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Quarta-feira da 5ª Semana do Tempo Comum

Ofício das Leituras

V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:

Criastes céu e terra,
a vós tudo obedece;
livrai a nossa mente
do sono que entorpece.

As culpas perdoai,
Senhor, vos suplicamos;
de pé, para louvar-vos,
o dia antecipamos.

À noite as mãos e as almas
erguemos para o templo:
mandou-nos o Profeta,
deixou-nos Paulo o exemplo.

As faltas conheceis
e até as que ocultamos;
a todas perdoai,
ansiosos suplicamos.

A glória seja ao Pai,
ao Filho seu também,
ao Espírito igualmente,
agora e sempre. Amém.

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

A vós, honra e glória,
Senhor do saber,
que vedes o íntimo
profundo do ser,
e em fontes de graça
nos dais de beber.

As boas ovelhas
guardando, pastor,
buscais a perdida
nos montes da dor,
unindo-as nos prados
floridos do amor.

A ira do Rei
no dia final
não junte aos cabritos
o pobre mortal.
Juntai-o às ovelhas
no prado eternal.

A vós, Redentor,
Senhor, Sumo Bem,
louvores, vitória
e glória convém,
porque reinais sempre
nos séculos. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força! †

Salmo 17(18),2-30

Ação de graças pela salvação e pela vitória

Na mesma hora aconteceu um grande terremoto (Ap 11,13).

I

2 Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força, *
3 minha rocha, meu refúgio e Salvador!
= Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, †
minha força e poderosa salvação, *
sois meu escudo e proteção: em vós espero!

4 Invocarei o meu Senhor: a ele a glória! *
e dos meus perseguidores serei salvo!
5 Ondas da morte me envolveram totalmente, *
e as torrentes da maldade me aterraram;
6 os laços do abismo me amarraram *
e a própria morte me prendeu em suas redes.

7 Ao Senhor eu invoquei na minha angústia *
e elevei o meu clamor para o meu Deus;
– de seu Templo ele escutou a minha voz, *
e chegou a seus ouvidos o meu grito.

Ant. Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força!

Ant. 2 O Senhor me libertou, porque me ama.

II

=8 A terra toda estremeceu e se abalou, †
os fundamentos das montanhas vacilaram *
e se agitaram, porque Deus estava irado.
=9 De seu nariz, fumaça em nuvens se elevou, †
da boca saiu fogo abrasador *
dos seus lábios, carvões incandescentes.

10 Os céus ele abaixou e então desceu *
pousando em nuvens pretas os seus pés.
11 Um querubim o conduzia no seu vôo, *
sobre as asas do vento ele pairava.

12 Das trevas fez um véu para envolver-se, *
escondeu-se em densas nuvens e água escura.
13 No clarão que procedia de seu rosto, *
carvões incandescentes se acendiam.

14 Trovejou dos altos céus o Senhor Deus, *
o Altíssimo fez ouvir a sua voz;
15 e, lançando as suas flechas, dissipou-os, *
dispersou-os com seus raios fulgurantes.

16 Até o fundo do oceano apareceu, *
e os fundamentos do universo foram vistos,
– ante as vossas ameaças, ó Senhor, *
e ao sopro abrasador de vossa ira.

17 Lá do alto ele estendeu a sua mão *
e das águas mais profundas retirou-me;
18 libertou-me do inimigo poderoso *
e de rivais muito mais fortes do que eu.

19 Assaltaram-me no dia da aflição, *
mas o Senhor foi para mim um protetor;
20 colocou-me num lugar bem espaçoso: *
o Senhor me libertou, porque me ama.

Ant. O Senhor me libertou, porque me ama.

Ant. 3 Ó Senhor, fazei brilhar a minha lâmpada!
Ó meu Deus, iluminai as minhas trevas!

III

21 O Senhor recompensou minha justiça *
e a pureza que encontrou em minhas mãos,
22 pois nos caminhos do Senhor eu caminhei, *
e de meu Deus não me afastei por minhas culpas.

23 Tive sempre à minha frente os seus preceitos, *
e de mim não afastei sua justiça.
24 Diante dele tenho sido sempre reto *
e conservei-me bem distante do pecado.
25 O Senhor recompensou minha justiça *
e a pureza que encontrou em minhas mãos.

26 Ó Senhor, vós sois fiel com o fiel, *
sois correto com o homem que é correto;
27 sois sincero com aquele que é sincero, *
mas arguto com o homem astucioso.
28 Pois salvais, ó Senhor Deus, o povo humilde, *
mas os olhos dos soberbos humilhais.

29 Ó Senhor, fazeis brilhar a minha lâmpada; *
ó meu Deus, iluminais as minhas trevas.
30 Junto convosco eu enfrento os inimigos, *
com vossa ajuda eu transponho altas muralhas.

Ant. Ó Senhor, fazei brilhar a minha lâmpada!
Ó meu Deus, iluminai as minhas trevas!

V. todos se admiravam das palavras
R. Cheias de graça que saíam de seus bios.

Primeira leitura


Da Carta de São Paulo aos Gálatas 3,15–4,7

A função da lei

3,15Irmãos, falo como homem: um testamento humano feito legitimamente não pode ser anulado nem modificado. 16Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: “e a seus descendentes”, como se fossem muitos, mas fala de um só: e a teu descendente que é Cristo. 17Afirmo, portanto: o testamento autenticado por Deus não pode ser anulado, de modo que a promessa seja anulada por uma Lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois. 18Pois, se a herança se obtivesse pela Lei, já não proviria da promessa. Ora, Deus concedeu a graça a Abraão pela promessa.

19Então, por que a Lei? É um apêndice acrescentado devido às transgressões, promulgado por anjos, em mão de um mediador, até que viesse o Descendente, a quem fora feita a promessa. 20Ora, não há intermediário, tratando-se de uma pessoa só, e Deus é um só. 21Então, a Lei seria contra as promessas de Deus? – De modo algum! Com efeito, se tivesse sido dada uma lei capaz de comunicar a vida, então a justiça viria realmente da Lei. 22A Escritura pôs todos e tudo sob o jugo do pecado, a fim de que, pela fé em Jesus Cristo, se cumprisse a promessa em favor dos que crêem.

23Antes que se inaugurasse o regime da fé, nós éramos guardados, como prisioneiros, sob o jugo da Lei. Éramos guardados para o regime da fé, que estava para ser revelado. 24Assim, a Lei foi como um pedagogo que nos conduziu até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. 25Mas, uma vez inaugurado o regime da fé, já não estamos na dependência desse pedagogo. 26Com efeito, vós todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. 27Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. 28O que vale não é mais ser judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um só, em Jesus Cristo. 29Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.

4,1Enquanto o herdeiro é menor de idade, ele não se diferencia em nada de um escravo, embora já seja dono de todos os bens. 2É que ele depende de tutores e curadores até à data marcada pelo pai. 3Assim, nós também, quando éramos menores, estávamos escravizados aos elementos do mundo. 4Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, 5a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá – ó Pai! 7Assim já não és mais escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso, por graça de Deus.

Responsório Gl 3,27.28; cf. Ef 4,24

R. No Cristo batizados, revestimo-nos de Cristo.
Já não  judeu nem grego,
* Todos nós somos um  em Jesus Cristo, Senhor nosso.

V. Revesti-vos do homem novo que, à imagem do Senhor,
foi criado na justiça e santidade verdadeira.
* Todos nós.

Segunda leitura


Das Cartas de Santo Ambrósio, bispo

(Ep. 35,4-6.13: PL 16 [ed. 1845],1078-1079.1081)

(Séc. IV)

Somos herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo

Quem, diz o Apóstolo, faz morrer pelo espírito as obras da carne, viverá. Não admira que viva, pois quem tem o Espírito de Deus se torna filho de Deus. É verdadeiro filho de Deus porque não recebe o espírito de servidão, mas de adoção dos filhos, a ponto de dar o Espírito Santo a nosso espírito o testemunho de que somos filhos de Deus. Este testemunho vem do Espírito Santo, pois é ele mesmo quem clama em nossos corações: “Abá! meu Pai!”, como se lê na Carta aos Gálatas. Grande testemunho é sermos filhos de Deus, porque somos assim herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo. Co-herdeiro é aquele que é conglorificado com ele; e conglorificado é quem, sofrendo por ele, padece com ele.

Para estimular-nos à paixão, Paulo acrescenta que tudo quanto sofremos é pouco e sem proporção às recompensas dos futuros bens que se revelarão em nós. Recriados à imagem de Deus, mereceremos ver sua glória face a face.

Para aumentar a grandeza da futura revelação, o Apóstolo acrescenta que também as criaturas estão na expectativa desta revelação dos filhos de Deus, apesar de agora estarem submetidas, não por própria vontade, mas na esperança. Esperam de Cristo a paga de seus serviços. Isto é, serem libertas da escravidão da corrupção, a fim de que também elas sejam incluídas na liberdade da glória dos filhos de Deus. Deste modo haverá uma única liberdade, a liberdade das criaturas e dos filhos de Deus, quando se revelar sua glória. Na verdade agora, demorando tanto a revelação, toda criatura geme, enquanto aguarda ansiosa nossa adoção e redenção gloriosas, dando já à luz o espírito de salvação, no desejo de libertar-se da sujeição à vaidade.

O sentido é muito claro: possuindo as primícias do Espírito, eles gemem, na expectativa da adoção de filhos. Esta adoção é a redenção de todo o corpo, quando, como filho adotivo de Deus, verá face a face aquele divino e eterno Bem. Há a adoção de filhos na Igreja do Senhor, quando o Espírito clama: Abá, Pai, tal como se diz aos Gálatas. Contudo só será perfeita no momento em que todos ressuscitem incorruptos, belos, gloriosos, todos os que merecerem contemplar a face de Deus. Só então a condição humana se sentirá verdadeiramente remida. Por isso rejubila-se o Apóstolo ao dizer: Pela esperança somos salvos. A esperança salva à semelhança da fé, da qual se diz: Tua fé te salvou.

Responsório Rm 8,17b; 5,9

R. De Deus somos herdeiros e de Cristo co-herdeiros.
* Se, com Cristo, padecemos, com ele nós seremos,
também, glorificados.

V. Justificados por seu sangue, por ele nós seremos
salvos da ira, que há de vir. * Se, com Cristo.

Oração

Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.