Ofício das Leituras da Memória de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja

V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

Eterno Sol, que envolveis
a criação de esplendor,
a vós, Luz pura das mentes,
dos corações o louvor.

Pelo poder do Espírito,
lâmpadas vivas brilharam.
Da salvação os caminhos
a todo o mundo apontaram.

Por estes servos da graça
fulgiu com novo esplendor
o que a palavra proclama
e que a razão demonstrou.

Tem parte em suas coroas,
pela doutrina mais pura,
este varão que louvamos
e como estrela fulgura.

Por seu auxílio pedimos:
dai-nos, ó Deus, caminhar
na direção da verdade
e assim a vós alcançar.

Ouvi-nos, Pai piedoso,
e vós, ó Filho, também,
com o Espírito Santo,
Rei para sempre. Amém.

odia

Ant. 1 A palavra do Senhor é proteção
paraaqueles que a ele se confiam.

Salmo 17(18),31-51

Ação de graças

Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rm 8,31).

IV

31 São perfeitos os caminhos do Senhor, *
sua palavra é provada pelo fogo;
– nosso Deus é um escudo poderoso *
para aqueles que a ele se confiam.

32 Quem é deus além de Deus nosso Senhor? *
Quem é Rochedo semelhante ao nosso Deus?
33 Foi esse Deus que me vestiu de fortaleza *
e que tornou o meu caminho sem pecado.

34 Tornou ligeiros os meus pés como os da corça *
e colocou-me em segurança em lugar alto;
35 adestrou as minhas mãos para o combate, *
e os meus braços, para usar arcos de bronze.

Ant. A palavra do Senhor é proteção
paraaqueles que a ele se confiam.

Ant. 2 Com a vossa mão direita me amparastes.

V

=36 Por escudo vós me destes vossa ajuda; †
com a vossa mão direita me amparastes, *
e a vossa proteção me fez crescer.
37 Alargastes meu caminho ante meus passos, *
e por isso os meus pés não vacilaram.

38 Persegui meus inimigos e alcancei-os, *
não voltei sem os haver exterminado;
39 esmaguei-os, já não podem levantar-se, *
e debaixo dos meus pés caíram todos.

40 Vós me cingistes de coragem para a luta *
e dobrastes os rebeldes a meus pés.
41 Vós fizestes debandar meus inimigos, *
e aqueles que me odeiam dispersastes.

42 Eles gritaram, mas ninguém veio salvá-los; *
os seus gritos o Senhor não escutou.
43 Esmaguei-os como o pó que o vento leva *
e pisei-os como a lama das estradas.

44 Vós me livrastes da revolta deste povo *
e me pusestes como chefe das nações;
– serviu-me um povo para mim desconhecido, *
45 mal ouviu a minha voz, obedeceu.

= Povos estranhos me prestaram homenagem, †
46 povos estranhos se entregaram, se renderam *
e, tremendo, abandonaram seus redutos.

Ant. Com a vossa mão direita me amparastes.

Ant. 3 Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo! †

VI

47 Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo! *
† E louvado seja Deus, meu Salvador!
48 Porque foi ele, o Senhor, que me vingou *
e os povos submeteu ao meu domínio;

= libertou-me de inimigos furiosos, †
49 me exaltou sobre os rivais que resistiam *
e do homem sanguinário me salvou.
50 Por isso, entre as nações, vos louvarei, *
cantarei salmos, ó Senhor, ao vosso nome.

=51 Concedeis ao vosso rei grandes vitórias †
e mostrais misericórdia ao vosso Ungido, *
a Davi e à sua casa para sempre.

Ant. Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo!

V. Abri meus olhos, e então contemplarei
R. As maravilhas que encerra a vossa lei.

Primeira leitura

Do Livro do Profeta Jeremias             3,1-5.19–4,4

Convite à conversão

A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
3,1 “Se o marido repudia sua mulher
e esta, separando-se dele,
se casa com outro homem,
acaso ainda voltará para ela?
Acaso não está profanado
e contaminado um país assim?
Cometeste adultério com muitos amantes,
voltarás para mim?
– diz o Senhor.
2 Levanta os olhos para as colinas
e vê se há lugar onde não te prostituíste.
Sentavas-te à beira do caminho à espera deles,
como o árabe do deserto;
profanaste a terra
com tuas práticas luxuriosas, com tua imoralidade.
3 Por isso te foram negadas as águas da chuva,
e não voltou a chover na primavera.
Ostentaste o rosto de uma meretriz,
incapaz de envergonhar-se.
4 Agora, ainda me chamas:
‘Tu és o meu pai, guia de minha meninice!
5 Pode ele ficar irado para sempre,
continuar indignado até ao fim?’
Assim falaste,
mas continuaste a praticar o mal.
19 Mas eu disse:
Como hei de considerar-te um dos filhos
e dar-te uma terra agradável,
a mais bela herança entre as nações?
Ainda disse: Vós me chamareis pai
e não deixareis de me seguir.
20 Oh! não, vós me desprezastes, casa de Judá,
como a mulher abandona o seu amante”,
diz o Senhor.
21 Ouviu-se nas colinas a voz
de choro e de súplicas: são filhos de Israel,
eles que trilharam o mau caminho
e esqueceram o Senhor, seu Deus.
22 “Convertei-vos, filhos que me tendes rejeitado,
vou curar os males dessa rejeição”.
“Eis-nos, então, viemos a ti;
tu és o Senhor, nosso Deus.
23 Aquelas colinas eram mentirosas,
mentirosa a agitação nos montes;
somente no Senhor, nosso Deus,
está a salvação de Israel.
24 A infâmia destruiu o trabalho de nossos pais
desde a nossa juventude,
seus rebanhos e o gado,
seus filhos e filhas.
25 Vamos dormir com essa infâmia,
cobertos de vergonha;
nós ofendemos o Senhor, nosso Deus,
nós e nossos pais,
desde a juventude até ao dia de hoje,
não escutamos a voz do Senhor, nosso Deus”.
4,1 “Se queres, Israel,
diz o Senhor,
é para mim que deves voltar;
se removeres de minha frente os teus ídolos,
 então não fugirás.
2 Pois hás de jurar: ‘O Senhor vive!’
e o farás pela verdade,
pelo juízo divino e pela justiça,
nele as nações serão abençoadas
e compartilharão de sua glória.
3 Isto diz o Senhor
aos homens de Judá e de Jerusalém:
Refazei vosso campo cultivado,
não queirais semear sobre espinhos.
4 Circuncidai-vos para o Senhor
e retirai o prepúcio do coração,
ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém,
para não suscitardes o fogo de minha indignação;
não o façais crescer, a ponto de não se apagar,
devido a vossas obras perversas”.

Responsório             Jr 14,7; Sl 129(130),3

R. Se as nossas maldades nos acusam,
agi em nós, ó Senhor, por vosso nome!
* Nossas culpas são muitas, realmente,
ó Senhor, pois pecamos contra vós.
V. Se levardes em conta nossas faltas,
quem haverá de subsistir? * Nossas.

Segunda leitura

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo

(Lib. 7,10.18;10,27: CSEL 33,157-163.255)                (Séc.V)

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade!

Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável. Não era como a luz terena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz. 

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”. 

E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste. 

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.

Responsório

R. Ó luz e verdade do meu coração,
que as trevas em mim não gritem mais alto!
* Errei, mas voltei, lembrei-me de vós.
Eis que volto à fonte, cansado e sedento.
V. Não sou eu minha vida, pois por mim vivi mal;
mas em vós eu renasço. * Errei.


Oração

Renovai, ó Deus, na vossa Igreja aquele espírito com o qual cumulastes o bispo Santo Agostinho para que, repletos do mesmo espírito, só de vós tenhamos sede, fonte da verdadeira sabedoria, e só a vós busquemos, autor do amor eterno. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.


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