O AMADO
5 1Já vim ao meu jardim, minha irmã, noiva minha, colhi minha mirra e meu bálsamo,comi meu favo de mel, bebi meu vinho e meu leite. Comei e bebei, companheiros, embriagai-vos, meus caros amigos!
Quarto poema
A AMADA2Eu dormia, mas meu coração velava e ouvi o meu amado que batia: “Abre,minha irmã, minha amada, pomba minha sem defeito! Tenho a cabeça orvalhada, meus cabelos gotejam sereno!” 3“Já despi a túnica, e vou vesti-la de novo? Já lavei meus pés, e vou sujá-los de novo?” 4Meu amado põe a mão pela fenda da porta: as entranhas me estremecem, minha alma, ouvindo-o, se esvai. 5Ponho-me de pé para abrir ao meu amado: minhas mãos gotejam mirra, meus dedos são mirra escorrendo na maçaneta da fechadura. 6Abro ao meu amado, mas o meu amado se foi… Procuro-o e não o encontro. Chamo-o e não me responde… 7Encontraram-me os guardas que rondavam a cidade. Bateram-me, feriram-me, tomaram-me o manto as sentinelas das muralhas! 8Filhas de Jerusalém, eu vos conjuro: se encontrardes o meu amado, que lhe direis?… Dizei que estou doente de amor!
CORO 9Que é teu amado mais que os outros, ó mais bela das mulheres? Que é teuamado mais que os outros, para assim nos conjurares?
A AMADA10Meu amado é branco e rosado, saliente entre dez mil.11Sua cabeça é ouropuro, uma copa de palmeira seus cabelos, negros como o corvo. 12Seus olhos… são pombas à beira de águas correntes: banham-se no leite e repousam na margem. 13Suas faces são canteiros de bálsamo, colinas de ervas perfumadas; seus lábios são lírios com mirra, que flui e se derrama. 14Seus braços são torneados em ouro incrustado com pedras de Társis.Seu ventre é um bloco de marfim cravejado com safiras. 15Suas pernas, colunas de mármore firmadas em bases de ouro puro. Seu aspecto é o do Líbano altaneiro, como um cedro. 16Sua boca é muito doce… Ele todo é uma delícia! Assim é meu amigo, assim o meu amado, ó filhas de Jerusalém.
