21—Sou um narciso de Saron, uma açucena dos vales.2—Como açucena entreespinhos é minha amada entre as donzelas. 3— Macieira entre as árvores do bosque, é meu amado entre os jovens; à sua sombra eu quis assentar-me, com seu doce fruto na boca. 4Levou-me ele à adega e contra mim desfralda sua bandeira de amor. 5Sustentai-me com bolos de passas, dai-me forças com maçãs, oh! que estou doente de amor…

6Sua mão esquerda está sob minha cabeça, e com a direita me abraça. 7— Filhas de Jerusalém, pelas cervas e gazelas do campo, eu vos conjuro: não desperteis, não acordeis o amor, até que ele o queira!

Segundo poema

A AMADA 8A voz do meu amado! Vejam: vem correndo pelos montes, saltitando nascolinas! 9Como um gamo é meu amado… um filhote de gazela. Ei-lo postando-se atrás da nossa parede, espiando pelas grades, espreitando da janela. 10Fala o meu amado, e me diz: “Levanta-te, minha amada, formosa minha, vem a mim!11Vê o inverno: já passou! Olha a chuva: já se foi! 12As flores florescem na terra, o tempo da poda vem vindo, e o canto da rola está-se ouvindo em nosso campo. 13Despontam figos na figueira e a vinha florida exala perfume. Levanta, minha amada, formosa minha, vem a mim! 14Pomba minha, que se aninha nos vãos do rochedo, pela fenda dos barrancos… Deixa-me ver tua face, deixa-me ouvir tua voz, pois tua face é tão formosa e tão doce a tua voz!” 15Agarrai-nos as raposas, as raposas pequeninas que devastam nossas vinhas, nossas vinhas já floridas!… 16Meu amado é meu e eu sou dele, do pastor das açucenas! 17Antes que a brisa sopre e as sombras se debandem, volta! Sê como um gamo, amado meu, um filhote de gazela pelas montanhas de Beter.