São Carlos Lwanga e os mártires de Uganda

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Celebramos hoje a memória de Carlos Lwanga e seus companheiros. Carlos era chefe dos pajens, que serviam na corte do rei Muanga da Uganda. Ele foi impactado pela missão dos “Padres Brancos”, congregação fundada pelo cardeal Lavigérie, causando nele uma forte vontade de rezar, o que era proibido no reino de Mwanga.
O rei decidiu então acabar com a presença cristã em Uganda, avisando que todos aqueles que rezassem seriam mortos.
Firmes no desejo da oração e na decisão de professar a fé, Carlos, reuniu todos os seus companheiros e fez com que rezassem juntos, preparando para aquilo que iria acontecer em breve.
No dia 3 de junho de 1886, Carlos foi queimado vivo, rezando e declarando a sua fé até o último momento. Pouco tempo depois, com a oportunidade de desistir, os seus companheiros também foram mortos por proclamarem a fé.
Os vinte e dois mártires de Uganda foram beatificados em 1920, sendo canonizado trinta anos depois pelo Papa Paulo VI.
Carlos de Lwanga é considerado o “Padroeiro da Juventude Africana”, por ter sido firme e corajoso na fé, arrastando assim, os seus companheiros jovens para a Salvação.


Homilia do papa Paulo VI, pronunciada na canonização dos mártires de Uganda

            Estes mártires africanos acrescentam ao rol dos vencedores, chamado Martirológio, uma página ao mesmo tempo trágica e grandiosa. É uma página verdadeiramente digna de figurar ao lado das célebres narrações da antiga África. No tempo em que vivemos, por causa da pouca fé, julgávamos que nunca mais elas viriam a ter semelhante continuação.

            Quem poderia imaginar, por exemplo, que àquelas Atas tão comovedoras dos mártires de Cíli, dos mártires de Cartago, dos mártires “Massa Candida” de Ótica comemorados por Santo Agostinho e Prudêncio, dos mártires do Egito tão louvados por São João Crisóstomo, dos mártires da perseguição dos vândalos, viriam em nossos tempos juntar-se novas páginas de história não menos valorosas nem menos brilhantes?

            Quem teria podido pressentir que, às grandes figuras históricas dos santos mártires e confessores africanos bem conhecidos, como Cipriano, Felicidade e Perpétua e o grande Agostinho, haveríamos de um dia associar Carlos Lwanga, Matias Mulimba Kalemba, nomes tão caros para nós, e os seus vinte companheiros? E não querendo também esquecer os outros que, professando a religião anglicana, sofreram a morte pelo nome de Cristo. Estes mártires africanos dão, sem dúvida, início a uma nova era. Oxalá não seja ela de perseguições e lutas religiosas, mas de renovação cristã e cívica!

            Na realidade, a África, orvalhada pelo sangue destes mártires, os primeiros desta nova era (e queira Deus que sejam os últimos – tão grande e precioso é o seu holocausto!), a África, agora sim, renasce livre e independente.

            O ato criminoso que os vitimou é tão cruel e significativo, que apresenta fatores suficientes e claros para a formação moral de um povo novo e para a fundação de uma nova tradição espiritual. E também para exprimirem e promoverem a passagem de uma cultura simples e rudimentar – não desprovida de magníficos valores humanos, mas contaminada e enfraquecida, como se fosse escrava de si mesma – a uma civilização aberta às mais altas manifestações da inteligência humana e às mais elevadas formas de vida social.

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Helber Clayton é leigo católico, servidor público, escritor, casado, formado em Letras, com licenciatura em Língua Portuguesa, Língua Inglesa e respectivas literaturas, Especialista em Língua Latina e Filologia Românica.
Mora em Teixeira de Freitas na Bahia

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