111De êxito coroou as suas obras pelas mãos de um santo profeta.2Eles atravessaramum deserto inabitado, armaram suas tendas em lugares inacessíveis, 3resistiram aos inimigos, rechaçaram os adversários.

Primeira antítese: o milagre da água

4Tiveram sede e te invocaram: uma rocha áspera lhes deu água, uma pedra dura os dessedentou.5Aquilo que serviu de castigo aos seus inimigos tornou-se para eles benefício na penúria. 6Em lugar de água corrente do rio, turvada de sangue e lodo 7— castigo do decreto infanticida, — deste-lhes, inesperadamente água abundante, 8para que aprendessem, com a sede que sentiram, como foram castigados os adversários. 9Quando sentiam, com efeito, provações que não eram senão correção de misericórdia, compreendiam os tormentos dos ímpios sentenciados com cólera; 10pois aos teus provaste como pai que repreende, mas a eles castigaste como rei severo que condena. 11Ausentes e presentes se consumiam por igual, 12pois dupla aflição os colheu, e gemiam recordando o passado; 13quando souberam que suas próprias penas redundavam em benefício para os outros, reconheceram o Senhor. 14Porque aquele que outrora, exposto, com escárnio rejeitaram,ao termo dos eventos, admiravam, ao sofrerem uma sede diferente da dos justos.

Moderação divina para com o Egito

15Seus pensamentos insensatos e iníquos os extraviaram a ponto de renderem culto a répteis irracionais e bichos miseráveis; tu lhes enviaste por castigo uma multidão de animais irracionais. 16para que compreendessem que no pecado está o castigo. 17Bém que não teria sido difícil à tua mão onipotente, que criara o mundo de matéria informe,soltar contra eles manadas de ursos e leões indomáveis, 18ou espécies novas de animais recém-criados, ferocíssimos, expirando hálito de fogo, expelindo turbilhões de vapor infecto, cujos olhos lançassem relâmpagos terríveis, 19capazes não apenas de aniquilá-los com sua maldade, mas de exterminá-los somente com seu aspecto repelente. 20Sem nada disso, poderiam sucumbir só com um sopro, perseguidos pela Justiça, varridos pelo fragor de teu poder. Mas tudo dispuseste com medida, número e peso.

Razões desta moderação

21Pois teu grande poder está sempre a teu serviço, e quem pode resistir à força de teu braço? 22O mundo inteiro é diante de ti como o grão de areia na balança, como a gota de orvalho que de manhã cai sobre a terra. 23Mas te compadeces de todos, pois tudo podes, fechas os olhos diante dos pecados dos homens, para que se arrependam. 24Sim, tu amas tudo o que criaste, não te aborreces com nada do que fizeste; se alguma coisa tivesses odiado, não a terias feito. 25E como poderia subsistir alguma coisa, se não a tivesses querido? Como conservaria sua existência, se não a tivesses chamado? 26Mas a todos perdoas, porque são teus: Senhor, amigo da vida!