Ofício das Leituras de Quarta-feira da XII Semana do Tempo Comum

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V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:

Autor dos seres, Redentor dos tempos,
Juiz temível, Cristo, Rei dos reis,
nosso louvor, o nosso canto e prece,
clemente, acolhei.

Sobe até vós no transcorrer da noite,
como oferenda, um jovial louvor.
Por vós aceito, traga a nós conforto,
da luz, ó Autor.

A honestidade alegre os nossos dias,
não haja morte e treva em nossa vida.
Em nossos atos, sempre a vossa glória
seja refletida!

Queimai em nós o coração e os rins
com a divina chama, o vosso amor.
Velemos, tendo em mãos acesas lâmpadas,
pois vem o Senhor.

Ó Salvador, a vós louvor e glória,
e a vosso Pai, Deus vivo, Sumo Bem.
Ao Santo Espírito o céu entoe hosanas
para sempre. Amém.

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

Luz verdadeira, amor, piedade,
e alegria sem medida;
da morte, ó Cristo, nos salvastes!
Por vosso sangue temos vida.

O vosso amor nos corações,
nós vos pedimos, derramai;
dai-lhes da fé a luz eterna
e em caridade os confirmai.

De nós se afaste Satanás,
por vossas forças esmagado.
E venha a nós o Santo Espírito
do vosso trono o Enviado.

Louvor a Deus, eterno Pai,
e a vós seu Filho, Sumo Bem,
reinando unidos pelo Espírito
hoje e nos séculos. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!

Salmo 102(103)

Hino à misericórdia do Senhor

Graças à misericordiosa compaixão do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos veio visitar (cf. Lc 1,78).

I

1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, *
todo o meu ser, seu santo nome!
2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, *
não te esqueças de nenhum de seus favores!

3 Pois ele te perdoa toda culpa, *
cura toda a tua enfermidade;
4 da sepultura ele salva a tua vida *
e te cerca de carinho e compaixão;
5 de bens ele sacia tua vida, *
e te tornas sempre jovem como a águia!

6 O Senhor realiza obras de justiça *
e garante o direito aos oprimidos;
7 revelou os seus caminhos a Moisés, *
e aos filhos de Israel, seus grandes feitos.

Ant. Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!

Ant. 2 Como um pai se compadece de seus filhos,
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

II

8 O Senhor é indulgente, é favovel, *
é paciente, é bondoso e compassivo.
9 Não fica sempre repetindo as suas queixas, *
nem guarda eternamente o seu rancor.
10 Não nos trata como exigem nossas faltas, *
nem nos pune em proporção às nossas culpas.

11 Quanto os céus por sobre a terra se elevam, *
tanto é grande o seu amor aos que o temem;
12 quanto dista o nascente do poente, *
tanto afasta para longe nossos crimes.
13 Como um pai se compadece de seus filhos, *
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

14 Porque sabe de que barro somos feitos, *
e se lembra que apenas somos pó.
15 Os dias do homem se parecem com a erva, *
ela floresce como a flor dos verdes campos;
16 mas apenas sopra o vento ela se esvai, *
já nem sabemos onde era o seu lugar.

Ant. Como um pai se compadece de seus filhos,
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

Ant. 3 Obras todas do Senhor, glorificai-o!

III

17 Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme *
é de sempre e perdura para sempre;
– e também sua justiça se estende *
por gerações até os filhos de seus filhos,
18 aos que guardam fielmente sua Aliança *
e se lembram de cumprir os seus preceitos.

19 O Senhor pôs o seu trono lá nos céus, *
e abrange o mundo inteiro seu reinado.
=20 Bendizei ao Senhor Deus, seus anjos todos, †
valorosos que cumpris as suas ordens, *
sempre prontos para ouvir a sua voz!

21 Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, *
seus ministros, que fazeis sua vontade!
=22 Bendizei-o, obras todas do Senhor †
em toda parte onde se estende o seu reinado! *
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

Ant. Obras todas do Senhor, glorificai-o!

V. Fazei-me conhecer vossos caminhos.
R. E então meditarei vossos progios!

Primeira leitura

Do Primeiro Livro de Samuel                 19,8-10; 20,1-17

Amizade entre Davi e Jônatas

            Naqueles dias: 19,8 Tendo recomeçado a guerra, Davi saiu a combater contra os filisteus, infligindo-lhes uma grande derrota. E eles fugiram diante dele. 9Um espírito maligno mandado pelo Senhor veio novamente sobre Saul. Ele estava sentado em sua casa, e tinha uma lança na mão, enquanto Davi tocava harpa. 10Saul, então, arremessou-lhe a lança, procurando cravá-lo na parede; Davi porém desviou-se e a lança foi cravar-se na parede. Davi esquivou-se e fugiu naquela mesma noite.

              20,1 Davi fugiu de Naiot em Ramá e foi ter com Jônatas, dizendo-lhe: “Que fiz eu? Que crime cometi, e que mal fiz a teu pai,para que ele queira matar-me?” 2Jônatas respondeu: “Não, tu não morrerás! Meu pai não faz coisa alguma grande ou pequena, sem me dizer. Por que me ocultaria isso? Não é possível!” 3Mas Davi jurou, dizendo: “Teu pai sabe muito bem que gozo do teu favor, e por isso pensa: ‘Jônatas não o deve saber, para não ficar magoado’. E, contudo, pela vida do Senhor e pela tua vida, estou apenas a um passo da morte”.

              4Jônatas respondeu a Davi: “Que queres que eu faça? Farei por ti tudo o que me disseres”. Disse-lhe Davi: 5“Amanhã é lua nova, e eu deveria jantar, conforme o costume, à mesa do rei. Deixa-me partir para me esconder no campo, até depois de amanhã à tarde. 6Se teu pai der pela minha ausência, tu lhe dirás que Davi te pediu licença para ir depressa a Belém, sua cidade natal, onde toda a sua família oferece o seu sacrifício anual. 7Se ele disser que está bem, então o teu servo não corre perigo. Mas, se ao contrário ele ficar irado, fica sabendo que ele está resolvido a matar-me. 8Faze este favor ao teu servo, já que fizeste um pacto comigo em nome do Senhor. Se tenho alguma culpa, mata-me tu mesmo, mas não me faças comparecer diante de teu pai”. 9Jônatas disse-lhe: “Deus te livre de tal desgraça! Se eu souber que, de fato, meu pai resolveu matar-te, podes estar certo de que te avisarei”. 10E Davi perguntou: “Mas quem me informarás e teu pai te responder com aspereza?”

              11Jônatas disse a Davi: “Vamos sair para o campo”. E foram ambos para o campo. 12Então Jônatas disse: “Pelo Senhor Deus de Israel, se eu, amanhã ou depois, conseguir saber se as disposições de meu pai são favoráveis a Davi, e se eu não te mandar dizer imediatamente, 13então o Senhor me castigue com todo o seu rigor! Mas se persistir a má vontade de meu pai contra ti, eu te avisarei, sem dúvida, a respeito disso. Poderás, então, partir e ficar tranquilo. E o Senhor esteja contigo, como esteve com meu pai! 14Mais tarde, se eu ainda for vivo, tu me tratarás de acordo com a misericórdia do Senhor. Mas, se eu morrer, 15terás sempre compaixão da minha casa, mesmo quando o Senhor exterminar um por um os inimigos de Davi da face da terra”. 16Foi assim que Jônatas fez aliança com a casa de Davi, dizendo: “Que o Senhor livre Davi das mãos dos inimigos!” 17Em seguida, Jônatas tornou a jurar a Davi por causa da amizade que lhe tinha porque o amava como a si mesmo.

Responsório Pr 17,17; 1Jo 4,7b

R. Amigo verdadeiro é aquele que ama sempre,
* E o irmão se reconhece nas horas de angústia.
V. Todo aquele que ama, é nascido de Deus
e conhece a Deus. * E o irmão.

Segunda leitura

Do Tratado sobre a amizade espiritual, do beato Elredo, abade

(Lib. 3:PL195,692-693)            (Séc.XII)

Verdadeira, perfeita e eterna amizade

            Jônatas, jovem de grande nobreza, sem olhar para a coroa régia nem para o futuro reinado fez um pacto com Davi, igualando assim, pela amizade, o súdito ao senhor. Deu preferência a Davi, mesmo quando este foi expulso por seu pai o rei Saul, tendo de se esconder no deserto, como condenado à morte, destinado à espada. Jônatas então humilhou-se para exaltar o amigo perseguido: Tu, são suas palavras, serás rei e eu serei o segundo depois de ti.

            Que espelho estupendo da verdadeira amizade! Admirável! O rei, furioso contra o servo, excitava todo o país contra um possível rival do reino. Assim, acusava sacerdotes de traição, trucidando-os por uma simples suspeita. Percorria as matas, esquadrinhava os vales, cercava com suas tropas os montes e penhascos, fazendo todos prometerem tornar-se vingadores da indignação real.

            Entretanto, Jônatas, o único que poderia ter razão de invejar, só ele julgou dever resistir a seu pai, oferecendo a paz ao amigo, aconselhando-o em tão grande adversidade, preferindo a amizade ao reino: Tu serás rei e eu serei o segundo depois de ti. Em contraste, vede como o pai estimulava a inveja do adolescente contra o amigo, apertava-o com repreensões, amedrontava-o com ameaças de ser despojado do reino, prometendo privá-lo da nobreza.

            Quando pronunciou sentença de morte contra Davi, Jônatas não abandonou o amigo. Por que deve morrer Davi? que culpa tem? que fez ele? Tomou sua vida em suas mãos e feriu o filisteu e tu te alegraste. Por que então irá morrer? A tais palavras, louco de cólera, o rei tentou transpassar Jônatas, com a lança contra a parede, ameaçando aos gritos: Filho de mãe indigna, bem sei que gostas dele para vergonha tua, confusão e infâmia de tua mãe. Depois vomitou todo o veneno sobre o coração do jovem, acrescentando incentivo à sua ambição, alimento à inveja, estímulo à rivalidade e à amargura: Enquanto viver o filho de Isaí, não se estabelecerá o teu reino.

            Quem não se abalaria com tais palavras? Quem não se encheria de inveja? Que amor, que agrado, que amizade elas não corromperiam, não diminuiriam, não fariam esquecer? Jônatas, o moço cheio de afeição, guardou o pacto da amizade, forte contra as ameaças, paciente contra o furor, desprezou o reino por causa da amizade, esquecido das glórias, bem lembrado da graça. Tu serás rei e eu serei o segundo depois de ti.

            Esta é a verdadeira, perfeita, estável e eterna amizade, aquela que a inveja não corrompe, suspeita alguma diminui, não se desfaz pela ambição. Assim provada, não cede; assim batida, não cai; assim sacudida por tantas censuras, mostra-se inabalável e, provocada por tantas injúrias, permanece imóvel. Vai, então, e faze tu o mesmo.

Responsório Eclo 6,14-17

R. O amigo fiel é refúgio seguro.
* Quem achou tal amigo, encontrou um tesouro.
V. Quem teme ao Senhor,
também há de ter uma boa amizade,
porque tal ele é, tal será seu amigo. * Quem achou.

Oração

Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

Categorias
Helber Clayton é leigo católico, servidor público, escritor, casado, formado em Letras, com licenciatura em Língua Portuguesa, Língua Inglesa e respectivas literaturas, Especialista em Língua Latina e Filologia Românica.
Mora em Teixeira de Freitas na Bahia

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