Ofício das Leituras da Memória de São Carlos Lwanga, e seus companheiros, mártires





Ofício das Leituras


V.
Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:

Criastes céu e terra,
a vós tudo obedece;
livrai a nossa mente
do sono que entorpece.

As culpas perdoai,
Senhor, vos suplicamos;
de pé, para louvar-vos,
o dia antecipamos.

À noite as mãos e as almas
erguemos para o templo:
mandou-nos o Profeta,
deixou-nos Paulo o exemplo.

As faltas conheceis
e até as que ocultamos;
a todas perdoai,
ansiosos suplicamos.

A glória seja ao Pai,
ao Filho seu também,
ao Espírito igualmente,
agora e sempre. Amém.

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

A vós, honra e glória,
Senhor do saber,
que vedes o íntimo
profundo do ser,
e em fontes de graça
nos dais de beber.

As boas ovelhas
guardando, pastor,
buscais a perdida
nos montes da dor,
unindo-as nos prados
floridos do amor.

A ira do Rei
no dia final
não junte aos cabritos
o pobre mortal.
Juntai-o às ovelhas
no prado eternal.

A vós, Redentor,
Senhor, Sumo Bem,
louvores, vitória
e glória convém,
porque reinais sempre
nos séculos. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força! †

Salmo 17(18),2-30

Ação de graças pela salvação e pela vitória

Na mesma hora aconteceu um grande terremoto (Ap 11,13).

I

2 Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força, *
3 minha rocha, meu refúgio e Salvador!
= Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, †
minha força e poderosa salvação, *
sois meu escudo e proteção: em vós espero!

4 Invocarei o meu Senhor: a ele a glória! *
e dos meus perseguidores serei salvo!
5 Ondas da morte me envolveram totalmente, *
e as torrentes da maldade me aterraram;
6 os laços do abismo me amarraram *
e a própria morte me prendeu em suas redes.

7 Ao Senhor eu invoquei na minha angústia *
e elevei o meu clamor para o meu Deus;
– de seu Templo ele escutou a minha voz, *
e chegou a seus ouvidos o meu grito.

Ant. Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força!

Ant. 2 O Senhor me libertou, porque me ama.

II

=8 A terra toda estremeceu e se abalou, †
os fundamentos das montanhas vacilaram *
e se agitaram, porque Deus estava irado.
=9 De seu nariz, fumaça em nuvens se elevou, †
da boca saiu fogo abrasador *
dos seus lábios, carvões incandescentes.

10 Os céus ele abaixou e então desceu *
pousando em nuvens pretas os seus pés.
11 Um querubim o conduzia no seu vôo, *
sobre as asas do vento ele pairava.

12 Das trevas fez um véu para envolver-se, *
escondeu-se em densas nuvens e água escura.
13 No clarão que procedia de seu rosto, *
carvões incandescentes se acendiam.

14 Trovejou dos altos céus o Senhor Deus, *
o Altíssimo fez ouvir a sua voz;
15 e, lançando as suas flechas, dissipou-os, *
dispersou-os com seus raios fulgurantes.

16 Até o fundo do oceano apareceu, *
e os fundamentos do universo foram vistos,
– ante as vossas ameaças, ó Senhor, *
e ao sopro abrasador de vossa ira.

17 Lá do alto ele estendeu a sua mão *
e das águas mais profundas retirou-me;
18 libertou-me do inimigo poderoso *
e de rivais muito mais fortes do que eu.

19 Assaltaram-me no dia da aflição, *
mas o Senhor foi para mim um protetor;
20 colocou-me num lugar bem espaçoso: *
o Senhor me libertou, porque me ama.

Ant. O Senhor me libertou, porque me ama.

Ant. 3 Ó Senhor, fazei brilhar a minha lâmpada!
Ó meu Deus, iluminai as minhas trevas!

III

21 O Senhor recompensou minha justiça *
e a pureza que encontrou em minhas mãos,
22 pois nos caminhos do Senhor eu caminhei, *
e de meu Deus não me afastei por minhas culpas.

23 Tive sempre à minha frente os seus preceitos, *
e de mim não afastei sua justiça.
24 Diante dele tenho sido sempre reto *
e conservei-me bem distante do pecado.
25 O Senhor recompensou minha justiça *
e a pureza que encontrou em minhas mãos.

26 Ó Senhor, vós sois fiel com o fiel, *
sois correto com o homem que é correto;
27 sois sincero com aquele que é sincero, *
mas arguto com o homem astucioso.
28 Pois salvais, ó Senhor Deus, o povo humilde, *
mas os olhos dos soberbos humilhais.

29 Ó Senhor, fazeis brilhar a minha lâmpada; *
ó meu Deus, iluminais as minhas trevas.
30 Junto convosco eu enfrento os inimigos, *
com vossa ajuda eu transponho altas muralhas.

Ant. Ó Senhor, fazei brilhar a minha lâmpada!
Ó meu Deus, iluminai as minhas trevas!

V. todos se admiravam das palavras
R. Cheias de graça que saíam de seus bios.

Primeira leitura
Do Livro de Jó         32,1-6; 33,1-22 

Eliú fala do mistério de Deus

32,1 Aqueles três homens não responderam mais a Jó, porque ele teimava em considerar-se justo. 2Então inflamou-se a ira de Eliú, filho de Baraquel, de Buz, da família de Ram; indignou-se contra Jó, porque ele pretendia justificar-se diante de Deus. 3Indignou-se também contra os três amigos, porque não acharam resposta, contentando-se em deixar a culpa a Jó. 4Enquanto falavam com Jó, Eliú esperava, porque eram mais velhos do que ele; 5mas ao ver que nenhum dos três tinha algo a mais para responder, encheu-se de indignação. 6Então Eliú, filho de Baraquel, de Buz, interveio dizendo:

“Sou ainda jovem de idade
e vós sois idosos;
por isso, intimidado, não me atrevia
a expor-vos o meu conhecimento.
3,1 E agora, Jó, escuta as minhas palavras,
presta atenção ao meu discurso.
2Eis que abro a boca,
em minha boca vai falar a minha língua.
3Meu coração dirá palavras de conhecimento
e meus lábios falarão com franqueza.
4Foi o espírito de Deus que me fez,
e o sopro do Todo-Poderoso que me animou.
5Contesta-me, se podes;
prepara-te, apresenta-te diante de mim!
6Diante de Deus eu sou igual a ti,
 também eu, formado do barro.
7Por isso, o temor de mim não deverá intimidar-te,
nem minha mão pesar sobre ti.
8Disseste em minha presença,
ouço ainda o eco de tuas palavras:
9‘Sou puro, não tenho culpa;
sou inocente, não tenho iniqüidade.
10E contudo, ele encontra pretextos contra mim
e me considera seu inimigo;
11coloca meus pés no tronco
e vigia todos os meus passos’.
12Não tens razão nisto, eu te digo,
porque Deus é maior do que o homem.
13Como te atreves a acusá-lo,
ele que não responde palavra por palavra?
14Deus fala de um modo
e depois de outro modo, e não prestamos atenção.
15Em sonho ou visão noturna,
quando o sono profundo desce sobre os homens
adormecidos em seu leito:
16então lhes abre os ouvidos,
e os aterroriza com aparições,
17para afastar o homem de suas obras más
e livrá-lo do orgulho,
18para impedir sua alma de cair na sepultura
e sua vida de cruzar o canal da morte.
19Ele o corrige também no leito, com o sofrimento,
quando os ossos tremem sem parar,
20a ponto de detestar o pão
e ter repugnância do alimento;
21sua carne se consome, até desaparecer,
expondo-se os ossos, que antes não se viam;
22sua alma aproxima-se da sepultura,
e sua vida da morada da morte.”

Responsório Rm 11,33-34 

R. Ó profundidade de tantas riquezas
da sabedoria e ciência de Deus!
* Como são insondáveis os seus julgamentos
e impenetráveis os caminhos de Deus!
V. Quem, pois, conheceu o seu pensamento?
Ou quem se tornou o seu conselheiro? * Como são. 

Segunda leitura

Da Homilia do papa Paulo VI, pronunciada na canonização dos mártires de Uganda

(AAS56 [1964],905-906)            (Séc. XX)

A glória dos mártires, sinal de nova vida

            Estes mártires africanos acrescentam ao rol dos vencedores, chamado Martirológio, uma página ao mesmo tempo trágica e grandiosa. É uma página verdadeiramente digna de figurar ao lado das célebres narrações da antiga África. No tempo em que vivemos, por causa da pouca fé, julgávamos que nunca mais elas viriam a ter semelhante continuação.

            Quem poderia imaginar, por exemplo, que àquelas Atas tão comovedoras dos mártires de Cíli, dos mártires de Cartago, dos mártires “Massa Candida” de Ótica comemorados por Santo Agostinho e Prudêncio, dos mártires do Egito tão louvados por São João Crisóstomo, dos mártires da perseguição dos vândalos, viriam em nossos tempos juntar-se novas páginas de história não menos valorosas nem menos brilhantes?

            Quem teria podido pressentir que, às grandes figuras históricas dos santos mártires e confessores africanos bem conhecidos, como Cipriano, Felicidade e Perpétua e o grande Agostinho, haveríamos de um dia associar Carlos Lwanga, Matias Mulimba Kalemba, nomes tão caros para nós, e os seus vinte companheiros? E não querendo também esquecer os outros que, professando a religião anglicana, sofreram a morte pelo nome de Cristo. Estes mártires africanos dão, sem dúvida, início a uma nova era. Oxalá não seja ela de perseguições e lutas religiosas, mas de renovação cristã e cívica!

            Na realidade, a África, orvalhada pelo sangue destes mártires, os primeiros desta nova era (e queira Deus que sejam os últimos – tão grande e precioso é o seu holocausto!), a África, agora sim, renasce livre e independente.

            O ato criminoso que os vitimou é tão cruel e significativo, que apresenta fatores suficientes e claros para a formação moral de um povo novo e para a fundação de uma nova tradição espiritual. E também para exprimirem e promoverem a passagem de uma cultura simples e rudimentar – não desprovida de magníficos valores humanos, mas contaminada e enfraquecida, como se fosse escrava de si mesma – a uma civilização aberta às mais altas manifestações da inteligência humana e às mais elevadas formas de vida social.

Responsório

R. Ao lutarmos pela fé, Deus nos vê, os anjos olham
e o Cristo nos contempla.
* Quanta honra e alegria combater, vendo-nos Deus,
e a coroa receber do Juiz, que é Jesus Cristo. Aleluia.
V. Concentremos nossas forças, para a luta preparemo-nos
com a mente pura e forte, doação, fé e coragem.
* Quanta honra.

Oração

Ó Deus, que fizestes do sangue dos mártires semente de novos cristãos, concedei que o campo da vossa Igreja, regado pelo sangue de São Carlos e seus companheiros, produza sempre abundante colheita. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.


Comments

2 respostas a “Ofício das Leituras da Memória de São Carlos Lwanga, e seus companheiros, mártires”

  1. Avatar de Geraldo Corrêa Filho
    Geraldo Corrêa Filho

    Tu Me amas?

    Eis os santos que venceram graças ao sangue do Cordeiro. Preferiram morrer a renegar o Cristo; por isso reinam com ele para sempre, aleluia (Ap 12,11).

    Oração do dia
    Ó Deus, que fizestes do sangue dos mártires semente de novos cristãos, concedei que o campo da vossa Igreja, regado pelo sangue de São Carlos e seus companheiros, produza sempre abundante colheita. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    ‘ “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. ‘

    https://padrepauloricardo.org/episodios/reze-pela-hierarquia-da-igreja

  2. A primeira leitura está errada, deveria ter sido do livro de Jó.

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