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II. Assédio de Betúlia

7 Campanha contra Israel 1No dia seguinte, Holofernes ordenou a todo o seuexército e a todo o seu povo, os quais se tinham reunido a ele como aliados, que avançassem contra Betúlia, ocupassem as passagens da montanha e fizessem guerra aos filhos de Israel. 2Naquele mesmo dia, todos os homens do seu exército levantaram acampamento. O exército de seus homens de guerra compreendia cento e vinte mil infantes, doze mil cavaleiros, sem contar a bagagem e a grande multidão de gente que ia a pé entre eles. 3Entraram no vale próximo de Betúlia, em direção à fonte, e se estenderam em profundidade desde Dotain até Belbaim, e em extensão desde Betúlia até

Quiamon, que está diante de Esdrelon. 4Quando os filhos de Israel viram a multidão deles, turbaram-se profundamente e disseram uns aos outros: “Agora eles engolirão toda a face da terra. Nem os montes elevados, nem os precipícios, nem as colinas suportarão a sua força.” 5Cada um tomou seus equipamentos de guerra, acenderam fogo sobre suas torres e permaneceram de guarda toda aquela noite. 6No segundo dia, Holofernes fez sair toda a sua cavalaria diante dos filhos de Israel que estavam em Betúlia. 7Inspecionou as subidas que levavam à cidade deles, explorou as fontes de água, ocupou-as, colocou nelas postos de soldados e voltou à sua gente. 8Todos os príncipes dos edomitas, todos os chefes do povo de Moab e os generais da orla marítima vieram a ele e disseram-lhe: 9“Escuta, senhor nosso, uma sugestão para que não haja uma só ferida em teu exército. 10Este povo dos filhos de Israel não confia tanto em suas lanças quanto nas elevações em que habitam. Não é certamente fácil escalar os cumes dos seus montes. 11Por conseguinte, senhor, não combatas contra eles como se faz na batalha em campo aberto, e não cairá um só homem de teu povo. 12Fica em teu acampamento e mantém nele todos os homens do teu exército, mas que teus servos se apoderem das fontes de água que manam ao pé do monte. 13Com efeito, é lá que todos os habitantes de Betúlia buscam água, e a sede os forçará então a te entregarem a sua cidade. Nós e nosso povo subiremos aos cumes dos montes mais próximos e acamparemos neles, como sentinelas, para que não saia da cidade um só homem. 14Serão consumidos pela fome, eles, as suas mulheres e os seus filhos, e, antes mesmo de desembainhares a espada contra eles, cairão nas ruas de suas habitações. 15E lhes farás pagar bem caro por terem se revoltado e não terem ido ao teu encontro pacificamente. 16As palavras deles agradaram a Holofernes e a todo os seus oficiais, e ele decidiu agir conforme disseram. 17Partiu, pois, uma tropa de moabitas, e com eles cinco mil assírios. Penetraram no vale e ocuparam as águas e as fontes das águas dos filhos de Israel. 18Os edomitas e os amonitas subiram, postaram-se na montanha diante de Dotain e enviaram alguns deles para o sul e para o leste, diante de Egrebel, que está próximo de Cuch, sobre a torrente de Mocmur. O resto do exército assírio tomou posição na planície e cobriu toda a região. As tendas e as bagagens deles formavam um enorme acampamento, pois eram uma grande multidão. 19Os filhos de Israel clamaram ao Senhor seu Deus. O ânimo deles abateu-se, pois todos os seus inimigos os tinham cercado e não havia como fugir do meio deles. 20Todo o acampamento assírio, os infantes, os carros e os cavaleiros, permaneceu ao redor deles por trinta e quatro dias. Esgotaram-se para os habitantes de Betúlia todas as vasilhas de água, 21e as cisternas se esvaziaram. Não tinham água para matar a sede um só dia, pois a água era racionada. 22As crianças desmaiavam, as mulheres e os adolescentes desfaleciam de sede. Caíam nas ruas e nas saídas das portas da cidade, e não havia mais força neles. 23Todo o povo, adolescentes, mulheres e crianças, reuniu-se em torno de Ozias e dos chefes da cidade e clamou em altos brados, dizendo diante de todos os anciãos: 24“Julgue Deus entre vós e nós, porque fizestes uma grande injustiça contra nós, não conversando pacificamente com os assírios. 25Agora já não há socorro para nós. Deus nos entregou nas suas mãos, para que caiamos diante deles pela sede, na completa destruição. 26Agora, chamai-os. Entregai toda a cidade ao saque do povo de Holofernes e de todo o seu exército. 27É melhor para nós sermos objeto de pilhagem deles. Seremos, sim, escravos, mas viveremos e não veremos com nossos olhos a morte de nossas crianças, nem o desfalecimento de nossas mulheres e dos nossos filhos. 28Chamamos por testemunhas contra vós o céu e a terra, o nosso Deus e Senhor de nossos pais, que nos castiga segundo os nossos pecados e segundo as faltas de nossos pais, a fim de agirdes conforme essas palavras, hoje mesmo.” 29Um grande clamor irrompeu unanimemente, no meio da assembléia e todos clamaram em alta voz ao Senhor Deus. 30Disse-lhes, então, Ozias: “Confiai, irmãos, resistamos ainda por cinco

dias, nos quais o Senhor nosso Deus volverá a sua misericórdia para nós, pois ele não nos abandonará para sempre. 31Se passados esses dias ele não vier em nosso socorro, então farei conforme a vossa palavra.” 32Em seguida, dispersou o povo, cada qual para o seu lugar. Os homens foram para as muralhas e as torres da cidade e mandaram as mulheres e as crianças para as suas casas. Havia na cidade uma grande consternação.