Ofício das Leituras da Memória de Santo Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja


V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

Hino

Eterno Sol, que envolveis
a criação de esplendor,
a vós, Luz pura das mentes,
dos corações o louvor.

Pelo poder do Espírito,
lâmpadas vivas brilharam.
Da salvação os caminhos
a todo o mundo apontaram.

Por estes servos da graça
fulgiu com novo esplendor
o que a palavra proclama
e que a razão demonstrou.

Tem parte em suas coroas,
pela doutrina mais pura,
este varão que louvamos
e como estrela fulgura.

Por seu auxílio pedimos:
dai-nos, ó Deus, caminhar
na direção da verdade
e assim a vós alcançar.

Ouvi-nos, Pai piedoso,
e vós, ó Filho, também,
com o Espírito Santo,
Rei para sempre. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Quem se tornar pequenino como uma criança,
há de ser o maior no Reino dos céus.

Salmo 130(131)

Confiança filial e repouso em Deus

Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração (Mt 11,29)

1 Senhor, meu coração não é orgulhoso, *
nem se eleva arrogante o meu olhar;
– não ando à procura de grandezas, *
nem tenho pretensões ambiciosas!

2 Fiz calar e sossegar a minha alma; *
ela es em grande paz dentro de mim,
– como a criança bem tranqüila, amamentada *
no regaço acolhedor de sua mãe.

3 Confia no Senhor, ó Israel, *
desde agora e por toda a eternidade!

Ant. Quem se tornar pequenino como uma criança,
há de ser o maior no Reino dos céus.


Ant. 2 Na simplicidade do meu coração,
alegre, vos dei tudo aquilo que tenho.

Salmo 131(132)

As promessas do Senhor à casa de Davi

O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu Pai (Lc 1,32).

I

1 Recordai-vos, ó Senhor, do rei Davi *
e de quanto vos foi ele dedicado;
2 do juramento que ao Senhor havia feito *
e de seu voto ao Poderoso de Jacó:

3 “Não entrarei na minha tenda, minha casa, *
nem subirei à minha cama em que repouso,
4 não deixarei adormecerem os meus olhos, *
nem cochilarem em descanso minhas pálpebras,
5 até que eu ache um lugar para o Senhor, *
uma casa para o Forte de Jacó!”

6 Nós soubemos que a arca estava em Éfrata *
e nos campos de Iaar a encontramos:
7 Entremos no lugar em que ele habita, *
ante o escabelo de seus pés o adoremos!

8 Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso, *
subi vós, com vossa arca poderosa!
9 Que se vistam de alegria os vossos santos, *
e os vossos sacerdotes, de justiça!
10 Por causa de Davi, o vosso servo, *
não afasteis do vosso Ungido a vossa face!

Ant. Na simplicidade do meu coração,
alegre, vos dei tudo aquilo que tenho.


Ant. 3 O Senhor fez a Davi um juramento,
e seu reino permanece para sempre.

II

11 O Senhor fez a Davi um juramento, *
uma promessa que jamais renegará:
– “Um herdeiro que é fruto do teu ventre *
colocarei sobre o trono em teu lugar!

12 Se teus filhos conservarem minha Aliança *
e os preceitos que lhes dei a conhecer,
– os filhos deles igualmente hão de sentar-se *
eternamente sobre o trono que te dei!”

13 Pois o Senhor quis para si Jerusalém *
e a desejou para que fosse sua morada:
14 “Eis o lugar do meu repouso para sempre, *
eu fico aqui: este é o lugar que preferi!”

15 “Abençoarei suas colheitas largamente, *
e os seus pobres com o pão saciarei!
16 Vestirei de salvação seus sacerdotes, *
e de alegria exultarão os seus fiéis!”

17 “De Davi farei brotar um forte Herdeiro, *
acenderei ao meu Ungido uma lâmpada.
18 Cobrirei de confusão seus inimigos, *
mas sobre ele brilhará minha coroa!”

Ant. O Senhor fez a Davi um juramento,
e seu reino permanece para sempre.


V. Vinde ver, contemplai os progios de Deus,
R. E a obra estupenda que fez no universo.

Primeira leitura

Da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios                 12,14−13,13

O Apóstolo anuncia a próxima visita para corrigir os coríntios

Irmãos: 12,14 Eis que, pela terceira vez, estou pronto para ir visitar-vos, e não vos serei pesado. Pois não busco os vossos bens, mas a vós mesmos! Aliás, não são os filhos que devem ajuntar bens para os pais, mas, sim, os pais para os filhos. 15Quanto a mim, de boa vontade despenderei ao máximo e me gastarei a mim mesmo inteiramente por vós. Será que, amando-vos mais, sou por isso menos amado? 16Mas seja! Eu não fui pesado para vós. Porém, astuto como sou, foi por esperteza que vos conquistei – assim dizem. 

17Acaso vos prejudiquei por algum daqueles que vos enviei? 18Insisti com Tito a ir ter convosco e com ele enviei o irmão. Acaso Tito vos explorou? Não procedemos no mesmo espírito? Não seguimos as mesmas pegadas? 

19Há muito tempo que pensais que fazemos nossa defesa diante de vós? Não! É diante de Deus, em Cristo, que nós falamos, e tudo, caríssimos, para a vossa edificação! 20Receio, com efeito, que, quando aí chegar, não vos encontre tais quais vos desejo encontrar e que, da vossa parte, me encontreis tal como não desejais encontrar-me. Receio que haja entre vós contendas, ciúmes, iras, disputas, maledicências, mexericos, insolências, desordens. 21Receio ainda que, na minha próxima visita, o meu Deus me humilhe por vossa causa, e que eu tenha que chorar por muitos dos que antes pecaram e ainda não se converteram da libertinagem, da fornicação e da devassidão, em que caíram. 

13,1 É a terceira vez que vou ter convosco. “Toda a questão será resolvida pelo depoimento de duas ou três testemunhas”. 2Já o disse, estando a segunda vez aí entre vós, e agora que estou ausente, o repito àqueles que anteriormente pecaram e a todos os demais: Se eu voltar mais uma vez, não pouparei ninguém, 3já que procurais uma prova de que Cristo fala em mim. Ele não se tem mostrado fraco para convosco, mas, pelo contrário, tem mostrado grande poder, entre vós. 4É verdade que ele foi crucificado, em razão da sua fraqueza, mas está vivo, pelo poder de Deus. Nós também somos fracos nele, mas com ele viveremos, pelo poder de Deus para convosco. 

5Examinai-vos bem a vós mesmos, para verdes se estais na fé. Submetei-vos à prova. Será que não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? A menos que estejais reprovados. 6Quanto a nós, espero que reconhecereis que não estamos reprovados. 7Rogamos a Deus que não façais mal algum, não para mostrar que somos aprovados, mas para que vós pratiqueis o bem, mesmo que nós sejamos tidos como reprovados. 8Com efeito, não podemos nada contra a verdade, mas somente a favor da verdade. 9Alegramo-nos quando somos fracos e vós, fortes. É isto que pedimos em nossas orações: que vos aperfeiçoeis sempre mais. 10Por isso, escrevo estas coisas, estando ausente, para que, uma vez presente, não precise agir com severidade, fazendo valer a autoridade que o Senhor me deu para edificação e não para destruição. 

11Enfim, irmãos, alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. 12Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todos os santos vos saúdam. 13A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós. 

Responsório 2Cor 13,11; Fl 4,7

R. Alegrai-vos, meus irmãos, procurai a perfeição,
tende paz e harmonia,
* E convosco estará o Deus da paz e do amor.
V. A paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento,
guarde os vossos corações no Senhor Cristo Jesus.
* E convosco.

Segunda leitura

Das Obras de Santo Afonso Maria de Ligório, bispo

(Tract. De praxi amandi Iesum Christum, edit. latina, Romae 1909, pp.9-14)            (Séc.XVII)

Sobre o amor a Jesus Cristo

Toda santidade e perfeição consiste no amor a Jesus Cristo, nosso Deus, nosso sumo bem e nosso redentor. É a caridade que une e conserva todas as virtudes que tornam o homem perfeito.

Será que Deus não merece todo o nosso amor? Ele nos amou desde toda a eternidade. “Lembra-te, ó homem, – assim nos fala – que fui eu o primeiro a te amar. Tu ainda não estavas no mundo, o mundo nem mesmo existia, e eu já te amava. Desde que sou Deus, eu te amo”.

Deus, sabendo que o homem se deixa cativar com os benefícios, quis atraí-lo ao seu amor por meio de seus dons. Eis por que disse: “Quero atrair os homens ao meu amor com os mesmos laços com que eles se deixam prender, isto é, com os laços do amor”. Tais precisamente têm sido todos os dons feitos por Deus ao homem. Deu-lhe uma alma dotada, à sua imagem, de memória, inteligência e vontade; deu-lhe um corpo provido de sentidos; para ele criou também o céu e a terra com toda a multidão de seres; por amor do homem criou tudo isso, para que todas as criaturas servissem ao homem e o homem, em agradecimento por tantos benefícios, o amasse.

Mas Deus não se contentou em dar-nos tão belas criaturas. Para conquistar todo o nosso amor, foi ao ponto de dar-se a si mesmo totalmente a nós. O Pai eterno chegou ao extremo de nos dar seu único Filho. Vendo-nos a todos mortos pelo pecado e privados de sua graça, que fez ele? Movido pelo imenso, ou melhor – como diz o Apóstolo – pelo seu demasiado amor, enviou seu amado Filho, para nos justificar e nos restituir a vida que havíamos perdido pelo pecado.

Ao dar-nos o Filho, a quem não poupou para nos poupar, deu-nos com ele todos os bens: a graça, a caridade e o paraíso. E porque todos estes bens são certamente menores do que o Filho, Deus, que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo junto com ele? (Rm 8,32).

Responsório             Sl 144(145),19-20a; 1Jo 3,9a

R. O Senhor cumpre os desejos dos que o temem, ele escuta seus clamores e os salva.
* O Senhor guarda todo aquele que o ama.
V. Todo aquele que é nascido de Deus, não vive cometendo pecados; pois fica nele a divina
semente.
* O Senhor.

Oração

Ó Deus, que suscitais continuamente em vossa Igreja novos exemplos de virtude, dai-nos seguir de tal modo os passos do bispo Santo Afonso no zelo pela salvação de todos, que alcancemos com ele a recompensa celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

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