Memória de São Josafá, bispo e mártir

Ofício das Leituras


V.
 Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

Santo mártir, sê propício
no teu dia de esplendor,
em que cinges a coroa,
o troféu de vencedor.

Este dia sobre as trevas
deste mundo te elevou,
e, juiz e algoz vencendo,
todo a Cristo te entregou.

Entre os anjos ora brilhas,
testemunha inquebrantável,
com as vestes que lavaste
no teu sangue venerável.

Junto a Cristo, sê agora
poderoso intercessor;
ouça ele as nossas prece
se perdoe ao pecador.

Desce a nós por um momento,
de Jesus traze o perdão,
e os que gemem sob o fardo
grande alívio sentirão.

A Deus Pai, ao Filho Único
e ao Espírito, a vitória.
Deus te orna com coroa
na mansão da sua glória.

Salmodia

Ant. 1 Ó meu Deus, escutai minha prece,
ao clamor do inimigo estremeço!

Salmo 54(55),2-15.17-24

Oração depois da traição de um amigo

Jesus começou a sentir medo e angústia (Mc 14,33)

I

2 Ó meu Deus, escutai minha prece, *
não fujais desta minha oração!
3 Dignai-vos me ouvir, respondei-me: *
a angústia me faz delirar!

4 Ao clamor do inimigo estremeço, *
e ao grito dos ímpios eu tremo.
– Sobre mim muitos males derramam, *
contra mim furiosos investem.

5 Meu coração dentro em mim se angustia, *
e os terrores da morte me abatem;
6 o temor e o tremor me penetram, *
o pavor me envolve e deprime!

=7 É por isso que eu digo na angústia: †
Quem me dera ter asas de pomba *
e voar para achar um descanso!
8 Fugiria, então, para longe, *
e me iria esconder no deserto.

Ant. Ó meu Deus, escutai minha prece,
ao clamor do inimigo estremeço!

Ant. 2 O Senhor have de libertar-nos
da mão do inimigo traiçoeiro.

II

– 9 Acharia depressa um regio *
contra o vento, a procela, o tufão.
=10 Ó Senhor, confundi as más línguas; †
dispersai-as, porque na cidade *
só se  violência e discórdia!

=11 Dia e noite circundam seus muros, †
12 dentro dela há maldades e crimes, *
a injustiça, a opressão moram nela!
– Violência, imposturas e fraudes *
já não deixam suas ruas e praças.

13 Se o inimigo viesse insultar-me, *
poderia aceitar certamente;
– se contra mim investisse o inimigo, *
poderia, talvez, esconder-me.

14 Mas és tu, companheiro e amigo, *
tu, meu íntimo e meu familiar,
15 com quem tive agradável convívio *
com o povo, indo à casa de Deus!

Ant. O Senhor have de libertar-nos
da mão do inimigo traiçoeiro.

Ant. 3 Lança sobre o Senhor teus cuidados,
porque ele há de ser teu sustento.

III

17 Eu, porém, clamo a Deus em meu pranto, *
e o Senhor me haverá de salvar!
18 Desde a tarde, à manhã, ao meio-dia, *
faço ouvir meu lamento e gemido.

19 O Senhor há de ouvir minha voz, *
libertando a minh’alma na paz,
– derrotando os meus agressores, *
porque muitos estão contra mim!

20 Deus me ouve e haverá de humilhá-los, *
porque é Rei e Senhor desde sempre.
– Para os ímpios não há conversão, *
pois não temem a Deus, o Senhor.

21 Erguem a mão contra os próprios amigos, *
violando os seus compromissos;
22 sua boca está cheia de unção, *
mas o seu coração traz a guerra;
– suas palavras mais brandas que o óleo, *
na verdade, porém, são punhais.

23 Lança sobre o Senhor teus cuidados, *
porque ele há de ser teu sustento,
– e jamais ele irá permitir *
que o justo para sempre vacile!

24 Vós, porém, ó Senhor, os lançais *
no abismo e na cova da morte.
– Assassinos e homens de fraude *
não verão a metade da vida.
– Quanto a mim, ó Senhor, ao contrário: *
ponho em vós toda a minha esperança!

Ant. Lança sobre o Senhor teus cuidados,
porque ele há de ser teu sustento.

V. Ó meu filho, fica atento ao meu saber,
R. Presta ouvidos à minha inteligência!

Primeira leitura

Do Livro do Profeta Daniel             10,1-21

Visão do homem e aparição do anjo

No terceiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, revelou-se interiormente a Daniel, apelidado Baltasar, uma palavra, cheia de verdade e de significado. Ele entendeu a palavra e soube interpretar a visão interior. 2Naqueles dias, eu, Daniel, estive de luto durante três semanas: 3não comi nada de pão, não me entraram na boca nem carne nem vinho, não usei unguentos nem perfumes, até se completarem três semanas.

4 No dia vinte e quatro do primeiro mês, encontrava-me à beira do grande rio Tigre, 5quando, levantando os olhos, vi um homem vestido com roupas de linho e ostentando um cinturão de ouro; 6seu corpo parecia de pedra dourada; o rosto tinha uma aparência brilhante; seus olhos eram como tochas ardentes; dos braços aos pés, o aspecto era de bronze polido, e o rumor de suas palavras parecia o de uma multidão. 7Somente eu, Daniel, tive essa visão; ora, as pessoas que estavam comigo nada viram da visão, mas, tomadas de pânico, fugiram para esconder-se. 8Eu, deixado sozinho, vendo essa estranha visão, não tive mais resistência: meu aspecto mudou até perder a cor, e as forças me abandonaram. 9Eu ouvi as palavras da visão; e ao ouvir o som dessas palavras, caí prostrado como rosto por terra.

10 Eis que uma mão me tocou e me fez levantar sobre os joelhos e as palmas das mãos, 11e me disse: “Daniel, homem muito estimado, procura entender o que te vou dizer, e põe-te de pé; eu fui enviado a ti”. Ao dizer estas palavras, eu me pus de pé, a tremer. 12Disse-me então: “Não tenhas medo, pois desde o primeiro dia em que te aplicaste à contemplação e à virtude diante do teu Deus, foram ouvidas as tuas súplicas, e eu aqui estou por causa de tuas palavras. 13O príncipe do reino dos persas resistiu-me durante vinte e um dias; eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio em meu auxílio; e eu, então, me deixei ficar lá, ao lado do rei dos persas. 14Vim para te dizer o que irá acontecer ao teu povo nos últimos dias, pois a visão ainda se prolongará.” 15Enquanto ele me falava nesses termos, inclinei o meu rosto para o chão, em silêncio. 16De repente, um ser de aparência humana me tocou os lábios. Abri a boca para falar e disse ao que estava à minha frente: “Senhor meu, estou perturbado com esta visão, não tenho mais força alguma. 17Como poderá este teu servo falar com o seu Senhor? Pois não me restam mais forças, nem eu tenho mais fôlego”. 18Então o ser de aparência humana tocou-me de novo e encorajou-me, dizendo: 19“Não temas, caríssimo. Paz! Coragem! Sê firme!” Ao falar comigo, senti-me melhor, e então eu disse: “Agora fala, meu Senhor, pois me fortaleceste”.

20 Disse-me ele: “Acaso sabes por que vim ter contigo? Pois estou de volta para combater contra o príncipe dos persas. Eu estou partindo, mas eis que o príncipe dos gregos está chegando. 21Contudo o que eu te anunciar está expresso na escritura da verdade. Contra eles ninguém me ajudará, a não ser Miguel, o vosso príncipe”.

Responsório Dn 10,12.19a.21a

R. Desde o dia inicial, em que aplicaste o coração
a compreender e a humilhar-te, perante o teu Senhor,
* Foram ouvidas tuas palavras por causa de tuas preces.
V. Não tenhas medo, Daniel, vou explicar-te as palavras
da Escritura da Verdade. * Foram ouvidas.

Segunda leitura

Da Encíclica Ecclesiam Dei, de Pio XI, papa

(AAS 15[1923], 573.576-577)            (Séc.XX)

Derramou o seu sangue pela unidade da Igreja

A Igreja de Deus por admirável desígnio foi constituída de forma a ser, na plenitude dos tempos, semelhante a imensa família, abraçando a totalidade do gênero humano; e, por dom de Deus, sabemos ser ela visível não só por suas notas principais, como também pela unidade universal.

De fato, Cristo Senhor não apenas confiou somente aos apóstolos o dom que ele próprio recebera do Pai, ao dizer: Todo o poder me foi dado no céu e na terra; ide, pois, ensinai a todos os povos (Mt 28,18-19); mas também quis que o grupo dos apóstolos fosse em sumo grau um colégio só, duplamente ligado por estreito vínculo: intrinsecamente pela mesma fé e caridade, infundida em nossos corações pelo Espírito Santo(cf. Rm 5,5); extrinsecamente, pelo governo de um só sobre todos, ao entregar o principado a Pedro qual perpétuo princípio e visível fundamento da unidade.

Para que se mantivesse para sempre esta unidade e concórdia, Deus de suma providência consagrou-a com o sinete da santidade e do martírio.

Este grande louvor obteve-o o arcebispo de Polock, Josafá, de rito eslavônio oriental; com toda a razão o saudamos como honra insigne e coluna dos eslavos orientais. Com efeito, mal se encontra quem tenha mais ilustrado o nome deles ou servido melhor a sua salvação, que este pastor e apóstolo, mormente ao derramar o sangue pela unidade da santa Igreja. Além disto, sentindo-se divinamente impelido à reintegração universal na unidade santa, compreendeu que a melhor contribuição a dar seria guardar o rito oriental eslavônio e o monaquismo basiliano na unidade da Igreja universal.

Entrementes, solícito em primeiro lugar pela união de seus concidadãos com a cátedra de Pedro, buscava por toda a parte com empenho todos os argumentos que pudessem promovê-la ou confirmá-la. De modo especial, folheava assiduamente os livros litúrgicos usados pelos orientais e pelos dissidentes, segundo as ordenações dos santos padres. Preparado tão diligentemente, iniciou o trabalho de refazer a unidade, com tanto vigor e suavidade e com tanto êxito, que pelos próprios adversários foi chamado de “raptor de almas”.

Responsório             Jo 17,11b.23.22a

R. Jesus disse: Ó Pai santo, em teu nome, guarda aqueles
que me deste e que são teus,
* Para que eles sejam um,
e assim o mundo creia que tu me enviaste.
V. Eu lhes dei aquela glória, que de ti recebi.
* Para que eles.

Oração

Suscitai, ó Deus, na vossa Igreja o Espírito que impeliu o bispo São Josafá a dar a vida por suas ovelhas, e concedei que, por sua intercessão, fortificados pelo mesmo Espírito, estejamos prontos a dar a nossa vida pelos nossos irmãos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.