
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Hino
Ao fiel confessor do Senhor
canta a terra com grande alegria.
Mereceu penetrar, glorioso,
nas alturas do céu, neste dia.
Piedoso, prudente e humilde,
casto e sóbrio, constante na paz,
foi até o momento supremo,
que do corpo a morada desfaz.
Vão, por isso, ao sepulcro do santo
implorar a saúde os doentes
e, invocando o Senhor em seu nome,
são curados e voltam contentes.
Nós, agora, cantamos um hino
ao seu nome, em alegre coral.
Seu convívio possamos um dia
partilhar no festim eternal.
Salvação e poder à Trindade
que as alturas celestes habita,
e governa e dirige este mundo
com ciência e bondade infinita.
Salmodia
Ant. 1 Ó Senhor, chegue até vós o meu clamor,
não me oculteis a vossa face em minha dor!
Salmo 101(102)
Anseios e preces de um exilado
Bendito seja Deus que nos consola em todas as nossas aflições! (2Cor 1,4).
I
–2 Ouvi, Senhor, e escutai minha oração, *
e chegue até vós o meu clamor!
–3 De mim não oculteis a vossa face *
no dia em que estou angustiado!
– Inclinai o vosso ouvido para mim, *
ao invocar-vos atendei-me sem demora!
–4 Como fumaça se desfazem os meus dias, *
estão queimando como brasas os meus ossos.
–5 Meu coração se tornou seco igual à erva, *
até esqueço de tomar meu alimento.
–6 À força de gemer e lamentar, *
tornei-me tão-somente pele e osso.
–7 Eu pareço um pelicano no deserto, *
sou igual a uma coruja entre ruínas.
–8 Perdi o sono e passo a noite a suspirar *
como a ave solitária no telhado.
–9 Meus inimigos me insultam todo o dia, *
enfurecidos lançam pragas contra mim.
–10 É cinza em vez de pão minha comida, *
minha bebida eu misturo com as lágrimas.
–11 Em vossa indignação, em vossa ira *
me exaltastes, mas depois me rejeitastes;
–12 os meus dias como sombras vão passando, *
e aos poucos vou murchando como a erva.
Ant. Ó Senhor, chegue até vós o meu clamor,
não me oculteis a vossa face em minha dor!
Ant. 2 Ouvi, Senhor, a oração dos oprimidos!
II
–13 Mas vós, Senhor, permaneceis eternamente, *
de geração em geração sereis lembrado!
–14 Levantai-vos, tende pena de Sião, *
já é tempo de mostrar misericórdia!
–15 Pois vossos servos têm amor aos seus escombros *
e sentem compaixão de sua ruína.
–16 As nações respeitarão o vosso nome, *
e os reis de toda a terra, a vossa glória;
–17 quando o Senhor reconstruir Jerusalém *
e aparecer com gloriosa majestade,
–18 ele ouvirá a oração dos oprimidos *
e não desprezará a sua prece.
–19 Para as futuras gerações se escreva isto, *
e um povo novo a ser criado louve a Deus.
–20 Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, *
e o Senhor olhou a terra do alto céu,
–21 para os gemidos dos cativos escutar *
e da morte libertar os condenados.
–22 Para que cantem o seu nome em Sião *
e louve ao Senhor Jerusalém,
–23 quando os povos e as nações se reunirem *
e todos os impérios o servirem.
Ant. Ouvi, Senhor, a oração dos oprimidos!
Ant. 3 A terra, no princípio, vós criastes,
e os céus, por vossas mãos, foram criados.
III
–24 Ele abateu as minhas forças no caminho *
e encurtou a duração da minha vida.
= Agora eu vos suplico, ó meu Deus; †
25 não me leveis já na metade dos meus dias, *
vós, cujos anos são eternos, ó Senhor!
–26 A terra no princípio vós criastes, *
por vossas mãos também os céus foram criados;
–27 eles perecem, vós porém permaneceis; *
como veste os mudais e todos passam;
– ficam velhos todos eles como roupa, *
28 mas vossos anos não têm fim, sois sempre o mesmo!
=29 Assim também a geração dos vossos servos †
terá casa e viverá em segurança, *
e ante vós se firmará sua descendência.
Ant. A terra, no princípio, vós criastes,
e os céus, por vossas mãos, foram criados.
V. Escuta, ó meu povo, a minha lei.
R. Ouve atento as palavras que eu te digo!
Primeira leitura
Do Livro do Profeta Daniel 3,8-12.19-24.91-97
A estátua de ouro do rei. Os jovens salvos da fornalha
8 Naquele tempo aproximaram-se alguns caldeus, acusando os judeus, 9e disseram ao rei Nabucodonosor: “Ó rei, que vivas para sempre! 10Tu mesmo, ó rei, decretaste que todo homem, ao ouvir o som de trombeta, flauta e cítara, de harpa e saltério, de um conjunto musical de todo o tipo de instrumentos, tem de prostrar-se em adoração à estátua de ouro; 11e que, se alguém não se prostrar em adoração, seja atirado na fornalha de fogo ardente. 12Pois bem, aqueles judeus, que colocaste para administrar a província da Babilônia, Sidrac, Misac e Abdênago, são homens que não prestam as honras devidas a ti, ó rei, nem prestam o culto aos teus deuses, nem adoram a estátua de ouro que fizeste erigir”.
19A estas palavras, Nabucodonosor encheu-se de cólera contra Sidrac, Misac e Abdênago, a ponto de se alterar a expressão do rosto; deu ordem para acender a fornalha com sete vezes mais fogo que de costume; 20e encarregou os soldados mais fortes do exército para amarrarem Sidrac, Misac e Abdênago e os lançarem na fornalha de fogo ardente. 21Amarrados, os homens foram imediatamente lançados na fornalha ardente, juntamente com suas roupas, calças, capas e calçados; 22ora, as ordens do rei eram urgentes, e como a fornalha ficou excessivamente aquecida, as chamas devoraram os homens que tinham atirado ao fogo Sidrac, Misac e Abdênago, 23enquanto que estes três, amarados, caíram no meio do forno cheio de fogo.
24 Andavam de cá para lá no meio das chamas, entoando hinos a Deus e bendizendo ao Senhor.
91 Então, o rei Nabucodonosor, tomado de pasmo, levantou-se apressadamente, e perguntou a seus ministros: “Porventura, não lançamos três homens bem amarados no meio do fogo?” Responderam ao rei: “É verdade, ó rei”. 92Dise este: “Mas eu estou vendo quatro homens andando livremente no meio do fogo, sem sofrerem nenhum mal, e o aspecto do quarto homem é semelhante ao de um filho de Deus.” 93Nabucodonosor, então, acercou-se da boca da fornalha de fogo ardente e disse: “Sidrac, Misac e Abdênago, servos do Deus altíssimo, vinde para fora”. Logo saíram Sidrac, Misac e Abdênago do meio do fogo. 94Reunidos os sátrapas, governantes, juízes e poderosos do reino ficaram contemplando aqueles homens em cujos corpos nenhum poder teve o fogo. O cabelo da cabeça não se lhes tinha queimado, suas roupas não sofreram alterações, nem o cheiro de queimado passou por eles. 95Exclamou Nabucodonosor: “Bendito seja o Deus de Sidrac, Misac e Abdênago, que enviou seu anjo e libertou seus servos, que puseram nele sua confiança e transgrediram o decreto do rei, preferindo entregar suas vidas a servir e adorar qualquer outro Deus que não fosse o seu Deus. 96Está, portanto, decretado por mim que todo aquele que, pertencendo a qualquer povo, tribo ou língua, disser uma blasfêmia contra o Deus de Sidrac, Misac e Abdênago, seja cortado em pedaços e sua casa feita estrumeira, porque não há outro deus que tenha esse poder de salvação”.97O rei então aumentou as honrarias de Sidrac, Misac e Abdênago na província da Babilônia.
Responsório Dn 3,49.50b.95
R. O anjo do Senhor desceu para a fornalha
juntamente com Azarias e com seus companhe
o que fez ao Faraó e seu exército. * Clamemos.
Segunda leitura
Das Cartas de Sulpício Severo
(Epist.3,6.9-10.11.14-17.21: SCh 133,336-344) (Séc.V)
Martinho, pobre e humilde
Martinho soube com muita antecedência o dia da sua morte e comunicou aos irmãos estar iminente a dissolução de seu corpo. Entretanto, surgiu a necessidade de ir à diocese de Candax, pois os eclesiásticos desta Igreja estavam em discórdia. Desejando restabelecer a paz, embora não ignorasse o fim de seus dias, não recusou partir, julgando que seria um excelente fecho de suas obras deixar a Igreja em paz.
Demorou-se por algum tempo na aldeia e na Igreja aonde fora, e a paz voltou para os clérigos. Quando já pensava em regressar ao mosteiro, começaram de repente a faltar-lhe as forças e, chamando os irmãos, disse-lhes que ia morrer. Diante disto todos se entristeceram grandemente, chorando e dizendo, a uma só voz: “Por que, pai, nos abandonas? A quem nos entregas, desolados? Lobos vorazes invadem teu rebanho; quem, ferido o pastor, nos livrará de seus dentes? Sabemos que desejas a Cristo, mas teus prêmios já estão seguros e não diminuirão com o adiamento! Tem compaixão de nós, a quem desamparas!”
Comovido com estas lágrimas, ele que sempre possuíra entranhas de misericórdia, também chorou, segundo contam. Voltando-se então para o Senhor, respondeu aos queixosos somente com estas palavras: “Senhor, se ainda sou necessário a teu povo, não recuso o trabalho. Que se faça tua vontade”.
Que homem incomparável! O trabalho não o vence, a morte não o vencerá! Ele, que não se inclinava para nenhum dos lados, não temeria morrer e nem recusaria viver! No entanto, olhos e mãos sempre erguidos para o céu, não abandonava a oração o espírito invicto; e quando os presbíteros, que se haviam reunido junto dele, lhe pediram aliviar o frágil corpo, virando-o para o lado, disse: “Deixai-me, deixai-me, irmãos, olhar para o céu de preferência à terra, para que o espírito já se dirija ao caminho que o levará ao Senhor”. Dito isto, viu o demônio ali perto. “Por que estás aqui, fera nefasta? Nada em mim, ó cruel, encontrarás! O seio de Abraão me acolhe”.
Com estas palavras entregou o espírito ao céu. Martinho, feliz, é recebido no seio de Abraão; Martinho, pobre e humilde, entra rico no céu.
Responsório
R. Ó bispo São Martinho, realmente homem feliz!
Jamais foi encontrada, em seus lábios, a mentira;
a ninguém ele julgava e nunca condenava.
* Não havia em sua boca outra coisa a não ser
Jesus Cristo, a paz, o amor.
V. Homem digno de louvor!
Nem trabalho o derrotou, nem a morte o venceria,
nem morrer o apavorou e a viver não recusou.
* Não havia.
Oração
Ó Deus, que fostes glorificado pela vida e a morte do bispo São Martinho, renovai em nossos corações as maravilhas da vossa graça, de modo que nem a morte nem a vida nos possam separar do vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.


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