Ofício das Leituras da Memória de São Bernardo, abade e doutor da Igreja

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V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

Eterno Sol, que envolveis
a criação de esplendor,
a vós, Luz pura das mentes,
dos corações o louvor.

Pelo poder do Espírito,
lâmpadas vivas brilharam.
Da salvação os caminhos
a todo o mundo apontaram.

Por estes servos da graça
fulgiu com novo esplendor
o que a palavra proclama
e que a razão demonstrou.

Tem parte em suas coroas,
pela doutrina mais pura,
este varão que louvamos
e como estrela fulgura.

Por seu auxílio pedimos:
dai-nos, ó Deus, caminhar
na direção da verdade
e assim a vós alcançar.

Ouvi-nos, Pai piedoso,
e vós, ó Filho, também,
com o Espírito Santo,
Rei para sempre. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Ó meu Deus, escutai minha prece,
ao clamor do inimigo estremeço!

Salmo 54(55),2-15.17-24

Oração depois da traição de um amigo

Jesus começou a sentir medo e angústia (Mc 14,33)

I

2 Ó meu Deus, escutai minha prece, *
não fujais desta minha oração!
3 Dignai-vos me ouvir, respondei-me: *
a angústia me faz delirar!

4 Ao clamor do inimigo estremeço, *
e ao grito dos ímpios eu tremo.
– Sobre mim muitos males derramam, *
contra mim furiosos investem.

5 Meu coração dentro em mim se angustia, *
e os terrores da morte me abatem;
6 o temor e o tremor me penetram, *
o pavor me envolve e deprime!

=7 É por isso que eu digo na angústia: †
Quem me dera ter asas de pomba *
e voar para achar um descanso!
8 Fugiria, então, para longe, *
e me iria esconder no deserto.

Ant. Ó meu Deus, escutai minha prece,
ao clamor do inimigo estremeço!

Ant. 2 O Senhor have de libertar-nos
da mão do inimigo traiçoeiro.

II

– 9 Acharia depressa um regio *
contra o vento, a procela, o tufão.
=10 Ó Senhor, confundi as más línguas; †
dispersai-as, porque na cidade *
só se  violência e discórdia!

=11 Dia e noite circundam seus muros, †
12 dentro dela há maldades e crimes, *
a injustiça, a opressão moram nela!
– Violência, imposturas e fraudes *
já não deixam suas ruas e praças.

13 Se o inimigo viesse insultar-me, *
poderia aceitar certamente;
– se contra mim investisse o inimigo, *
poderia, talvez, esconder-me.

14 Mas és tu, companheiro e amigo, *
tu, meu íntimo e meu familiar,
15 com quem tive agradável convívio *
com o povo, indo à casa de Deus!

Ant. O Senhor have de libertar-nos
da mão do inimigo traiçoeiro.

Ant. 3 Lança sobre o Senhor teus cuidados,
porque ele há de ser teu sustento.

III

17 Eu, porém, clamo a Deus em meu pranto, *
e o Senhor me haverá de salvar!
18 Desde a tarde, à manhã, ao meio-dia, *
faço ouvir meu lamento e gemido.

19 O Senhor há de ouvir minha voz, *
libertando a minh’alma na paz,
– derrotando os meus agressores, *
porque muitos estão contra mim!

20 Deus me ouve e haverá de humilhá-los, *
porque é Rei e Senhor desde sempre.
– Para os ímpios não há conversão, *
pois não temem a Deus, o Senhor.

21 Erguem a mão contra os próprios amigos, *
violando os seus compromissos;
22 sua boca está cheia de unção, *
mas o seu coração traz a guerra;
– suas palavras mais brandas que o óleo, *
na verdade, porém, são punhais.

23 Lança sobre o Senhor teus cuidados, *
porque ele há de ser teu sustento,
– e jamais ele irá permitir *
que o justo para sempre vacile!

24 Vós, porém, ó Senhor, os lançais *
no abismo e na cova da morte.
– Assassinos e homens de fraude *
não verão a metade da vida.
– Quanto a mim, ó Senhor, ao contrário: *
ponho em vós toda a minha esperança!

Ant. Lança sobre o Senhor teus cuidados,
porque ele há de ser teu sustento.

V. Ó meu filho, fica atento ao meu saber,

R. Presta ouvidos à minha inteligência!

Primeira leitura

Do Livro do Profeta Isaías             30,1-18

Inutilidade das alianças feitas com povos estrangeiros

1 “Ai dos rebeldes, – diz o Senhor –
não contais comigo em vossos planos,
não vos inspirais em mim para fazerdes alianças,
acumulando pecado sobre pecado!
2 Tendes-vos posto a caminho do Egito
mas não me consultastes,
esperando ajuda na força do faraó
e confiando mais na sombra do Egito.
3 Mas a força do faraó será vossa confusão
e a confiança na sombra do Egito será vossa vergonha.
4 Pois, quando os teus príncipes estiverem em Tani
e os teus embaixadores chegarem a Hanes,
5 todos estarão frustrados
devido a um povo que não lhes pode servir;
não será de ajuda e utilidade,
mas de confusão e vergonha”.
6 Oráculo dos animais de Negueb.
Na terra de aflições e angústias,
da leoa e do leão rugidor,
da víbora e do dragão voador,
ei-los carregando suas riquezas no dorso dos animais
e seus tesouros na corcova dos camelos
para um povo que não lhes pode ser útil.
7 Pois o Egito não ajuda de modo algum,
por isso o chamei Raab, a ociosa.
8 Agora vem, escreve sobre a tabuinha na presença deles
e redige isto com cuidado no livro,
para servir, no futuro, de depoimento para sempre.
9 O povo é rebelde,
são maus filhos,
filhos que não querem saber da lei do Senhor.
10 Dizem aos que vêem: “Isto não é para ver”
e aos que profetizam:
“Não nos indiqueis as coisas justas,
falai coisas agradáveis, mostrai-nos coisas alegres.
11 Deixai o nosso caminho, afastai-vos dele,
retirai de nossa frente o Santo de Israel”.
12 Por isso, diz o Santo de Israel:
“Por terdes rejeitado essas palavras
e posto a esperança na maldade e na falsidade,
apoiando-vos sobre elas,
13 por isso, tal iniqüidade será para vós
como uma brecha que está para fazer cair
a parte saliente de um muro alto,
cuja queda súbita, quando não se espera,
acontece de improviso;
14 como se faz em pedaços uma vasilha de barro,
que se quebra com pancada violenta,
de modo a não deixar entre os cacos um só
em que caiba uma brasa da fogueira
ou um pouco d’água do poço”.
15 Isto disse ainda o Senhor Deus, o Santo de Israel:
“Sereis salvos, se buscardes a salvação e a paz,
no silêncio e na esperança estará a vossa força”.
Mas recusastes
16 e dissestes:
“De modo algum, vamos fugir a cavalo”,
por isso fugireis;
e também: “Vamos montar cavalos velozes”,
por isso serão velozes os vossos perseguidores.
17 Pela ameaça de um só, mil se apavoram,
e a ameaça de cinco vos põe todos a correr,
até ficardes como um mastro na ponta do morro
e uma bandeirola no alto da colina.
18 Por isso o Senhor está pronto
a compadecer-se de vós,
e, perdoando-vos, será glorificado
na medida em que o Senhor é um Deus de justiça:
felizes todos aqueles que esperam nele.


Responsório Is 30,15b.18ad

R. É na calma e conversão que está a vossa salvação.
* É no silêncio e na esperança,que reside a vossa força.
V. O Senhor está à espera, desejando perdoar-vos;
felizes são aqueles, que esperam no Senhor.
* É no silêncio.

Segunda leitura

Dos Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, de São Bernardo, abade

(Sermo 83,4-6: Opera omnia, Edit. Cisterc. 2[1958], 300-302)                Séc.XII

Amo porque amo, amo para amar

O amor basta-se a si mesmo, em si e por sua causa encontra satisfação. É seu mérito, seu próprio prêmio. Além de si mesmo, o amor não exige motivo nem fruto. Seu fruto é o próprio ato de amar. Amo porque amo, amo para amar. Grande coisa é o amor, contanto que vá a seu princípio, volte à sua origem, mergulhe em sua fonte, sempre beba donde corre sem cessar. De todos os movimentos da alma, sentidos e afeições, o amor é o único com que pode a criatura, embora não condignamente, responder ao Criador e, por sua vez, dar-lhe outro tanto. Pois quando Deus ama não quer outra coisa senão ser amado, já que ama para ser amado; porque bem sabe que serão felizes pelo amor aqueles que o amarem.  

O amor do Esposo, ou melhor, o Esposo-Amor somente procura a resposta do amor e a fidelidade. Seja permitido à amada corresponder ao amor! Por que a esposa e esposa do Amor não deveria amar? Por que não seria amado o Amor?  

É justo que, renunciando a todos os outros sentimentos, única e totalmente se entregue ao amor, aquela que há de corresponder a ele, pagando amor com amor. Pois mesmo que se esgote toda no amor, que é isto diante da perene corrente do amor do outro? Certamente não corre com igual abundância o caudal do amante e do Amor, da alma e do Verbo, da esposa e do Esposo, do Criador e da criatura; há entre eles a mesma diferença que entre o sedento e a fonte.  

E então? Desaparecerá por isto e se esvaziará de todo a promessa da desposada, o desejo que suspira, o ardor da que a ama, a confiança da que ousa, já que não pode de igual para igual correr com o gigante, rivalizar a doçura com o mel, a brandura com o cordeiro, a alvura com o lírio, a claridade com o sol, a caridade com aquele que é a caridade?Não. Mesmo amando menos, por ser menor, se a criatura amar com tudo o que é, haverá de dar tudo. Por esta razão, amar assim é unir-se em matrimônio, porque não pode amar deste modo e ser menos amada, de sorte que no consenso dos dois haja íntegro e perfeito casamento. A não ser que alguém duvide ser amado primeiro e muito mais pelo Verbo.

Responsório Sl 30(31),20; 35(36),9

R. Como é grande, ó Senhor, vossa bondade,
* Que reservastes para aqueles que vos temem!
V. Na abundância de vossa morada
ele vem saciar-se de bens.
Vós lhes dais de beber água viva
nas torrentes de vossas delícias. * Que reservastes.

Oração

Ó Deus, que fizestes do abade São Bernardo, inflamado de zelo por vossa casa, uma luz que brilha e ilumina a Igreja, dai-nos, por sua intercessão, o mesmo fervor para caminharmos sempre como filhos da luz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

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