Ofício das Leituras da Memória de São Policarpo, bispo e mártir

V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

Santo mártir, sê propício
no teu dia de esplendor,
em que cinges a coroa,
o troféu de vencedor.

Este dia sobre as trevas
deste mundo te elevou,
e, juiz e algoz vencendo,
todo a Cristo te entregou.

Entre os anjos ora brilhas,
testemunha inquebrantável,
com as vestes que lavaste
no teu sangue venerável.

Junto a Cristo, sê agora
poderoso intercessor;
ouça ele as nossas prece
se perdoe ao pecador.

Desce a nós por um momento,
de Jesus traze o perdão,
e os que gemem sob o fardo
grande alívio sentirão.

A Deus Pai, ao Filho Único
e ao Espírito, a vitória.
Deus te orna com coroa
na mansão da sua glória.

Salmodia

Ant. 1 O amor e a verdade vão andando à vossa frente.

Salmo 88(89),2-38

As misericórdias do Senhor
com a descendência de Davi

Conforme prometera, da descendência de Davi, Deus fez surgir um Salvador, que é Jesus (At 13,22.23).

I

2 Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor, *
de geração em geração eu cantarei vossa verdade!
3 Porque dissestes: “O amor é garantido para sempre!” *
E a vossa lealdade é tão firme como os céus.

4 “Eu firmei uma Aliança com meu servo, meu eleito, *
e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor:
5 Para sempre, no teu trono, firmarei tua linhagem, *
de geração em geração garantirei o teu reinado!”

6 Anuncia o firmamento vossas grandes maravilhas, *
e o vosso amor fiel, a assembléia dos eleitos,
7 pois, quem pode, lá nas nuvens, ao Senhor se comparar*
e quem pode, entre seus anjos, ser a ele semelhante?

8 Ele é o Deus temível no conselho dos seus santos, *
ele é grande, ele é terrível para quantos o rodeiam.
9 Senhor Deus do universo, quem se igual a vós? *
Ó Senhor, sois poderoso, irradiais fidelidade!

10 Dominais sobre o orgulho do oceano furioso, *
quando as ondas se levantam, dominando as acalmais.
11 Vós feristes a Raab e o deixastes como morto, *
vosso braço poderoso dispersou os inimigos.

12 É a vós que os céus pertencem, e a terra é também vossa!*
Vós fundastes o universo e tudo aquilo que contém.
13 Vós criastes no princípio tanto o norte como o sul; *
o Tabor e o Hermon em vosso nome rejubilam.

14 Vosso braço glorioso se revela com poder! *
Poderosa é vossa mão, é sublime a vossa destra!
15 Vosso trono se baseia na justiça e no direito, *
vão andando à vossa frente o amor e a verdade.

16 Quão feliz é aquele povo que conhece a alegria; *
segui pelo caminho, sempre à luz de vossa face!
17 Exulta de alegria em vosso nome dia a dia, *
e com grande entusiasmo exalta vossa justiça.

18 Pois sois vós, ó Senhor Deus, a sua força e sua glória, *
é por vossa proteção que exaltais nossa cabeça.
19 Do Senhor é o nosso escudo, ele é nossa proteção, *
ele reina sobre nós, é o Santo de Israel!

Ant. O amor e a verdade vão andando à vossa frente.

Ant. 2 O Filho de Deus se fez homem
e nasceu da falia de Davi.

II

=20 Outrora vós falastes em visões a vossos santos: †
“Coloquei uma coroa na cabeça de um herói *
e do meio deste povo escolhi o meu Eleito.

21 Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, *
e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado.
22 Esta sempre com ele minha mão onipotente, *
e meu braço poderoso há de ser a sua força.

23 Não se surpreendido pela força do inimigo, *
nem o filho da maldade pode prejudicá-lo.
24 Diante dele esmagarei seus inimigos e agressores, *
ferirei e abaterei todos aqueles que o odeiam.

25 Minha verdade e meu amor estarão sempre com ele, *
sua força e seu poder por meu nome crescerão.
26 Eu farei que ele estenda sua mão por sobre os mares, *
e a sua mão direita estenderei por sobre os rios.

27 Ele, então, me invocará: ‘Ó Senhor, vós sois meu Pai, *
sois meu Deus, sois meu Rochedo onde encontro a salvação!’
28 E por isso farei dele o meu filho primogênito, *
sobre os reis de toda a terra farei dele o Rei altíssimo.

29 Guardarei eternamente para ele a minha graça *
e com ele firmarei minha Aliança indissolúvel.
30 Pelos culos sem fim conservarei sua descendência, *
e o seu trono, tanto tempo quanto os céus, há de durar”.

Ant. Filho de Deus se fez homem
e nasceu da falia de Davi.

Ant. 3 Eu jurei uma só vez a Davi, meu servidor:
Eis que a tua descendência dura eternamente.

III

31 “Se seus filhos, porventura, abandonarem minha lei *
e deixarem de andar pelos caminhos da Aliança;
32 se, pecando, violarem minhas justas prescrições *
e se não obedecerem aos meus santos mandamentos:

33 eu, então, castigarei os seus crimes com a vara, *
com açoites e flagelos punirei as suas culpas.
34 Mas não hei de retirar-lhes minha graça e meu favor *
e nem hei de renegar o juramento que lhes fiz.

35 Eu jamais violarei a Aliança que firmei, *
e jamais hei de mudar o que meus bios proferiram!
36 Eu jurei uma só vez por minha própria santidade, *
e portanto, com certeza, a Davi não mentirei!

37 Eis que a sua descendência dura eternamente *
e seu trono ficará à minha frente como o sol;
38 como a lua que perdura sempre firme pelos séculos, *
e no alto firmamento é testemunha verdadeira”.

Ant. Eu jurei uma só vez a Davi, meu servidor:
Eis que a tua descendência dura eternamente.

V. Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina.
R. Ela  sabedoria aos pequeninos.

Primeira leitura

Do Livro do Eclesiastes 5,9–6,8

Inanidade das riquezas

5,9Quem ama o dinheiro, nunca dele está farto; quem ama a riqueza não tira proveito dela. Isso também é vaidade. 10Onde os bens se multiplicam, aumentam também aqueles que os devoram; que vantagem tem o dono, a não ser ficar olhando sua riqueza?

11Coma muito ou coma pouco,
o sono de quem trabalha é tranqüilo;
mas a abundância do rico
não o deixa dormir.

12Há um mal doloroso que vejo debaixo do sol: as riquezas que o dono acumula para a sua própria desgraça. 13Num mau negócio ele perde as riquezas e, se gerou um filho, este fica de mãos vazias. 14Nu como saiu do ventre materno, assim voltará como veio: nada retirou do seu trabalho que possa levar na sua mão. 15Isso também é um mal doloroso: ele vai-se embora assim como veio; e que proveito tirou de tanto trabalho? Apenas vento! 16Consome todos os seus dias nas trevas, em muitos desgostos, doença e tristeza. 17Eis o que observei: é algo bom, agradável, comer e beber, e gozar cada um a felicidade em todo o trabalho que se faz debaixo do sol, durante os dias da vida que Deus concede ao homem. Pois esta é a sua porção. 18Se a um homem Deus concede riquezas e recursos que o tornam capaz de sustentar-se, de receber a sua porção e desfrutar do seu trabalho, isso é um dom de Deus. 19Ele não se lembrará muito dos dias que viveu, pois Deus enche de alegria o seu coração.

6,1Há outro mal que observei debaixo do sol e que é grave para os seres humanos: 2um homem a quem Deus concedeu riquezas, recursos e honra, e nada lhe falta de tudo o que poderia desejar; Deus, porém, não lhe permite usufruir dessas coisas, pois é um estrangeiro que delas desfrutará; isto é vaidade e sofrimento cruel. 3Um homem que tiver gerado cem filhos e vivido por muitos anos, por muitos que sejam os dias de sua vida, se não puder saciar-se de seus bens, e nem sequer ter sepultura, dele eu digo: seria melhor que fosse um aborto, 4o qual chega em vão e se vai para as trevas, e na escuridão é sepultado o seu nome; 5ele não viu nem conheceu o sol, e tem mais sossego do que um tal homem. 6E mesmo que esse homem vivesse dois mil anos, sem experimentar a felicidade, não vão todos para o mesmo lugar?

7Todo o trabalho do homem é para a sua boca
e, no entanto, ele nunca está satisfeito.
8Que vantagem tem o sábio sobre o insensato, e qual a do pobre que sabe enfrentar a vida?

Responsório Pr 30,8; Sl 30(31),15a.16a

R. Afastai para longe de mim,
ó Senhor, a perdia e a mentira!
* Não me deis nem pobreza ou riqueza,
mas somente o que me é necesrio.

V. A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio,
eu entrego em vossas mãos o meu destino.
* Não me deis.

Segunda Leitura

Da Carta da Igreja de Esmirna sobre o martírio de São Policarpo

(Cap.13,2– 15,3:Funk1,297-299)  (Séc.I)

Como um sacrifício perfeito e agradável

Quando a fogueira ficou pronta, Policarpo desfez-se de todas as vestes e desatou o cinto; tentou desamarrar as sandálias, o que há muito não fazia, pois os fiéis sempre se apressavam em ajudá-lo, desejando tocar-lhe o corpo, no qual muito antes do martírio já brilhava o esplendor da santidade de sua vida.

Rapidamente cercaram-no com o material trazido para a fogueira. Quando os algozes quiseram pregá-lo ao poste, ele disse: “Deixai-me livre. Quem me dá forças para suportar o fogo, também me concederá que fique imóvel no meio das chamas sem necessitar deste vosso cuidado”. Assim não o pregaram mas limitaram-se a amará-lo. 

Amarrado com as mãos para trás, Policarpo era como um cordeiro escolhido, tirado de um grande rebanho para o sacrifício, uma vítima agradável preparada para Deus. Levantando os olhos ao céu, ele disse:

“Senhor Deus todo-poderoso, Pai do vosso amado e bendito Filho Jesus Cristo, por quem vos conhecemos, Deus dos anjos e dos poderes celestiais, de toda a criação e de todos os justos que vivem diante de vós, eu vos bendigo porque neste dia e nesta hora, incluído no número dos mártires, me julgastes digno de tomar parte no cálice de vosso Cristo e ressuscitar em corpo e alma para a vida eterna, na incorruptibilidade, por meio do Espírito Santo. Recebei-me hoje, entre eles, na vossa presença, como um sacrifício perfeito e agradável; e o que me havíeis preparado e revelado, realizai-o agora, Deus de verdade e retidão.

Por isso e por todas as coisas, eu vos louvo, bendigo e glorifico por meio do eterno e celeste Pontífice Jesus Cristo, vosso amado Filho. Por ele e com ele seja dada toda glória a vós, na unidade do Espírito Santo, agora e pelos séculos futuros. Amém”.

Depois de ter dito “Amém” e de ter terminado a oração, os algozes atearam o fogo e levantou-se uma grande labareda.

Então nós, a quem foi dado contemplar, vimos um milagre – pois para anunciá-lo aos outros é que fomos poupados: – o fogo tomou a forma de uma abóbada, como a vela de um barco batida pelo vento, e envolveu o corpo do mártir por todos os lados; ele estava no meio, não como carne queimada, mas como um pão que é cozido ou o ouro e a prata incandescente na fornalha. E sentimos um odor de tanta suavidade que parecia se estar queimando incenso ou outro perfume precioso.

Responsório Ap 2,8-9a.10a

R. Escreve ao anjo da Igreja de Esmirna:
Assim diz o Primeiro e o Último,
o que estava morto e agora vive.
Conheço as provações que suportastes,
conheço tua pobreza, mas és rico.
* Permanece fiel até à morte e a coroa da vida eu te darei.
V. Não temas ante o que irás sofrer;
o demônio irá lançar alguns de vós
no cárcere a fim de vos provar. * Permanece.

Oração

Ó Deus, criador de todas as coisas, que colocastes o bispo São Policarpo nas fileiras dos vossos mártires, concedei-nos, por sua intercessão, participar com ele do cálice de Cristo, e ressuscitar para a vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

Um comentário em “Ofício das Leituras da Memória de São Policarpo, bispo e mártir”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.