Sétima antítese: o mar Vermelho

19 1Mas sobre os ímpios abateu-se até o fim uma cólera implacável, porque Ele sabia deantemão o que iriam fazer: 2que os deixariam partir e urgiriam para que se fossem, mas logo, mudando de parecer, os perseguiriam. 3De fato, ainda tinham em suas mãos os instrumentos de luto, chorando junto às tumbas dos mortos, quando conceberam outra idéia absurda: aos que haviam expulsado com súplicas, perseguiam agora como fugitivos. 4Um merecido destino os arrastou a tal extremo e os fez esquecer o que se passara, arrematando com suas torturas o castigo que faltava; 5e enquanto teu povo experimentava uma viagem maravilhosa, eles mesmos encontrariam uma morte insólita. 6Pois a criação inteira, obedecendo às tuas ordens, em sua natureza tomava novas formas para guardar incólumes os teus filhos. 7Viu-se a nuvem cobrir de sombra o acampamento, a terra enxuta emergir onde era água, o mar Vermelho convertido num caminho praticável e as ondas violentas qual planície verdejante;8por ali passaram, como um só povo, os que eram protegidos por tua mão, contemplando prodígios admiráveis. 9Como poldros na pastagem, como ovelhas traquinavam, celebrando-te a ti, Senhor, seu libertador. 10Lembravam-se ainda dos acontecimentos do exílio: como a terra, em vez de animais, produziu moscas, e o Rio, em vez de peixes, vomitou multidão de rãs. 11Mais tarde viram também uma nova espécie de pássaros quando, levados pelo apetite, pediam delicadas iguarias; 12para satisfazê-los, pois, do mar subiram codornizes.

O Egito mais culpado que Sodoma

13Aos pecadores sobrevieram castigos, não sem a advertência de raios estrondosos; sofriam, justamente, por suas próprias maldades, por ter, cruelmente, odiado os estrangeiros. 14Houve quem não recebesse os visitantes desconhecidos, mas eles escravizaram hóspedes benfazejos. 15Mais ainda: certamente para aqueles haverá um castigo, pois receberam os estrangeiros de modo hostil… 16Mas estes, depois de terem recebido em festas aqueles que partilhavam seus mesmos direitos, maltrataram-nos com terríveis trabalhos. 17Por isso foram feridos de cegueira, como aqueles às portas do justo quando, envoltos em trevas espantosas, tateavam a entrada de sua porta.

Uma nova harmonia

18Assim, os elementos entre si se harmonizavam, como na harpa, em que as notas modificam a natureza do ritmo, conservando, todavia, o mesmo tom; é o que se pode representar, olhando os fatos: 19enquanto seres terrestres transformavam-se em

aquáticos, os que nadam saltavam para a terra; 20na água, o fogo aumentava a sua força e a água esquecia seu poder de extinção; 21as chamas, ao contrário, não abrasavam as carnes dos frágeis animais que ali perambulavam; nem derretiam — cristalino e solúvel

— aquela espécie de manjar divino!

Conclusão

22Senhor, em tudo engrandeceste e glorificaste o teu povo; sem deixar de assisti-lo, em todo tempo e lugar o socorreste!