Ofício das Leituras da Memória de São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja

V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Eterno Sol, que envolveis
a criação de esplendor,
a vós, Luz pura das mentes,
dos corações o louvor.

Pelo poder do Espírito,
lâmpadas vivas brilharam.
Da salvação os caminhos
a todo o mundo apontaram.

Por estes servos da graça
fulgiu com novo esplendor
o que a palavra proclama
e que a razão demonstrou.

Tem parte em suas coroas,
pela doutrina mais pura,
este varão que louvamos
e como estrela fulgura.

Por seu auxílio pedimos:
dai-nos, ó Deus, caminhar
na direção da verdade
e assim a vós alcançar.

Ouvi-nos, Pai piedoso,
e vós, ó Filho, também,
com o Espírito Santo,
Rei para sempre. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Como Deus é tão bondoso para os justos,
para aqueles que têm puro o coração! †

Salmo 72(73)

O sofrimento do justo

Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim (Mt 11,6).

I

1 Como Deus é tão bondoso para os justos, *
para aqueles que têm puro o coração!

2 † Mas por pouco os meus pés não resvalaram, *
quase escorregaram os meus passos;
3 cheguei a ter inveja dos malvados, *
ao ver o bem-estar dos pecadores.

4 Para eles não existe sofrimento, *
seus corpos são robustos e sadios;
5 não sofrem a dureza do trabalho *
nem conhecem a aflição dos outros homens.

6 Eles fazem do orgulho o seu colar, *
da violência, uma veste que os envolve;
7 transpira a maldade de seu corpo, *
transbordam falsidade suas mentes.

8 Zombam do bem e elogiam o que é mau, *
exaltam com orgulho a opressão;
9 investe sua boca contra o céu, *
e sua língua envenena toda a terra.

10 Por isso vai meu povo procurá-los *
e beber com avidez nas suas fontes;
11 eles dizem: “Por acaso Deus entende, *
e o Altíssimo conhece alguma coisa?”
12 Olhai bem, pois são assim os pecadores, *
que tranqüilos amontoam suas riquezas.

Ant. Como Deus é tão bondoso para os justos,
para aqueles que têm puro o coração!

Ant. 2 Os maus que hoje riem, amanhã hão de chorar.

II

13 Será em vão que guardei puro o coração *
e lavei na inocência minhas mãos?
14 Porque sou chicoteado todo o tempo *
e recebo meus castigos cada dia.
15 Se eu pensasse: “Vou fazer igual a eles”, *
trairia a geração dos vossos filhos.

16 Pus-me então a refletir sobre este enigma, *
mas pareceu-me uma tarefa bem difícil.
17 Até que um dia, penetrando esse mistério, *
compreendi qual é a sorte que os espera,
18 pois colocais os pecadores num declive, *
e vós mesmo os empurrais para a desgraça.

19 Num instante eles caíram na ruína, *
acabaram e morreram de terror!
20 Como um sonho ao despertar, ó Senhor Deus, *
ao levantar-vos, desprezais a sua imagem.

Ant. Os maus que hoje riem, amanhã hão de chorar.

Ant. 3 Haverão de perecer os que vos deixam;
para mim só há um bem: é estar com Deus.

III

21 Quando então se revoltava o meu esrito, *
e dentro em mim o coração se atormentava,
22 eu, estulto, não podia compreender; *
perante vós me comportei como animal.

23 Mas agora eu estarei sempre convosco, *
porque vós me segurastes pela mão;
24 vosso conselho vai guiar-me e conduzir-me, *
para levar-me finalmente à vossa glória!

25 Para mim, o que há no céu fora de vós? *
Se estou convosco, nada mais me atrai na terra!
=26 Mesmo que o corpo e o coração se vão gastando, †
Deus é o apoio e o fundamento da minh’alma, *
é minha parte e minha herança para sempre!

27 Eis que haverão de perecer os que vos deixam, *
exterminais os que sem vós se prostituem.
28 Mas para mim só há um bem: é estar com Deus *
é colocar o meu refúgio no Senhor
– e anunciar todas as vossas maravilhas *
junto às portas da cidade de Sião.

Ant. Haverão de perecer os que vos deixam;
para mim só há um bem: é estar com Deus.

V. Como é doce ao paladar vossa palavra.
R. Muito mais doce do que o mel na minha boca!

Salmodia

Ant. 1 Ó Senhor, chegue até vós o meu clamor,
não me oculteis a vossa face em minha dor!

Salmo 101(102)

Anseios e preces de um exilado

Bendito seja Deus que nos consola em todas as nossas aflições! (2Cor 1,4).

I

2 Ouvi, Senhor, e escutai minha oração, *
chegue até vós o meu clamor!
3 De mim não oculteis a vossa face *
no dia em que estou angustiado!
– Inclinai o vosso ouvido para mim, *
ao invocar-vos atendei-me sem demora!

4 Como fumaça se desfazem os meus dias, *
estão queimando como brasas os meus ossos.
5 Meu coração se tornou seco igual à erva, *
até esqueço de tomar meu alimento.
6 À força de gemer e lamentar, *
tornei-me tão-somente pele e osso.

7 Eu pareço um pelicano no deserto, *
sou igual a uma coruja entre ruínas.
8 Perdi o sono e passo a noite a suspirar *
como a ave solitária no telhado.
9 Meus inimigos me insultam todo o dia, *
enfurecidos lançam pragas contra mim.

10 É cinza em vez de pão minha comida, *
minha bebida eu misturo com as lágrimas.
11 Em vossa indignação, em vossa ira *
me exaltastes, mas depois me rejeitastes;
12 os meus dias como sombras vão passando, *
e aos poucos vou murchando como a erva.

Ant. Ó Senhor, chegue até vós o meu clamor,
não me oculteis a vossa face em minha dor!

Ant. 2 Ouvi, Senhor, a oração dos oprimidos!

II

13 Mas vós, Senhor, permaneceis eternamente, *
de geração em geração sereis lembrado!
14 Levantai-vos, tende pena de Sião, *
já é tempo de mostrar misericórdia!
15 Pois vossos servos têm amor aos seus escombros *
sentem compaixão de sua ruína.

16 As nações respeitarão o vosso nome, *
e os reis de toda a terra, a vossa glória;
17 quando o Senhor reconstruir Jerusalém *
e aparecer com gloriosa majestade,
18 ele ouvi a oração dos oprimidos *
não desprezará a sua prece.

19 Para as futuras gerações se escreva isto, *
e um povo novo a ser criado louve a Deus.
20 Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, *
e o Senhor olhou a terra do alto céu,
21 para os gemidos dos cativos escutar *
e da morte libertar os condenados.

22 Para que cantem o seu nome em Sião *
louve ao Senhor Jerusalém,
23 quando os povos e as nações se reunirem *
todos os impérios o servirem.

Ant. Ouvi, Senhor, a oração dos oprimidos!

Ant. 3 A terra, no prinpio, vós criastes,
e os céus, por vossas mãos, foram criados.

III

24 Ele abateu as minhas forças no caminho *
e encurtou a duração da minha vida.
= Agora eu vos suplico, ó meu Deus; †
25 não me leveis já na metade dos meus dias, *
vós, cujos anos são eternos, ó Senhor!

26 A terra no princípio vós criastes, *
por vossas mãos também os céus foram criados;
27 eles perecem, vós porém permaneceis; *
como veste os mudais e todos passam;
– ficam velhos todos eles como roupa, *
28 mas vossos anos não têm fim, sois sempre o mesmo!

=29 Assim também a geração dos vossos servos †
terá casa e viverá em segurança, *
e ante vós se firmará sua descendência.

Ant. terra, no prinpio, vós criastes,
e os céus, por vossas mãos, foram criados.

V. Escuta, ó meu povo, a minha lei.
R. Ouve atento as palavras que eu te digo!

Primeira leitura

Do Livro do Profeta Ezequiel                 8,1-6.16−9,11

Julgamento da pecadora Jerusalém

8,1 No sexto ano, no dia cinco do sexto mês, eu estava sentado em minha casa, com os anciãos de Judá sentados em minha frente. Nisso a mão do Senhor Deus pousou sobre mim. 2Então olhei e vi uma figura com aspecto de homem. Do que parecia ser a cintura para baixo, era de fogo. Da cintura para cima, era como se houvesse uma claridade, como o brilho de ouro incandescente. 3Ele estendeu uma forma de mão que me agarrou pelos cachos dos cabelos. Então o espírito me arrebatou pelos ares e levou-me em êxtase a Jerusalém, até a entrada da porta interna, que dá para o norte, local onde se acha a estátua rival que provoca ciúme. 4E eis que lá estava a glória do Deus de Israel, semelhante à visão que tive na planície. 5Ele me disse: “Filho do homem, levanta os olhos em direção ao norte!” Eu levantei os olhos para o norte e vi, ao norte da porta do altar, a estátua rival,logo na entrada. 6Ele me disse: “Filho do homem, vês o que estão fazendo? Vês as grandes abominações que a casa de Israel aqui pratica para me afastar do meu santuário? Mas verás abominações maiores ainda”. 

16 Depois me introduziu no átrio interior do templo do Senhor. Ali, à entrada da nave do templo do Senhor, entre o vestíbulo e o altar, estavam uns vinte e cinco homens, de costas para a nave do templo do Senhor, e as faces voltadas para o oriente. Eles se prostraram em direção ao oriente, diante do sol. 17Ele me perguntou: “Não viste, filho do homem? Parece pouco para a casa de Israel praticar as abominações que aqui se praticam? Pois além de encherem o país de violência e provocarem sempre de novo minha ira, ei-los ainda metendo o ramo no próprio nariz. 18De minha parte, eu também agirei com furor, sem dó nem piedade. Clamarão a meus ouvidos em altas vozes, mas não os atenderei”.  

9,1 O Senhor gritou a meus ouvidos, com voz forte: “Aproxima-se o castigo da cidade! Cada um tenha sua arma destruidora na mão!” 2Então, eu vi seis homens vindo da porta superior, voltada para o norte, cada qual empunhando uma arma de destruição. Entre eles havia um homem vestido de linho, que levava um estojo de escriba na cintura. Eles foram colocar-se junto do altar de bronze. 3Então a glória do Deus de Israel elevou-se de cima do querubim sobre o qual estava, em direção à soleira do Templo. E chamou o homem vestido de linho, que levava um estojo de escriba à cintura. 4O Senhor disse-lhe: “Passa pelo meio da cidade, por Jerusalém, e marca com uma cruz na testa os homens que gemem e suspiram por causa de tantos horrores que nela se praticam”. 5E escutei o que ele dizia aos outros: “Percorrei a cidade atrás dele e matai sem dó nem piedade. 6Matai velhos, jovens e moças, mulheres e crianças, matai a todos, até ao extermínio. Mas não toqueis em nenhum homem sobre quem estiver a cruz. Começai pelo meu santuário”. E eles começaram pelos anciãos que estavam diante do Templo. 7Ele disse-lhe: “Profanai o Templo, enchei os átrios de cadáveres. Ide.” E eles saíram para matar na cidade! 

Enquanto eles matavam, eu fiquei só. Caí com o rosto em terra e gritei: “Ah! Senhor Deus! Vais exterminar todo o resto de Israel, despejando teu furor sobre Jerusalém?” 9Ele respondeu-me: “A culpa da casa de Israel e de Judá é muito grave. O país está cheio de crimes de sangue e a cidade repleta de injustiças. Pois eles dizem: ‘O Senhor abandonou o país, o Senhor não está vendo’. 10De minha parte, eu também não terei dó nem piedade. Dou-lhes a paga que merecem”. 11Niso o homem vestido de linho e com o tinteiro à cintura informou dizendo: “Fiz conforme me ordenaste”.

Responsório Mt 24,15.21a.22; Ap 7,3

R. Quando virdes o horror de uma vil profanação
do lugar sagrado e santo, haverá grande desgraça.
Caso não tivessem sido encurtados esses dias,
nenhum ser se salvaria;
* Mas serão abreviados por amor dos escolhidos.
V. Não danifiqueis a terra e o mar até que tenhamos
marcado as frontes dos servos de Deus. * Mas serão.

Segunda leitura

Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo

(Ante exsilium, nn. 1-3: PG 52,427*-430)                           (Séc. IV)

Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro

Sobrevêm muitas ondas e fortes tempestades, mas não tememos afogar, pois estamos firmados sobre a pedra. Enfureça-se o mar, não tem forças para destruir a pedra. Ergam-se as vagas, não podem submergir o navio de Cristo. Pergunto eu: que temeremos? A morte? Para mim, viver é Cristo, e morrer é lucro (Fl 1,21). O exílio talvez, dizes-me? Do Senhor é a terra e tudo quanto contém (Sl 23,1). A confiscação dos bens? Nada trouxemos para o mundo e, é certo, nada daqui poderemos levar (1Tm6,7); os pavores deste mundo são desprezíveis, e seus bens, merecedores de riso. Não tenho medo da pobreza, não ambiciono riquezas; não temo a morte, nem prefiro viver a não ser para vosso proveito. Por isto recordo os acontecimentos atuais e rogo à vossa caridade que tenhais confiança. 

Não escutas o Senhor dizer: Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei ali no meio deles? (Mt 18,20). E onde há tanta gente ligada pelos laços da caridade, não estará ele presente? Tenho seu penhor. Será que confio em minhas próprias forças? Seguro seu testamento. Este é o meu bordão, a minha segurança, o meu porto tranquilo. Abale-se embora o universo, tenho sua resposta, leio os seus escritos: aí está a muralha para mim, a fortaleza. Que escritos? Eu estou convosco todos os dias até a consumação do mundo (Mt 28,20). 

Cristo está comigo, a quem temerei? Mesmo que as ondas, os mares, o furor dos príncipes se agitem contra mim, tudo isto não me impressiona mais do que uma aranha. E se vossa caridade não me retivesse, não recusaria partir ainda hoje mesmo para outro lugar. Repito sempre: Senhor, faça-se a tua vontade (Mt 26,42); não o que quer este ou aquele, mas o que tu queres. Esta é a minha torre, minha pedra imóvel; este, o meu báculo firme. Se Deus quer isto, faça-se. Se quiser que permaneça aqui, agradecerei. Onde quer que me queira, darei graças.  

E onde estou eu, aí estais vós; onde estais, aí eu também: somos um só corpo e não se separa o corpo da cabeça nem a cabeça do corpo. Estamos em lugares distantes, mas unidos na caridade, que nem a morte poderá separar. Porque, embora morra meu corpo, viverá a alma que se lembrará do povo. 

Vós sois meus cidadãos, vós, meus pais, vós, meus irmãos, vós, filhos, vós, membros, vós, corpo. Para mim sois a luz, ou melhor, mais deliciosos que esta luz. O que poderá enviar-me um raio igual à vossa caridade? O raio de sol para mim é vida, porém vossa caridade tece-me a coroa para o futuro.

Responsório             2Tm 2,9-10a; Sl 26(27),1a

R. Pelo Evangelho estou sofrendo até algemas
como se eu fosse malfeitor;
contudo, a palavra do Senhor não se deixa algemar;
* Este é o motivo por que eu suporto tudo,
por causa dos eleitos.
V. O Senhor é minha luz e salvação;
de quem eu terei medo?
* Este é.

Oração

Ó Deus, força dos que em vós esperam, que fizestes brilhar na vossa Igreja o bispo São João Crisóstomo por admirável eloquência e grande coragem nas provações, dai-nos seguir os seus ensinamentos, e robustecer-nos com sua invencível fortaleza. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

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