes o papa São Pio X de sabedoria divina e coragem apostólica, fazei-nos alcançar o prêmio eterno, dóceis às suas instruções e seus exemplos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.


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