Ofício das Leituras da Memória de Santa Escolástica, virgem

Ofício das Leituras


V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

O mais suave dos hinos
entoe o povo de Deus,
pois eis que hoje uma virgem
subiu à glória dos céus.

No exílio ainda da terra,
já se entregava ao louvor;
agora, junta-se aos santos
nos mesmos hinos de amor.

A frágil carne domando,
rosa entre espinhos floriu;
calcando as pompas do mundo,
do Cristo os passos seguiu.

As suas preces ouvindo,
Jesus nos dê sua mão,
sempre a guiar nossos passos
para a celeste mansão.

Ao Pai e ao Espírito unido,
nós te adoramos, Jesus:
caminho estreito e seguro
que à vida eterna conduz.

Salmodia

Ant. 1 A palavra do Senhor é proteção
paraaqueles que a ele se confiam.

Salmo 17(18),31-51

Ação de graças

Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rm 8,31).

IV

31 São perfeitos os caminhos do Senhor, *
sua palavra é provada pelo fogo;
– nosso Deus é um escudo poderoso *
para aqueles que a ele se confiam.

32 Quem é deus além de Deus nosso Senhor? *
Quem é Rochedo semelhante ao nosso Deus?
33 Foi esse Deus que me vestiu de fortaleza *
e que tornou o meu caminho sem pecado.

34 Tornou ligeiros os meus pés como os da corça *
e colocou-me em segurança em lugar alto;
35 adestrou as minhas mãos para o combate, *
e os meus braços, para usar arcos de bronze.

Ant. A palavra do Senhor é proteção
paraaqueles que a ele se confiam.

Ant. 2 Com a vossa mão direita me amparastes.

V

=36 Por escudo vós me destes vossa ajuda; †
com a vossa mão direita me amparastes, *
e a vossa proteção me fez crescer.
37 Alargastes meu caminho ante meus passos, *
e por isso os meus pés não vacilaram.

38 Persegui meus inimigos e alcancei-os, *
não voltei sem os haver exterminado;
39 esmaguei-os, já não podem levantar-se, *
e debaixo dos meus pés caíram todos.

40 Vós me cingistes de coragem para a luta *
e dobrastes os rebeldes a meus pés.
41 Vós fizestes debandar meus inimigos, *
e aqueles que me odeiam dispersastes.

42 Eles gritaram, mas ninguém veio salvá-los; *
os seus gritos o Senhor não escutou.
43 Esmaguei-os como o pó que o vento leva *
e pisei-os como a lama das estradas.

44 Vós me livrastes da revolta deste povo *
e me pusestes como chefe das nações;
– serviu-me um povo para mim desconhecido, *
45 mal ouviu a minha voz, obedeceu.

= Povos estranhos me prestaram homenagem, †
46 povos estranhos se entregaram, se renderam *
e, tremendo, abandonaram seus redutos.

Ant. Com a vossa mão direita me amparastes.

Ant. 3 Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo! †

VI

47 Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo! *
† E louvado seja Deus, meu Salvador!
48 Porque foi ele, o Senhor, que me vingou *
e os povos submeteu ao meu domínio;

= libertou-me de inimigos furiosos, †
49 me exaltou sobre os rivais que resistiam *
e do homem sanguinário me salvou.
50 Por isso, entre as nações, vos louvarei, *
cantarei salmos, ó Senhor, ao vosso nome.

=51 Concedeis ao vosso rei grandes vitórias †
e mostrais misericórdia ao vosso Ungido, *
a Davi e à sua casa para sempre.

Ant. Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo!

V. Abri meus olhos, e então contemplarei
R. As maravilhas que encerra a vossa lei.

Primeira leitura
Da Carta de São Paulo aos Gálatas 4,8-31

Herança divina e liberdade da nova Aliança

Irmãos: 8Outrora, quando não conhecíeis a Deus, servistes a falsos deuses. 9Agora, porém, que já conheceis a Deus, ou, melhor, que já sois conhecidos por Deus, como podeis voltar a elementos fracos e pobres e, de novo, servir a eles? 10Observais dias, meses, estações, anos! 11Fazeis-me recear que me tenha afadigado inutilmente por vós!

12Irmãos, eu vos suplico: sede como eu, pois eu também me tornei como vós. Vós não me ofendestes em coisa alguma. 13Sabeis muito bem que foi uma doença que me deu ocasião de vos evangelizar, a primeira vez. 14E em razão dessa minha doença, que era para vós uma provação, não me desprezastes nem rejeitastes, mas, ao contrário, me recebestes como um anjo de Deus, como o próprio Jesus Cristo.

15Onde estão, pois, as felicitações que vos dirigíeis uns aos outros? Com efeito, eu mesmo posso testemunhar que se fosse possível, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar. 16Será que me tornei vosso inimigo, por vos dizer a verdade? 17Não é sincero o interesse de alguns por vós. Na verdade, o que estão querendo é separar-vos de mim, para que vos apegueis a eles. 18É coisa excelente gozar da vossa estima, baseada no bem e na constância, e não apenas quando estou presente entre vós. 19Meus filhos, por vós sinto de novo as dores do parto, até Cristo ser formado em vós. 20Gostaria de estar presente entre vós e, assim, de viva voz, poder modificar a minha linguagem, pois estou perplexo a vosso respeito.

21Dizei-me, vós que quereis sujeitar-vos à Lei: Não ouvis o que diz a Lei? 22Com efeito, está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. 23Mas o filho da escrava nasceu segundo a carne, e o filho da livre nasceu em virtude da promessa. 24Esses fatos têm um sentido alegórico, pois essas mulheres representam as duas alianças: a primeira, Hagar, vem do monte Sinai; ela gera filhos para a escravidão. 25De fato, Hagar – ela lembra o monte Sinai que se encontra na Arábia – corresponde à atual Jerusalém, que é escrava com os seus filhos. 26Porém, a Jerusalém celeste é livre, e é a nossa mãe. 27Pois está escrito:

“Rejubila, estéril, que não dás à luz,
prorrompe em gritos de alegria,
tu que não sentes as dores do parto,
porque os filhos da mulher abandonada
são mais numerosos do que os da mulher preferida”.

28E vós, irmãos, como Isaac, sois filhos da promessa. 29Mas, como naquele tempo o filho segundo a carne perseguia o filho segundo o espírito, assim acontece também agora. 30Porém, o que diz a Escritura? “Expulsa a escrava e o seu filho, pois de modo algum o filho da escrava será herdeiro, junto com o filho da livre”. 31Portanto, irmãos, não somos filhos de uma escrava; somos filhos da mulher livre.

Responsório Cf. Gl 4,28.31; 5,1a; 2Cor 3,17

R. Somos filhos da Promessa à semelhança de Isaac;
somos filhos, não da escrava, e sim, da mulher livre.
* Jesus nos libertou a fim de sermos livres.

V. O Senhor é Esrito, e onde es o seu Esrito,
aí es a liberdade. * Jesus.

Segunda leitura

Dos Diálogos de São Gregório Magno, papa

(Lib. 2,33: PL 66,194-196)            (Séc.VI)

Foi mais poderosa aquela que mais amou

Escolástica, irmã de São Bento, consagrada ao Senhor onipotente desde a infância, costumava visitar o irmão, uma vez por ano. O homem de Deus descia e vinha encontrar-se com ela numa propriedade do mosteiro, não muito longe da porta.

Certo dia, veio ela como de costume, e seu venerável irmão com alguns discípulos foi ao seu encontro. Passaram o dia inteiro a louvar a Deus e em santas conversas, de tal modo que já se aproximavam as trevas da noite quando sentaram-se à mesa para tomar a refeição.

Como durante as santas conversas o tempo foi passando, a santa monja rogou-lhe: “Peço-te, irmão, que não me deixes esta noite, para podermos continuar falando até de manhã sobre as alegrias da vida celeste”. Ao que ele respondeu-lhe: “Que dizes tu, irmã? De modo algum posso passar a noite fora da minha cela”.

A santa monja, ao ouvir a recusa do irmão, pôs sobre a mesa as mãos com os dedos entrelaçados e inclinou a cabeça sobre as mãos para suplicar o Senhor onipotente. Quando levantou a cabeça, rebentou uma grande tempestade, com tão fortes relâmpagos, trovões e aguaceiro, que nem o venerável Bento nem os irmãos que haviam vindo em sua companhia puderam pôr um pé fora da porta do lugar onde estavam.

Então o homem de Deus, vendo que não podia regressar ao mosteiro, começou a lamentar-se,dizendo: “Que Deus onipotente te perdoe, irmã! Que foi que fizeste?” Ela respondeu: “Eu te pedi e não quiseste me atender. Roguei ao meu Deus e ele me ouviu. Agora, pois, se puderes, vai-te embora; despede-te de mim e volta para o mosteiro”.

E Bento, que não quisera ficar ali espontaneamente, teve que ficar contra a vontade. Assim, passaram a noite toda acordados, animando-se um ao outro com santas conversas sobre a vida espiritual. Não nos admiremos que a santa monja tenha tido mais poder do que ele: se, na verdade, como diz São João, Deus é amor (1Jo 4,8), com justíssima razão, teve mais poder aquela que mais amou.

Três dias depois, estando o homem de Deus na cela, levantou os olhos para o alto e viu a alma de sua irmã liberta do corpo, em forma de pomba, penetrar no interior da morada celeste. Cheio de júbilo por tão grande glória que lhe havia sido concedida, deu graças a Deus onipotente com hinos e cânticos de louvor; enviou dois irmãos a fim de trazerem o corpo para o mosteiro, onde foi depositado no túmulo que ele mesmo preparara para si.

E assim, nem o túmulo separou aqueles que sempre tinham estado unidos em Deus.

Responsório             Sl 132(133),1

R. Como rogasse a santa monja ao Senhor,
que não deixasse seu irmão se retirar,
* Obteve mais do seu Senhor do coração,
do que pedira, porque ela mais amou.
V. Vinde e vede como é bom, como é suave,
os irmãos viverem juntos bem unidos! * Obteve mais.

Oração

Celebrando a festa de Santa Escolástica, nós vos pedimos, ó Deus, a graça de imitá-la, servindo-vos com caridade perfeita e alegrando-nos com os sinais do vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

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