5 de junho
SÃO BONIFÁCIO, BISPO E MÁRTIR
Memória
Nasceu na Inglaterra, cerca de 673. Fez a profissão religiosa e viveu no mosteiro de Exeter. Em 719 partiu para a Alemanha, a fim de pregar o evangelho, obtendo excelentes resultados. Ordenado bispo, governou a Igreja de Mogúncia e, com a ajuda de vários colaboradores, fundou e restaurou diversas Igrejas na Baviera, na Turíngia e na Francônia. Realizou concílios e promulgou leis. Quando evangelizava os frisões, foi assassinado por pagãos em 754. Seu corpo foi sepultado no mosteiro de Fulda.
Ofício das Leituras
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Hino
I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:
Um Deus em três pessoas,
o mundo governais:
dos homens que criastes
as faltas perdoais.
Ouvi, pois, nosso canto
e o pranto que vertemos:
de coração sem mancha,
melhor vos contemplemos.
Por vosso amor tenhamos
a alma iluminada,
e alegres aguardemos,
Senhor, vossa chegada.
Rompendo agora a noite,
do sono despertados,
com os bens da pátria eterna
sejamos cumulados!
A glória seja ao Pai,
ao Filho seu também;
ao Espírito igualmente,
agora e sempre. Amém.
II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:
Autor da glória eterna,
que ao povo santo dais
a graça septiforme
do Espírito, escutai:
Tirai ao corpo e à mente
do mal as opressões;
cortai os maus instintos,
curai os corações.
Tornai as mentes calmas,
as obras completai,
ouvi do orante as preces,
a vida eterna dai.
Do tempo, em sete dias,
o curso conduzis.
No dia oitavo e último
vireis como juiz.
E nele, ó Redentor,
da ira nos poupai,
tirai-nos da esquerda,
à destra nos guardai.
Ouvi a prece humilde
do povo reverente,
e a vós daremos glória,
Deus Trino, eternamente.
Salmodia
Ant. 1 Quem se tornar pequenino como uma criança,
há de ser o maior no Reino dos céus.
Salmo 130(131)
Confiança filial e repouso em Deus
Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração (Mt 11,29)
–1 Senhor, meu coração não é orgulhoso, *
nem se eleva arrogante o meu olhar;
– não ando à procura de grandezas, *
nem tenho pretensões ambiciosas!
–2 Fiz calar e sossegar a minha alma; *
ela está em grande paz dentro de mim,
– como a criança bem tranqüila, amamentada *
no regaço acolhedor de sua mãe.
–3 Confia no Senhor, ó Israel, *
desde agora e por toda a eternidade!
Ant. Quem se tornar pequenino como uma criança,
há de ser o maior no Reino dos céus.
Ant. 2 Na simplicidade do meu coração,
alegre, vos dei tudo aquilo que tenho.
Salmo 131(132)
As promessas do Senhor à casa de Davi
O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu Pai (Lc 1,32).
I
–1 Recordai-vos, ó Senhor, do rei Davi *
e de quanto vos foi ele dedicado;
–2 do juramento que ao Senhor havia feito *
e de seu voto ao Poderoso de Jacó:
–3 “Não entrarei na minha tenda, minha casa, *
nem subirei à minha cama em que repouso,
–4 não deixarei adormecerem os meus olhos, *
nem cochilarem em descanso minhas pálpebras,
–5 até que eu ache um lugar para o Senhor, *
uma casa para o Forte de Jacó!”
–6 Nós soubemos que a arca estava em Éfrata *
e nos campos de Iaar a encontramos:
–7 Entremos no lugar em que ele habita, *
ante o escabelo de seus pés o adoremos!
–8 Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso, *
subi vós, com vossa arca poderosa!
–9 Que se vistam de alegria os vossos santos, *
e os vossos sacerdotes, de justiça!
–10 Por causa de Davi, o vosso servo, *
não afasteis do vosso Ungido a vossa face!
Ant. Na simplicidade do meu coração,
alegre, vos dei tudo aquilo que tenho.
Ant. 3 O Senhor fez a Davi um juramento,
e seu reino permanece para sempre.
II
–11 O Senhor fez a Davi um juramento, *
uma promessa que jamais renegará:
– “Um herdeiro que é fruto do teu ventre *
colocarei sobre o trono em teu lugar!
–12 Se teus filhos conservarem minha Aliança *
e os preceitos que lhes dei a conhecer,
– os filhos deles igualmente hão de sentar-se *
eternamente sobre o trono que te dei!”
–13 Pois o Senhor quis para si Jerusalém *
e a desejou para que fosse sua morada:
–14 “Eis o lugar do meu repouso para sempre, *
eu fico aqui: este é o lugar que preferi!”
–15 “Abençoarei suas colheitas largamente, *
e os seus pobres com o pão saciarei!
–16 Vestirei de salvação seus sacerdotes, *
e de alegria exultarão os seus fiéis!”
–17 “De Davi farei brotar um forte Herdeiro, *
acenderei ao meu Ungido uma lâmpada.
–18 Cobrirei de confusão seus inimigos, *
mas sobre ele brilhará minha coroa!”
Ant. O Senhor fez a Davi um juramento,
e seu reino permanece para sempre.
V. Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus,
R. E a obra estupenda que fez no universo.
Primeira leitura
Do Livro de Jó 42,7-16
Deus reabilita Jó diante dos seus adversários
7Quando o Senhor acabou de dirigir a Jó estas palavras, disse a Elifaz de Temã: “Estou indignado contra ti e os teus dois companheiros, porque não falastes corretamente de mim, como o fez meu servo Jó. 8Tomai, pois, sete novilhas e sete carneiros e dirigi-vos ao meu servo Jó. Oferecei-os em holocausto, e ele intercederá por vós. Em atenção a ele, não vos tratarei como merece a vossa temeridade, por não terdes falado corretamente de mim, como o fez meu servo Jó”. 9Elifaz de Temã, Baldad de Suás e Sofar de Naamat fizeram como o Senhor lhes ordenou, e ele atendeu às orações de Jó.
10Então o Senhor mudou a sorte de Jó, quando intercedeu por seus companheiros, e duplicou todos os seus bens. 11Vieram visitá-lo todos os seus irmãos e irmãs e os antigos conhecidos; comeram com ele em sua casa, consolaram-no e confortaram-no pela desgraça que o Senhor lhe tinha enviado; cada qual lhe ofereceu uma quantia de dinheiro e um anel de ouro.
12O Senhor abençoou a Jó no fim de sua vida mais do que no princípio; ele possuía agora catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas. 13Teve outros sete filhos e três filhas: 14a primeira chamava-se “Rola”, a segunda “Cássia”, e a terceira “Azeviche”. 15Não havia em toda a terra mulheres mais belas que as filhas de Jó. Seu pai lhes destinou uma parte da herança, entre os seus irmãos. 16Depois destes acontecimentos, Jó viveu cento e quarenta anos, e viu seus filhos e os filhos de seus filhos até a quarta geração. E Jó morreu velho e repleto de anos.
Responsório Cf. Jó 42,7.8
R. Disse Deus a Elifaz: por que tu e teus amigos,
falando sobre mim, não falastes retamente,
como fez meu servo Jó?
* Ele por vós suplicará.
V. Olharei para seu rosto, para que vossa insensatez
não vos seja imputada. * Ele por vós.
Segunda leitura
Das Cartas de São Bonifácio, bispo e mártir
(Ep.78:MGH, Epistolae, 3,352.354) (Séc.VIII)
Pastor solícito, vigilante sobre o rebanho de Cristo
A Igreja é como uma grande barca que navega pelo mar deste mundo. Sacudida nesta vida pelas diversas ondas das tentações, não deve ser abandonada a si mesma, mas governada. Na Igreja primitiva temos o exemplo de Clemente, Cornélio e muitos outros na cidade de Roma, de Cipriano em Cartago, de Atanásio em Alexandria. Sob o reinado dos imperadores pagãos, eles governaram a barca de Cristo, ou melhor, a sua caríssima esposa, que é a Igreja, ensinando-a, defendendo-a, trabalhando e sofrendo até ao derramamento de sangue.
Ao pensar neles e noutros semelhantes, fico apavorado; o temor e o tremor me penetram e o pavor dos meus pecados me envolve e deprime! (Sl 54,6); gostaria muito de abandonar inteiramente o leme da Igreja, se encontrasse igual precedente nos Padres ou na Sagrada Escritura.
Mas não sendo assim, e dado que a verdade pode ser contestada mas nunca vencida nem enganada, nossa alma fatigada se refugia nas palavras de Salomão: Confia no Senhor com todo o teu coração, e não te fies em tua própria inteligência; em todos os teus caminhos, reconhece-o, e ele conduzirá teus passos (Pr 3,5-6). E noutro lugar: O nome do Senhor é uma torre fortíssima. Nela se refugia o justo e será salvo (cf. Pr 18,10).
Permaneçamos firmes na justiça e preparemos nossas almas para a provação; suportemos as demoras de Deus, e lhe digamos: Vós fostes um refúgio para nós, Senhor, de geração em geração (Sl 89,1).
Confiemos naquele que colocou sobre nós este fardo. Por não podermos carregá-lo sozinhos, carreguemo-lo com o auxílio daquele que é onipotente e nos diz: O meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt 11,30).
Fiquemos firmes no combate, no dia do Senhor, porque vieram sobre nós dias de angústia e de tribulação (cf. Sl 118,143). Se Deus assim quiser morramos pelas santas leis de nossos pais (cf. 1Mc 2,50), a fim de merecermos alcançar junto com eles a herança eterna.
Não sejamos cães mudos, não sejamos sentinelas caladas, não sejamos mercenários que fogem dos lobos, mas pastores solícitos, vigilantes sobre o rebanho de Cristo. Enquanto Deus nos der forças, preguemos toda a doutrina do Senhor ao grande e ao pequeno, ao rico e ao pobre, e todas as classes e idades, oportuna e inoportunamente, tal como São Gregório escreveu em sua Regra Pastoral.
Responsório 1Ts 2,8; Gl 4,19
R. É tão grande o afeto que tenho por vós,
que teria vos dado não só o Evangelho,
mas até minha vida,
* Pois é tanto o afeto, que eu tenho por vós. Aleluia.
V. Meus filhinhos, de novo por vós
eu sofro as dores do parto,
até Cristo formar-se em vós. * Pois é tanto.
Oração
Interceda por nós, ó Deus, o mártir São Bonifácio, para que guardemos fielmente e proclamemos em nossas obras a fé que ele ensinou com a sua palavra e testemunhou com o seu sangue. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
