Ofício das Leituras de Sexta-feira da 12ª Semana do Tempo Comum

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V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:

Reinais no mundo inteiro,
Jesus, ó sol divino;
deixamos nossos leitos,
cantando este hino.

Da noite na quietude,

Ao som da voz do galo,
já foge a noite escura.
Ó Deus, ó luz da aurora,
nossa alma vos procura.

Enquanto as coisas dormem,
guardai-nos vigilantes,
brilhai aos nossos olhos
qual chama cintilante.

Do sono já despertos,
por graça imerecida,
de novo contemplamos
a luz, irmã da vida.

Ao Pai e ao Filho glória,
ao seu Amor também,
Deus Trino e Uno, luz
e vida eterna. Amém.

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

Criador do Universo
do Pai luz e resplendor,
revelai-nos vossa face
e livrai-nos do pavor.

Pelo Espírito repletos,
templos vivos do Senhor,
não se rendam nossas almas
aos ardis do tentador,

para que, durante a vida,
nas ações de cada dia,
pratiquemos vossa lei
com amor e alegria.

Glória a Cristo, Rei clemente,
e a Deus Pai, Eterno Bem,
com o Espírito Paráclito,
pelos séculos. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Ó meu Deus, escutai minha prece,
ao clamor do inimigo estremeço!

Salmo 54(55),2-15.17-24

Oração depois da traição de um amigo

Jesus começou a sentir medo e angústia (Mc 14,33)

I

2 Ó meu Deus, escutai minha prece, *
não fujais desta minha oração!
3 Dignai-vos me ouvir, respondei-me: *
a angústia me faz delirar!

4 Ao clamor do inimigo estremeço, *
e ao grito dos ímpios eu tremo.
– Sobre mim muitos males derramam, *
contra mim furiosos investem.

5 Meu coração dentro em mim se angustia, *
e os terrores da morte me abatem;
6 o temor e o tremor me penetram, *
o pavor me envolve e deprime!

=7 É por isso que eu digo na angústia: †
Quem me dera ter asas de pomba *
e voar para achar um descanso!
8 Fugiria, então, para longe, *
e me iria esconder no deserto.

Ant. Ó meu Deus, escutai minha prece,
ao clamor do inimigo estremeço!

Ant. 2 O Senhor have de libertar-nos
da mão do inimigo traiçoeiro.

II

– 9 Acharia depressa um regio *
contra o vento, a procela, o tufão.
=10 Ó Senhor, confundi as más línguas; †
dispersai-as, porque na cidade *
só se  violência e discórdia!

=11 Dia e noite circundam seus muros, †
12 dentro dela há maldades e crimes, *
a injustiça, a opressão moram nela!
– Violência, imposturas e fraudes *
já não deixam suas ruas e praças.

13 Se o inimigo viesse insultar-me, *
poderia aceitar certamente;
– se contra mim investisse o inimigo, *
poderia, talvez, esconder-me.

14 Mas és tu, companheiro e amigo, *
tu, meu íntimo e meu familiar,
15 com quem tive agradável convívio *
com o povo, indo à casa de Deus!

Ant. O Senhor have de libertar-nos
da mão do inimigo traiçoeiro.

Ant. 3 Lança sobre o Senhor teus cuidados,
porque ele há de ser teu sustento.

III

17 Eu, porém, clamo a Deus em meu pranto, *
e o Senhor me haverá de salvar!
18 Desde a tarde, à manhã, ao meio-dia, *
faço ouvir meu lamento e gemido.

19 O Senhor há de ouvir minha voz, *
libertando a minh’alma na paz,
– derrotando os meus agressores, *
porque muitos estão contra mim!

20 Deus me ouve e haverá de humilhá-los, *
porque é Rei e Senhor desde sempre.
– Para os ímpios não há conversão, *
pois não temem a Deus, o Senhor.

21 Erguem a mão contra os próprios amigos, *
violando os seus compromissos;
22 sua boca está cheia de unção, *
mas o seu coração traz a guerra;
– suas palavras mais brandas que o óleo, *
na verdade, porém, são punhais.

23 Lança sobre o Senhor teus cuidados, *
porque ele há de ser teu sustento,
– e jamais ele irá permitir *
que o justo para sempre vacile!

24 Vós, porém, ó Senhor, os lançais *
no abismo e na cova da morte.
– Assassinos e homens de fraude *
não verão a metade da vida.
– Quanto a mim, ó Senhor, ao contrário: *
ponho em vós toda a minha esperança!

Ant. Lança sobre o Senhor teus cuidados,
porque ele há de ser teu sustento.

V. Ó meu filho, fica atento ao meu saber,
R. Presta ouvidos à minha inteligência!

Primeira leitura

Do Primeiro Livro de Samuel 25,14-24.28-39

Davi e Abigail

Naqueles dias: 14Abigail, mulher de Nabal, foi informada por um dos seus servos, que lhe disse: “Davi mandou mensageiros, do deserto, para saudar nosso amo, mas ele recebeu-os mal. 15No entanto, esses homens trataram-nos sempre muito bem, e nunca fomos molestados por eles; nem nos causaram prejuízo algum, durante todo o tempo em que vivemos juntos no deserto. 16Pelo contrário, serviram-nos de muro de defesa, dia e noite, enquanto estivemos com eles apascentando os rebanhos. 17Vê, pois, o que tens a fazer, porque a ruína de nosso amo e de toda a sua casa é coisa decidida, tanto mais que ele é um malvado, com quem não se pode falar”.

18Então Abigail apressou-se a tomar duzentos pães, dois odres de vinho, cinco cordeiros preparados, cinco medidas de trigo torrado, cem tortas de uvas secas, duzentas de figos secos, colocando tudo sobre jumentos. 19E disse aos seus servos: “Ide na frente, e eu seguirei atrás de vós”. Mas não disse nada a seu marido. 20Ia ela montada num jumento, descendo por um caminho secreto da montanha, quando topou com Davi e seus homens, que vinham em sentido inverso; e foi ao encontro deles. 21Davi vinha dizendo: “Na verdade, foi em vão que eu guardei tudo o que esse homem possuía no deserto, sem que lhe fosse tirada coisa alguma, e ele me paga o bem com o mal! 22Deus trate com todo o seu rigor a Davi, se, de toda a gente de Nabal, eu deixar com vida até amanhã, um só

que seja do sexo masculino!”

23Quando Abigail avistou Davi, desceu prontamente do seu jumento, fez a Davi uma profunda reverência e prostrou-se diante dele com o rosto em terra. 24Assim prostrada aos seus pés, disse-lhe: “Recaia sobre mim, meu senhor, esta culpa! Deixa falar a tua escrava e ouve as suas palavras. 28Perdoa a culpa da tua escrava. O Senhor dará à casa do meu senhor uma existência estável, porque tu, meu senhor, combates as guerras de Deus. Que não se encontre em ti culpa alguma em todos os dias da tua vida. 29Se alguém te perseguir ou conspirar contra a tua vida, a existência do meu senhor ficará guardada no cofre da vida, junto do Senhor, teu Deus, enquanto a vida de teus inimigos será lançada para longe, como a pedra de uma funda. 30E quando o Senhor tiver feito ao meu senhor todo o bem que lhe prometeu, e te houver estabelecido chefe sobre Israel, 31não terás, meu senhor, no coração este pesar nem este remorso de teres derramado sangue sem motivo e de teres feito justiça por tua própria mão. E quando o Senhor te tiver feito bem, meu senhor, lembra-te da tua escrava”.

32Davi respondeu a Abigail: “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que te mandou hoje ao meu encontro! Bendita seja a tua prudência, 33e bendita sejas tu mesma, que me impediste hoje de derramar sangue e de fazer vingança pela minha mão! 34Mas, pelo Senhor, Deus de Israel, que me impediu de te fazer o mal, se não tivesses vindo tão depressa ao meu encontro, de hoje para amanhã, dos que vivem na casa de Nabal, nem um só do sexo masculino teria ficado com vida”. 35Então Davi aceitou da sua mão tudo o que ela tinha trazido, dizendo-lhe: “Volta em paz para a tua casa. Fiz o que me pediste por consideração para contigo”.

36Abigail voltou para junto de Nabal. Ele estava justamente dando um banquete em casa, um verdadeiro festim de rei. Nabal tinha o coração alegre e estava completamente embriagado. Por isso ela nada lhe disse, nem pouco nem muito, até o dia seguinte. 37Mas, pela manhã, depois que Nabal tinha curtido o seu vinho, sua mulher contou-lhe tudo. Então o coração dele congelou-se no peito, ficando como petrificado. 38Dez dias depois, Nabal, ferido pelo Senhor, morreu.

39Quando Davi soube da notícia da morte de Nabal, exclamou: “Bendito seja o Senhor, que vingou o ultraje que Nabal me fez, e que me impediu de fazer-lhe mal! O Senhor fez cair sobre sua cabeça a sua própria maldade!” Então Davi enviou mensageiros a Abigail com a proposta de ela se tornar sua mulher.

Responsório 1Sm 25,32a.33b; Mt 5,7

R. Bendito seja o Senhor Deus de Israel
que hoje te enviou ao meu encontro!
* Não me deixaste, hoje, sangue derramar
e vingar-me pelas minhas próprias mãos.
V. Felizes os misericordiosos,
pois, também, alcançarão misericórdia.
* Não me deixaste.

Segunda leitura

Das Homilias, de São Gregório de Nissa, bispo

(Orat. 6: De beatitudinibus: PG 44,1266-1267)             (Séc.IV)

A esperança de ver a Deus

A promessa de Deus é tão grande que supera o limite máximo da felicidade. O que poderá alguém desejar a mais acima deste bem, quando possui tudo naquele a quem vê? Com efeito, ver, conforme as Escrituras, significa ter. Por exemplo: Vejas os bens de Jerusalém é o mesmo que encontres tais bens. E dizendo: Seja repelido o ímpio, não veja a glória do Senhor, o Profeta quer significar por não veja que não seja participante.

Por conseguinte, quem vê a Deus possui tudo quanto há de bom pelo fato de ver. Possui a vida sem fim, a eterna incorruptibilidade, a felicidade imortal, o reino sem fim, a alegria contínua, a verdadeira luz, a palavra espiritual e suave, a glória intangível, a perpétua exultação. Em suma, possui todos os bens.

Decerto é enorme e imensamente valioso o que a promessa da felicidade propõe pela esperança. Contudo, como foi dito, o modo de ver a Deus repousa na pureza do coração. Neste ponto novamente o meu espírito tonteia, duvidando que esta pureza do coração consista em coisas que estejam fora de nosso alcance e que superem de muito nossa natureza. Pois se, por um lado, Deus pode ser visto através desta pureza, por outro lado, contudo, nem Moisés nem Paulo o viram. Com efeito, eles mesmos afirmam que nem eles nem outro qualquer podem ver a Deus. Sendo assim, aquela felicidade agora proposta pelo Verbo parece coisa que nem se pode realizar nem sequer imaginar.

Que vantagem, pois, temos em saber de que modo se vê a Deus, se não temos a capacidade para tanto? Seria o mesmo que falar alguém sobre a felicidade de se morar no céu, porque lá se contempla o que na terra não se vê. De certo,quando se mostrasse algum caminho para ir ao céu, teria alguma utilidade para os ouvintes conhecer quanta felicidade existe em lá estar. Mas enquanto não for possível a subida, o que nos importa saber da felicidade celeste? Porventura serviria de alguma coisa senão para nos afligir e nos inquietar o ter conhecimento de que coisas estamos privados e impedidos de atingir? Será que o Senhor nos exorta a algo que supera nossa natureza e a grandeza do preceito ultrapassa as forças humanas?

Não é assim, pois ele não ordena serem pássaros aqueles que não têm asas, nem a viverem dentro da água os que destinou à vida terrestre. Se, portanto, em tudo o mais a lei se ajusta à capacidade dos que a recebem e não obriga a coisa alguma acima da natureza, entendamos que também aqui será tudo conforme e não há que desesperar daquilo que nos é mostrado como felicidade.

De fato, nem João nem Paulo nem Moisés nem outros como eles ficaram privados desta sublime beatitude, oriunda da visão de Deus. De fato, nem dela está privado aquele que disse: Está guardada para mim a coroa da justiça que me dará o justo Juiz; nem aquele que reclinou a cabeça no peito de Jesus; nem, igualmente, aquele que ouviu da voz divina: Eu te conheci mais que a todos.

Por conseguinte, se não há dúvida de que são felizes aqueles que afirmaram estar a contemplação de Deus acima de nossas forças e se a felicidade consiste na visão de Deus e se a Deus vê quem tem o coração puro, então é claro que a pureza de coração, que torna o homem feliz, não está entre as coisas que nos são impossíveis.

De fato, os que pretendem basear-se em Paulo,para declarar que a visão de Deus está acima de nossas forças, têm contra si a palavra do Senhor, que promete acesso à visão de Deus pela pureza do coração.

Responsório Sl 62(63),2bc; 16(17),15

R. A minh’alma tem sede de vós,
* Minha carne, também, vos deseja.
V. Eu verei, justificado, a vossa face
e, ao despertar, me saciará vossa presença.
* Minha carne.

Oração

Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

Categorias
Helber Clayton é leigo católico, servidor público, escritor, casado, formado em Letras, com licenciatura em Língua Portuguesa, Língua Inglesa e respectivas literaturas, Especialista em Língua Latina e Filologia Românica.
Mora em Teixeira de Freitas na Bahia

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