Ofício das Leituras da Memória de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja

V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

Eterno Sol, que envolveis
a criação de esplendor,
a vós, Luz pura das mentes,
dos corações o louvor.

Pelo poder do Espírito,
lâmpadas vivas brilharam.
Da salvação os caminhos
a todo o mundo apontaram.

Por estes servos da graça
fulgiu com novo esplendor
o que a palavra proclama
e que a razão demonstrou.

Tem parte em suas coroas,
pela doutrina mais pura,
este varão que louvamos
e como estrela fulgura.

Por seu auxílio pedimos:
dai-nos, ó Deus, caminhar
na direção da verdade
e assim a vós alcançar.

Ouvi-nos, Pai piedoso,
e vós, ó Filho, também,
com o Espírito Santo,
Rei para sempre. Amém.

Salmodia

Salmodia

Ant. 1 Levantai-vos, ó Senhor, vinde logo em meu socorro!

Salmo 34(35),1-2.3c.9-19.22-23.27.28

O Senhor salva nas perseguições

Reuniram-se… e resolveram prender Jesus por um ardil para o matar (Mt 26,3.4).

I

1 Acusai os que me acusam, ó Senhor, *
combatei os que combatem contra mim!
=2 Empunhai o vosso escudo e armadura; †
levantai-vos, vinde logo em meu socorro *
3c e dizei-me: “Sou a tua salvação!”

9 Então minh’alma no Senhor se alegrará *
e exulta de alegria em seu auxílio.
10 Direi ao meu Senhor com todo o ser: *
“Senhor, quem pode a vós se assemelhar,
– pois livrais o infeliz do prepotente *
e libertais o miserável do opressor?”

11 Surgiram testemunhas mentirosas, *
acusando-me de coisas que não sei.
12 Pagaram com o mal o bem que fiz, *
e a minh’alma está agora desolada!

Ant. Levantai-vos, ó Senhor, vinde logo em meu socorro!

Ant. 2 Defendei minha causa, Senhor poderoso!

II

=13 Quando eram eles que sofriam na doença, †
eu me humilhava com cilício e com jejum *
e revolvia minhas preces no meu peito;
14 eu sofria e caminhava angustiado *
como alguém que chora a morte de sua mãe.

=15 Mas apenas tropecei, eles se riram; †
como feras se juntaram contra mim *
e me morderam, sem que eu saiba seus motivos;
16 eles me tentam com blasfêmias e sarcasmos *
e se voltam contra mim rangendo os dentes.

Ant. Defendei minha causa, Senhor poderoso!

Ant. 3 Minha língua anuncia vossa justiça eternamente.

III

=17 Até quando, ó Senhor, podeis ver isso? †
Libertai a minha alma destas feras *
e salvai a minha vida dos leões!
18 Então, em meio à multidão, vos louvarei *
e na grande assembléia darei graças.

19 Que não possam nunca mais rir-se de mim *
meus inimigos mentirosos e injustos!
– Nem acenem os seus olhos com maldade *
aqueles que me odeiam sem motivo!

22 Vós bem vistes, ó Senhor, não vos caleis! *
Não fiqueis longe de mim, ó meu Senhor!
23 Levantai-vos, acordai, fazei justiça! *
Minha causa defendei, Senhor, meu Deus!

27 Rejubile de alegria todo aquele *
que se faz o defensor da minha causa
– e possa dizer sempre: “Deus é grande, *
ele deseja todo o bem para o seu servo!”
28 Minha língua anunciará vossa justiça *
e cantarei vosso louvor eternamente!

Ant. Minha língua anuncia vossa justiça eternamente.

V. Meu filho, observa as minhas palavras.
R. Conserva a doutrina e haverás de viver.

Primeira leitura

Do Livro do Profeta Jeremias                 4,5-8.13-28

O devastador há de vir do Norte

Assim fala o Senhor:
5 “Anunciai em Judá
e fazei ouvir em Jerusalém,
falai em público e tocai trombeta pelo país,
gritai com força estas palavras:
‘Vamos juntar-nos e entrar em nossos baluartes’.
6 Levantai bandeira para Sião,
ponde-vos a salvo, não fiqueis parados,
pois estou para trazer do Norte o mal,
uma calamidade enorme.
7 Já se levantou do covil o leão,
levantou-se o predador das nações;
saiu de sua terra
para transformar a tua terra em deserto;
as cidades serão devastadas
e ficarão sem habitantes.
8 Por isso, vesti sacos,
chorai e gritai,
pois não se afastou de nós a cólera do Senhor.
13 Eis que ele vem como uma nuvem
e seus carros correm como a tempestade;
seus cavalos são mais velozes que águias.
Pobres de nós, estamos arrasados!
14 Lava a maldade do teu coração
para salvar-te, Jerusalém;
até quando abrigarás em ti
pensamentos malvados?
15 Vem de Dã uma voz que anuncia
e revela, desde o monte Efraim, a calamidade.
16 Anunciai aos povos. Eles acorrem ao apelo!
Fazei ouvir tudo isto a Jerusalém:
“Estão chegando de terras distantes
tropas de vanguarda
e começaram a dar ordens à cidade de Judá;
17 agem como cães de guarda ao redor dela
– ela que tanto se obstinava contra mim”,
diz o Senhor.
18 Tua conduta e tuas obras
atraíram estes males sobre ti;
é este o fruto amargo de tua maldade
e que se faz sentir no teu coração.
19 Ai as minhas vísceras, as minhas vísceras!
De dor me contorço!
E o íntimo do meu coração?
Treme o coração dentro de mim:
não posso calar,
minh’alma ouviu a voz da trombeta
e o fragor da batalha.
20 Sucede um desastre a outro desastre,
toda a terra foi devastada,
minhas barracas e minhas tendas
foram derrubadas num momento.
21 Até quando verei ainda a nossa bandeira
e ouvirei o som das trombetas?
22 “Meu povo, porque é estulto,
não me conheceu;
seus filhos são insensatos e maus;
são espertos para fazer o mal,
mas não sabem praticar o bem”.
23 Olhei para a terra, achei-a vazia e deserta;
para os céus, estavam sem luz.
24 Olhei para os montes, e eles se moviam
e todas as colinas estremeciam.
25 Olhei, e notei que não havia seres humanos
e as aves do céu tinham fugido.
26 Olhei, e vi o jardim feito deserto
e todas as cidades que foram destruídas
na presença do Senhor, diante de sua ira.
27 Isto diz o Senhor:
“O país ficará deserto,
mas não lhe darei fim.
28 A terra há de chorar esse destino
e lá em cima os céus se enlutarão,
porque falei,
decretei e não me arrependo
nem voltarei atrás”.

Responsório                 Cf. Jr 4,24.26.27; Sl 84(85),5

R. Ante o furor de vossa ira, toda a terra se abalou.
* Mas, Senhor, tende piedade
e não chegueis ao extermínio.
V. Renovai-nos, nosso Deus e Salvador,
esquecei a vossa mágoa contra nós! * Mas, Senhor.
V. Se levardes em conta nossas faltas,
quem haverá de subsistir? * Nossas.

Segunda leitura

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo

(Lib. 7,10.18;10,27: CSEL 33,157-163.255)                (Séc.V)

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade!

Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável. Não era como a luz terena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz. 

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”. 

E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste. 

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.

Responsório

R. Ó luz e verdade do meu coração,
que as trevas em mim não gritem mais alto!
* Errei, mas voltei, lembrei-me de vós.
Eis que volto à fonte, cansado e sedento.
V. Não sou eu minha vida, pois por mim vivi mal;
mas em vós eu renasço. * Errei.


Oração

Renovai, ó Deus, na vossa Igreja aquele espírito com o qual cumulastes o bispo Santo Agostinho para que, repletos do mesmo espírito, só de vós tenhamos sede, fonte da verdadeira sabedoria, e só a vós busquemos, autor do amor eterno. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.


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