Ofício das Leituras da Memória de São Francisco de Sales, presbítero e doutor da Igreja

Ofício das Leituras

V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

Eterno Sol, que envolveis
a criação de esplendor,
a vós, Luz pura das mentes,
dos corações o louvor.

Pelo poder do Espírito,
lâmpadas vivas brilharam.
Da salvação os caminhos
a todo o mundo apontaram.

Por estes servos da graça
fulgiu com novo esplendor
o que a palavra proclama
e que a razão demonstrou.

Tem parte em suas coroas,
pela doutrina mais pura,
este varão que louvamos
e como estrela fulgura.

Por seu auxílio pedimos:
dai-nos, ó Deus, caminhar
na direção da verdade
e assim a vós alcançar.

Ouvi-nos, Pai piedoso,
e vós, ó Filho, também,
com o Espírito Santo,
Rei para sempre. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Vem a nós o nosso Deus e nos fala abertamente.

Salmo 49(50)

O culto que agrada a Deus

Eu não vim abolir a Lei, mas dar-lhe pleno cumprimento (cf. Mt 5,17).

I

1 Falou o Senhor Deus, chamou a terra, *
do sol nascente ao sol poente a convocou.
2 De Sião, beleza plena, Deus refulge, *
3 vem a nós o nosso Deus e não se cala.

– À sua frente vem um fogo abrasador, *
ao seu redor, a tempestade violenta.
4 Ele convoca céu e terra ao julgamento, *
para fazer o julgamento do seu povo:

5 “Reuni à minha frente os meus eleitos, *
que selaram a Aliança em sacrifícios!”
6 Testemunha o próprio céu seu julgamento, *
porque Deus mesmo é juiz e vai julgar.

Ant. Vem a nós o nosso Deus e nos fala abertamente.

Ant. 2 Oferece ao Senhor um sacricio de louvor!

II

=7 “Escuta, ó meu povo, eu vou falar; †
ouve, Israel, eu testemunho contra ti: *
Eu, o Senhor, somente eu, sou o teu Deus!

8 Eu não venho censurar teus sacrifícios, *
pois sempre estão perante mim teus holocaustos;
9 não preciso dos novilhos de tua casa *
nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.

10 Porque as feras da floresta me pertencem *
e os animais que estão nos montes aos milhares.
11 Conheço os pássaros que voam pelos céus *
e os seres vivos que se movem pelos campos.

12 Não te diria, se com fome eu estivesse, *
porque é meu o universo e todo ser.
13 Porventura comerei carne de touros? *
Beberei, acaso, o sangue de carneiros?

14 Imola a Deus um sacrifício de louvor *
e cumpre os votos que fizeste ao Altíssimo.
15 Invoca-me no dia da angústia, *
e então te livrarei e hás de louvar-me”.

Ant. Oferece ao Senhor um sacricio de louvor!

Ant. 3 Eu não quero oferenda e sacricio;
quero o amor e a ciência do Senhor!

III

=16 Mas ao ímpio é assim que Deus pergunta: †
“Como ousas repetir os meus preceitos *
e trazer minha Aliança em tua boca?

17 Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos *
e deste as costas às palavras dos meus lábios!
18 Quando vias um ladrão, tu o seguias *
e te juntavas ao convívio dos adúlteros.

19 Tua boca se abriu para a maldade *
e tua língua maquinava a falsidade.
20 Assentado, difamavas teu irmão, *
e ao filho de tua mãe injuriavas.

21 Diante disso que fizeste, eu calarei? *
Acaso pensas que eu sou igual a ti?
– É disso que te acuso e repreendo *
e manifesto essas coisas aos teus olhos.

=22 Entendei isto, todos vós que esqueceis Deus, †
para que eu não arrebate a vossa vida, *
sem que haja mais ninguém para salvar-vos!

23 Quem me oferece um sacrifício de louvor, *
este sim é que me honra de verdade.
– A todo homem que procede retamente, *
eu mostrarei a salvação que vem de Deus”.

Ant. Eu não quero oferenda e sacricio;
quero o amor e a ciência do Senhor!

V. Escuta, ó meu povo, eu vou falar:
R. Eu, o Senhor, somente eu sou o teu Deus!

Primeira leitura

Do Livro do Deuteronômio             24,1−25,4

Preceitos em relação ao próximo

Naqueles dias, Moisés falou ao povo, dizendo:

1“Se um homem toma uma mulher e se casa com ela e esta depois não lhe agrada, porque viu nela algo de inconveniente, ele lhe escreverá uma certidão de divórcio e assim despedirá a mulher. 2Tendo saído da casa do marido, a mulher poderá casar com outro homem. 3Mas, se o segundo marido também se desgostar dela e lhe escrever uma certidão de divórcio e a mandar embora de casa, ou se ele morrer, 4o primeiro marido não a poderá tomar novamente como esposa, depois de ela se ter tornado impura, porque seria uma abominação perante o Senhor. Não deves levar ao pecado o país que o Senhor teu Deus te dará como herança.

5Se um homem é recém-casado, não irá à guerra nem lhe será imposto nenhum cargo, mas ficará livre em casa durante um ano, para se alegrar com a mulher que desposou.

6Não receberás como penhor as duas mós do moinho, nem mesmo a mó superior, porque seria tomar como penhor a própria vida. 7Se alguém for apanhado em flagrante sequestrando um dos seus irmãos, dentre os filhos de Israel, e que o tenha vendido e recebido o preço, tal sequestrador será morto. Assim extirparás o mal do teu meio.

8Evita com muito cuidado contrair a praga da lepra, mas farás tudo o que os sacerdotes levíticos te ensinarem, conforme eu lhes mandei, e cumpre tudo à risca. 9Lembra-te do que o Senhor teu Deus fez a Maria, no caminho, quando saístes do Egito.

10Se emprestares alguma coisa ao teu próximo, não lhe invadirás a casa para te garantires algum penhor. 11Esperarás do lado de fora que o devedor te traga o penhor. 12Se for pobre, não te deitarás com o penhor em tua casa. 13Devolve-lhe o penhor ao pôr do sol, para que ele possa deitar-se com seu manto e te abençoe. Isto será para ti uma obra justa perante o Senhor teu Deus.

14Não negarás a paga a um trabalhador indigente e pobre, seja ele um irmão teu seja um estrangeiro que mora no país, numa das tuas cidades. 15Dá-lhe no mesmo dia o seu salário, antes do pôr-do-sol, pois ele é pobre, e o salário significa o seu sustento. De contrário, clamaria ao Senhor contra ti e tu virás a ser culpado de um pecado.

16Os pais não serão mortos pela culpa dos filhos, nem os filhos pela culpa dos pais: cada um será morto pelo seu próprio pecado.

17Não leses o direito do estrangeiro nem do órfão nem tomes como penhor as roupas da viúva. 18Lembra-te que foste escravo no Egito, e que o Senhor teu Deus te fez sair de lá. Por isso te ordeno que procedas assim. 19Se, ao fazer a colheita em teu campo, esqueceres um feixe de trigo, não voltes para buscá-lo. Deixa-o para o estrangeiro, o órfão e a viúva, a fim de que o Senhor teu Deus te abençoe em todo o trabalho de tuas mãos. 20Quando tiveres colhido o fruto das oliveiras, não voltarás para colher o que ficou nas árvores. Deixa-o para o estrangeiro, o órfão e a viúva. 21Quando tiveres vindimado a tua vinha, não deves colher os cachos que ficaram. Deixa-os para o estrangeiro, o órfão e a viúva. 22Lembra-te que tu também foste escravo no Egito. Por isso te ordeno que procedas assim.

25,1Quando dois homens tiverem uma questão judicial e forem apresentar-se ao tribunal para o julgamento, seja absolvido o justo e condenado o culpado. 2Se o culpado merecer a pena do açoite, o juiz o fará deitar-se por terra e mandará açoitá-lo em sua presença, com um número de golpes proporcional ao delito. 3Contanto, porém, que os golpes não passem de quarenta, para que não aconteça que, sendo açoitado mais vezes, as feridas sejam tantas que teu irmão fique desonrado a teus olhos. 4Não atarás a boca do boi que pisa o teu trigo para o debulhar.

Responsório             Cf. Mc 12,32-33; Eclo 35,4b-5a

R. Ó Mestre, estás certo em dizer
que Deus é um só e não há outro
e amá-lo de todo o coração;
* E amar ao próximo como a si mesmo
vale mais do que todo holocausto,
vale mais do que todo sacrifício.
V. Quem faz misericórdia, oferece um sacrifício;
quem se afasta da maldade, tem o agrado do Senhor.
* E amar.

Segunda leitura

Da Introdução à Vida Devota, de São Francisco de Sales, bispo

(Pars 1, cap. 3) (Séc.XVII)

A devoção deve ser praticada de modos diferentes

Na criação, Deus Criador mandou às plantas que cada uma produzisse fruto conforme sua espécie. Do mesmo modo, ele ordenou aos cristãos, plantas vivas de sua Igreja, que produzissem frutos de devoção, cada qual de acordo com sua categoria, estado e vocação.

A devoção deve ser praticada de modos diferentes pelo nobre e pelo operário, pelo servo e pelo príncipe, pela viúva, pela solteira ou pela casada. E isto ainda não basta. A prática da devoção deve adaptar-se às forças, aos trabalhos e aos deveres particulares de cada um.

Dize-me, por favor, Filotéia, se seria conveniente que os bispos quisessem viver na solidão como os cartuxos; que os casados não se preocupassem em aumentar seus ganhos mais que os capuchinhos; que o operário passasse o dia todo na igreja como o religioso; e que o religioso estivesse sempre disponível para todo tipo de encontros a serviço do próximo, como o bispo. Não seria ridícula, confusa e intolerável esta devoção?

Contudo, este erro absurdo acontece muitíssimas vezes. E no entanto, Filotéia, a devoção quando é verdadeira não prejudica a ninguém; pelo contrário, tudo aperfeiçoa e consuma. E quando se torna contrária à legítima ocupação de alguém, é falsa, sem dúvida alguma.

A abelha extrai seu mel das flores sem lhes causar dano algum, deixando-as intactas e frescas como encontrou. Todavia, a verdadeira devoção age melhor ainda, porque não somente não prejudica a qualquer espécie de vocação ou tarefa, mas ainda as engrandece e embeleza.

Toda a variedade de pedras preciosas lançadas no mel, tornam-se mais brilhantes, cada qual conforme sua cor; assim também cada um se torna mais agradável e perfeito em sua vocação quando esta for conjugada com a devoção: o cuidado da família se torna tranquilo, o amor mútuo entre marido e mulher, mais sincero, o serviço que se presta ao príncipe, mais fiel, e mais suave e agradável o desempenho de todas as ocupações.

É um erro, senão até mesmo uma heresia, querer excluir a vida devota dos quartéis de soldados, das oficinas dos operários, dos palácios dos príncipes, do lar das pessoas casadas. Confesso, porém, caríssima Filotéia, que a devoção puramente contemplativa, monástica e religiosa de modo algum pode ser praticada em tais ocupações ou condições. Mas, para além destas três espécies de devoção, existem muitas outras, próprias para o aperfeiçoamento daqueles que vivem no estado secular.

Portanto, onde quer que estejamos, devemos e podemos aspirar à vida perfeita.

Responsório Ef 4,32–5,1; Mt 11,29ab

R. Sede benignos com os outros e misericordiosos,
mutuamente perdoando-vos,
como Deus vos perdoou através de Jesus Cristo.
* Sede, pois, imitadores do Senhor
como convém aos amados filhos seus.
V. Tomai meu jugo sobre vós e aprendei de mim que sou
de coração humilde e manso. * Sede, pois.

Oração

Ó Deus, para a salvação da humanidade, quisestes que São Francisco de Sales se fizesse tudo para todos; concedei que, a seu exemplo, manifestemos sempre a mansidão do vosso amor no serviço a nossos irmãos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

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